Após voltar a se reproduzir na natureza, espécie enfrenta emergência sanitária causada por circovírus
ararinha azul
Foto: Flickr

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) voltou a ocupar a Caatinga depois de desaparecer da natureza em 2000. Desde então, o programa de reintrodução avançou e registrou um resultado importante: a espécie voltou a gerar filhotes em vida livre. Em 2026, porém, a conservação ganhou um novo desafio com a identificação do circovírus entre as aves.

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Em setembro de 2026, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que 34 ararinhas-azuis positivas para o vírus permaneciam em Curaçá, na Bahia. Ao mesmo tempo, 69 aves que testaram negativo foram transferidas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), em Petrolina (PE).

Ararinha-azul desapareceu da natureza em 2000

A ararinha-azul vive originalmente na Caatinga brasileira. A espécie ocupava uma área restrita do semiárido baiano, especialmente na região de

A última ocorrência conhecida na natureza aconteceu em 2000. A captura para o comércio ilegal de animais silvestres e a perda de habitat contribuíram para o desaparecimento da ave.

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Foto: Flickr

Por décadas, a ararinha-azul sobreviveu apenas em populações mantidas sob cuidados humanos. Com o aumento do número de aves em cativeiro, pesquisadores e instituições passaram a preparar a reintrodução da espécie.

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Reintrodução começou em 2022

O programa soltou os primeiros grupos de ararinhas-azuis em Curaçá em 2022. Desde então, as equipes acompanham a adaptação das aves ao ambiente, a formação de casais e a reprodução na natureza.

O objetivo é estabelecer uma população capaz de sobreviver e se reproduzir no ambiente natural. Por isso, o acompanhamento continua mesmo depois da soltura.

Em 2023, a espécie alcançou um dos resultados mais importantes dessa etapa. Ararinhas-azuis nasceram em vida livre na Caatinga, décadas depois do desaparecimento da população selvagem.

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Fonte: Flickr

O nascimento dos filhotes mostrou que as aves reintroduzidas conseguiram formar casais e reproduzir no ambiente natural. Além disso, novos nascimentos ocorreram nas temporadas seguintes.

Em janeiro de 2025, o Brasil recebeu 41 ararinhas-azuis vindas da Alemanha para reforçar o programa de conservação e reprodução.

Circovírus cria novo desafio

A recuperação da espécie ganhou um novo obstáculo sanitário em 2026. Pesquisadores identificaram o circovírus entre as ararinhas-azuis, e o ICMBio passou a adotar medidas para controlar o risco de disseminação.

Por isso, o instituto reforçou a testagem, o isolamento e o acompanhamento veterinário das aves. A situação também levou à transferência dos animais que haviam testado negativo para uma unidade especializada.

Em 27 de maio de 2026, uma força-tarefa coordenada pelo ICMBio retirou 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que haviam testado negativo para o vírus de um criadouro em Curaçá.

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Fonte: Flickr

Em seguida, a equipe levou as aves para o Cemafauna, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina. No local, os animais passaram por quarentena e acompanhamento veterinário.

A operação reuniu 40 pessoas e durou 16 horas. Veterinários, biólogos, tratadores, agentes e delegados da Polícia Federal participaram da ação.

Programa mantém monitoramento das aves

Em setembro, o ICMBio informou que 34 ararinhas-azuis positivas para circovírus permaneciam em Curaçá. Além disso, o instituto ampliou as ações de fiscalização, testagem, isolamento, alimentação, manejo e acompanhamento veterinário.

Dessa forma, a emergência sanitária acrescentou uma nova frente ao trabalho de conservação da ararinha-azul. Além de acompanhar reprodução, alimentação, comportamento e adaptação, as equipes precisam controlar os riscos sanitários que podem afetar a população.

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A reprodução em liberdade representa um avanço no processo de reintrodução. Agora, o controle do circovírus passa a integrar os desafios para manter a espécie na natureza.