Estudo aponta 11 mil mortes por ano e mostra que país africano tem a maior taxa de intoxicação do mundo
Agrotóxicos envenenam quase metade dos agricultores do mundo, revela estudo
Foto de Dibakar Roy na Unsplash

Agrotóxicos intoxicam quase metade dos agricultores do mundo todos os anos. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Public Health revela esse número. Cientistas ligados à ONG Pesticide Action Network conduziram a pesquisa.

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Segundo o levantamento, 46% dos 934 milhões de agricultores do planeta sofrem algum tipo de intoxicação aguda por agrotóxicos. Isso equivale a mais de 400 milhões de casos por ano. Além disso, cerca de 11 mil dessas ocorrências terminam em morte e quase 60% delas acontecem na Índia.

As contaminações se concentram no sul e no sudeste da Ásia e no leste da África. Elas acontecem, principalmente, durante o preparo e a aplicação dos produtos. O contato com plantas e roupas contaminadas também expõe os trabalhadores ao risco.

Um país africano tem a maior taxa do mundo

Entre os países analisados, Burkina Faso apresenta a incidência mais alta: os agrotóxicos envenenam cerca de 84% dos agricultores e trabalhadores rurais do país todos os anos.

Já a Índia concentra sozinha uma fatia enorme dos casos não fatais. Os pesquisadores contam cerca de 169 milhões de ocorrências por ano no país. Esse número representa mais de 73% dos agricultores e trabalhadores rurais indianos, que somam 230 milhões de pessoas.

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Uso de agrotóxicos cresce apesar dos riscos

Apesar dos alertas sobre os perigos dos pesticidas, o consumo global não para de subir. O estudo aponta que quase 3,8 milhões de toneladas de agrotóxicos caíram sobre as lavouras do mundo, um volume que quase dobrou nas últimas três décadas.

Ainda assim, esse total não inclui o impacto sobre os cerca de 84 milhões de crianças que trabalham na agricultura em todo o mundo. Segundo os autores, elas enfrentam ainda mais vulnerabilidade à exposição química. Os efeitos de longo prazo na saúde também ficaram fora da conta.

Diante desse cenário, os pesquisadores classificam a situação como uma crise que exige providências imediatas. Por isso, eles defendem a adoção urgente de uma recomendação da ONU, que propõe eliminar progressivamente os produtos químicos que a organização classifica como mais perigosos.

Estudo mede apenas casos agudos

Vale destacar que o levantamento trata somente das intoxicações agudas não intencionais por agrotóxicos, ou seja, reações de saúde que aparecem logo após a exposição. Por isso, ele não avalia os efeitos que podem surgir depois de anos de contato contínuo com essas substâncias.

Os pesquisadores também alertam para outro ponto importante: os casos que o estudo registra não correspondem necessariamente ao número de pessoas afetadas. Isso acontece porque um mesmo trabalhador pode sofrer mais de uma intoxicação no período analisado, o que pode inflar o total de ocorrências em relação ao número real de vítimas.