Cerca de 20% do território está em processo crítico de degradação, enquanto produtores adotam técnicas para recuperar o solo e manter a produção
Fungos Caatinga
Foto: Saulo Coelho

O manejo inadequado do solo levou algumas áreas da Paraíba a níveis de degradação associados à desertificação na Paraíba. Segundo o Observatório da Caatinga, cerca de 20% do território paraibano está em processo crítico de degradação.

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Diante desse cenário, o problema chegou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que cobrou providências de municípios, do Estado e da União. Ao mesmo tempo, pesquisadores e agricultores adotam técnicas para recuperar áreas degradadas e manter a produção no Semiárido.

Pesquisa busca soluções para o Semiárido

O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) integram o Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA). Nesse trabalho, as instituições desenvolvem estudos sobre degradação, conservação e alternativas para o Semiárido. Além disso, uma plataforma prevista para novembro deve reunir dados de diferentes fontes para auxiliar na formulação de políticas públicas.

Os estudos também permitem estimar a quantidade de carbono removida da atmosfera pela vegetação da Caatinga, segundo o coordenador do Observatório, John Cunha.

“Em algum momento do ano, a vegetação da Caatinga vai estar seca. As folhas vão cair e vão ficar no solo. O surgimento frequente de novas folhas faz com que ela faça esse processo de sempre captar CO2 para transformar essa biomassa. Isso é cíclico. Todo ano acontece isso de forma bastante intensa. É uma estratégia importante para reduzir os impactos climáticos”, explicou.

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Conservação pode gerar renda

Além da recuperação ambiental, a conservação da Caatinga também pode gerar renda por meio do mercado de carbono. Empresas podem comprar créditos associados à preservação de áreas do bioma para compensar emissões. Por outro lado, o pesquisador do INSA Aldrin Perez alerta para a distribuição dos recursos.

“O que nós estamos discutindo no Observatório da Caatinga é que essa certificação tem que ser feita por instituições públicas, com uma certificação dupla, que seria participativa com a comunidade”, informou.

Nesse contexto, a plataforma Floresta em Pé, Renda Justa, do OCA, pretende ajudar proprietários a calcular quanto suas áreas podem render com o carbono armazenado.

“São projetos geralmente caros, então inviabiliza que pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades tradicionais participem do mercado de carbono. A plataforma vem com esse preceito de fazer com que esse mercado seja mais acessível para eles, porque eles vão saber quanto carbono está sendo armazenado na floresta em sua propriedade”, explica Sabrina Holanda, pesquisadora do OCA.

Agricultores recuperam o solo

Enquanto as pesquisas avançam, agricultores também colocam técnicas de recuperação em prática. Em São João do Cariri, o agricultor Diógenes Fernandes passou a plantar diferentes culturas para recuperar o solo.

“Pelas culturas que eu introduzi, em pouco mais de um ano, eu consegui ter um estoque de matéria morta, que hoje me dá a visão de que esse é o caminho. De maneira pequena ainda, mas é do pequeno que se começa”, relata.

Já em Soledade, no Agreste paraibano, Sebastião e Marinalva reaproveitam água do banho e da pia para irrigar um viveiro de mudas após a filtragem. Além disso, eles utilizam pedras enfileiradas para reduzir o carregamento de solo e nutrientes pela chuva. As práticas recebem acompanhamento do Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas (Patac), que atua em 12 municípios do Semiárido paraibano.

“Todas as tecnologias precisam garantir uma produção de alimentos durante o ano inteiro, e não só quando tem chuva”, diz José Valdir, educador técnico do Patac.

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TCE aponta falhas no combate à desertificação

Apesar das iniciativas, o Tribunal de Contas do Estado identificou falhas no cumprimento das diretrizes de combate à desertificação. Segundo o TCE, o Estado apresentou planos de ação, mas 41 municípios não atenderam às exigências. Por isso, o tribunal também emitiu alertas à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade e aos 188 municípios da região.

Agora, a fiscalização integra a agenda de 2027 para acompanhar as medidas adotadas contra a degradação.