Nova norma diferencia municípios pela incidência da doença e reforça o monitoramento do psilídeo e das plantas cítricas
laranja com greening no pé
Foto: Arquivo

São Paulo mudou as regras de prevenção e controle do greening, doença associada ao Huanglongbing (HLB) e considerada uma das principais ameaças à citricultura. A Resolução SAA nº 32/2026 estabeleceu critérios diferentes para o manejo de plantas sintomáticas conforme a situação da doença em cada município.

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A resolução está em vigor desde 28 de maio de 2026, data de sua publicação, e não estabelece prazo final de vigência. Com a mudança, o Estado revogou a Resolução SAA nº 88/2021 e passou a adotar os novos critérios para o manejo da doença.

Além disso, a norma tornou obrigatório o cadastro de propriedades rurais e viveiros que tenham plantas cítricas. O produtor também deve acompanhar a presença do psilídeo (Diaphorina citri), inseto que transmite as bactérias associadas ao greening.

O que muda no corte das plantas

A principal mudança está na idade das plantas que precisam ser eliminadas. A regra varia conforme a incidência de plantas com sintomas de HLB no município.

Classificação do município Incidência Regra
Baixa incidência Até 10% Todas as plantas sintomáticas, independentemente da idade
Alta incidência Acima de 10% Plantas sintomáticas com até três anos

O limite de 10% corresponde à incidência de plantas sintomáticas usada para classificar o município. Já a metodologia do levantamento considera uma amostragem mínima de 10% das propriedades cadastradas com área cultivada de citros. São critérios diferentes e com funções distintas.

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A classificação será revisada anualmente, em maio, com base nos dados do ano civil anterior. A Defesa Agropecuária também poderá atualizar o enquadramento antes desse período quando um levantamento oficial comprovar alteração significativa na ocorrência da doença.

Controle do psilídeo

O produtor deve realizar inspeções dos pomares a cada três meses e monitorar o psilídeo a cada 15 dias. A presença de ninfas em pelo menos 5% dos brotos vistoriados caracteriza manejo inadequado, conforme os critérios da regulamentação.

Além disso, as inspeções, plantas eliminadas e replantios devem ser registrados nos relatórios semestrais encaminhados à Defesa Agropecuária.

As mudas utilizadas também precisam ser adquiridas de estabelecimentos cadastrados, enquanto a documentação relacionada às compras e ao manejo deve ser mantida pelo período determinado pela norma.

Transporte de frutas também tem exigências

A nova regulamentação estabelece regras para o transporte interestadual de citros in natura. As frutas devem passar por escovação e ter folhas e ramos removidos antes do trânsito.

A tangerina Ponkan, entretanto, fica dispensada da escovação. As demais exigências fitossanitárias continuam valendo de acordo com as normas aplicáveis ao transporte de citros.

Além disso, o cumprimento dessas medidas busca reduzir o risco de disseminação do greening durante o deslocamento de frutas entre estados. Por isso, produtores e responsáveis pelo transporte precisam observar as exigências antes da saída da carga.

Greening avança no cinturão citrícola

As novas regras estão em vigor em um cenário de forte avanço do greening. Segundo levantamento do Fundecitrus, a doença atingiu 50,6% das árvores no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais em 2025.

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A severidade média chegou a 22,74% no mesmo ano, indicador que mostra a proporção da copa das árvores afetadas pelos sintomas.

O levantamento também revela diferenças expressivas entre as regiões. Limeira registrou 79,89%, enquanto Porto Ferreira alcançou 70,58%. Avaré ficou em 69,16%, Duartina em 62,69% e Brotas em 60,80%.

Em contraste, Votuporanga apresentou 3,12% e o Triângulo Mineiro, 0,30%.

Algumas regiões também registraram aumentos expressivos. Itapetininga teve avanço de 16,68 pontos percentuais, enquanto São José do Rio Preto subiu 13,47 pontos percentuais entre 2024 e 2025.

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Com a nova regulamentação, o manejo passa a considerar a situação fitossanitária de cada município, enquanto as exigências de inspeção, controle do psilídeo e transporte estabelecem procedimentos específicos para a cadeia citrícola.