Resumo da notícia
- A Refinaria Henrique Lage em São José dos Campos começou a usar óleo técnico de milho na produção do ligante asfáltico CAP Pro R, produzindo 95 mil toneladas de asfalto com conteúdo renovável desde junho.
- O óleo técnico de milho, coproduto do processamento para etanol, amplia o uso do milho na indústria, conectando a cadeia do etanol ao setor de infraestrutura por meio da pavimentação.
- Petrobras ainda não detalhou o volume exato de óleo usado nem o impacto econômico ou ambiental, mas destaca que asfaltos renováveis representam 16,6% da produção total até agosto de 2026.
A cadeia do milho ganhou uma nova aplicação industrial para um de seus coprodutos. Desde junho, a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), usa óleo técnico de milho (TCO) na produção do ligante asfáltico CAP Pro R. Segundo a Petrobras, a unidade já produziu 95 mil toneladas de asfalto com conteúdo renovável.
O TCO resulta do processamento do milho destinado à produção de etanol. A Inpasa fornece o óleo técnico de milho para a Petrobras. A empresa já utiliza esse tipo de matéria-prima na produção de combustíveis avançados, como SAF e Diesel R. Agora, também direciona o coproduto para a fabricação de asfalto.
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Novo mercado para o coproduto do etanol
A nova aplicação amplia as possibilidades de aproveitamento do milho processado pelas usinas de etanol. Além do combustível, o processamento do cereal gera produtos e coprodutos. Esses materiais podem encontrar novos mercados industriais.
Para o produtor de milho, entretanto, ainda não é possível calcular um ganho econômico direto. A Petrobras não informou quanto de óleo técnico de milho utilizou nas 95 mil toneladas de asfalto. Também não revelou qual é a participação do óleo na formulação do CAP Pro R.
Por isso, o número de 95 mil toneladas precisa ser interpretado corretamente. Ele corresponde ao volume de asfalto com conteúdo renovável produzido. Não representa a quantidade de óleo técnico de milho consumida pela refinaria.
A Petrobras também informou que os asfaltos com conteúdo renovável representaram 16,6% da produção total de asfaltos da companhia até agosto de 2026. O percentual reúne diferentes aplicações de matérias-primas renováveis. Portanto, não significa que todo esse volume tenha utilizado óleo técnico de milho.
Óleo de milho chega à infraestrutura
A utilização do óleo técnico de milho conecta a cadeia do etanol de milho ao setor de infraestrutura. O coproduto já tinha aplicações na produção de combustíveis. Agora, também integra uma rota industrial ligada à pavimentação.
A Petrobras associa o CAP Pro R à redução da intensidade de carbono na produção de asfaltos. Entretanto, os dados divulgados ainda não permitem calcular essa redução. Também não é possível atribuir um percentual específico ao uso do óleo técnico de milho.
A empresa não informou quais obras ou rodovias receberam o material produzido desde junho. Também não divulgou uma meta de expansão para outras refinarias.
Assim, o resultado confirmado é a entrada do óleo técnico de milho em uma nova aplicação industrial. Para a cadeia do milho, a mudança amplia as possibilidades de aproveitamento dos coprodutos do etanol. O efeito econômico sobre o setor, porém, ainda depende de maior escala e de novos dados.