Cultivar desenvolvida pela Embrapa já ocupa 600 hectares na região, com cerca de 350 viticultores e previsão de mais de 20 mil toneladas na safra de 2026
Cacho de uva
Foto: Divulgação

A uva Núbia já ocupa 600 hectares na região de Jales, no noroeste de São Paulo, e pode movimentar cerca de R$ 130 milhões na safra de 2026. Segundo a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), cerca de 350 viticultores cultivam a variedade, com previsão de colher mais de 20 mil toneladas.

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Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, a cultivar tem casca escura, cachos grandes e bagas firmes e crocantes. A variedade possui sementes e apresenta adaptação às condições tropicais e subtropicais brasileiras.

Além disso, a BRS Núbia apresenta tolerância à podridão do cacho e ao míldio. Por outro lado, a cultivar é sensível ao oídio e aos trips, o que exige acompanhamento e manejo adequado no campo.

Produtores buscam maior estabilidade

Na região de Jales, alguns produtores passaram a apostar na Núbia em busca de maior regularidade na produção. A produtora Ângela Rabetti Dias Maia, que mantém 40 mil pés de uva niágara, decidiu investir na variedade depois de observar queda na produção da niágara durante períodos de frio.

“A núbia permanece bem produtiva”, afirma.

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Segundo o pesquisador João Dimas Garcia Maia, a variedade apresenta bom desempenho diante de baixas temperaturas e pode manter a produção em diferentes períodos do ano. Assim, a cultivar passou a ocupar espaço nas propriedades que buscam alternativas para diversificar a produção.

As condições climáticas também influenciam essa escolha. Com o aumento das chuvas, por exemplo, a colheita da niágara pode sofrer atrasos. Já a Núbia apresenta comportamento diferente em determinadas condições, embora o resultado dependa do manejo e das características de cada propriedade.

Produção cresce em Palmeira D’Oeste

Em Palmeira D’Oeste, o produtor João Guilherme Cardoso espera colher 80 toneladas em 2.500 pés de Núbia nesta safra. A previsão representa aumento de 20% em relação ao ano passado.

Além do crescimento da produção, Cardoso também relata valorização no preço recebido pela fruta. Segundo ele, o quilo passou de R$ 5 para R$ 6,50. Parte da produção segue para compradores do Sul do Brasil.

Com a expansão da cultivar, a Núbia ganhou espaço entre os viticultores da região. Para cada propriedade, no entanto, o resultado depende de fatores como produtividade, custos de produção, manejo e comportamento dos preços.