Resumo da notícia
- A Corteva concluiu a cisão do negócio de sementes e genética avançada, criando a Vylor, que agora atua separadamente e tem ações negociadas na Bolsa de Nova York sob o código VYLR.
- A Vylor foca exclusivamente em genética agrícola, com 137 unidades de P&D, mais de 3 mil cientistas e um portfólio que inclui marcas como Pioneer, Brevante e Cordius.
- A nova empresa investirá em 12 plataformas tecnológicas até 2035, com avanços em edição gênica, inteligência artificial e resistência a estresses para melhorar a produtividade no campo.
A Corteva concluiu nesta quinta-feira (1º), primeiro dia do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, a cisão de seu negócio de sementes e genética avançada. A partir de agora, a companhia passa a atuar separadamente da Vylor, nova empresa dedicada a sementes, genética avançada e biotecnologia. As ações da Vylor começaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) sob o código VYLR.
A nova companhia chega ao mercado com um plano de 12 plataformas tecnológicas para milho, soja e trigo até 2035. Entre as frentes apresentadas estão edição gênica, inteligência artificial, novas tecnologias para controle de insetos e tolerância a herbicidas, além de características voltadas à estabilidade de rendimento em condições de estresse.
Durante coletiva de imprensa no GAFFFF, Willian Weber, presidente da Vylor para as unidades Comercial Brasil e Paraguai, classificou o início das operações como um momento histórico para a empresa.
“É um dia para nós histórico, o lançamento de uma nova empresa e, de fato, tem a ambição de continuar impulsionando a agricultura através de ciência, genética, biotecnologia”, afirmou.
Vylor nasce com foco exclusivo em genética
Com a cisão, a Corteva permanece concentrada no segmento de proteção de cultivos, enquanto a Vylor passa a reunir os negócios de sementes e genética avançada. Segundo Weber, a separação busca aumentar a especialização e direcionar investimentos para as respectivas áreas.
A Vylor afirma ser uma plataforma global dedicada exclusivamente à genética agrícola. A empresa reúne atividades de melhoramento, germoplasma, inovação e biotecnologia.

A companhia informa ter 137 unidades de pesquisa e desenvolvimento, mais de 60 unidades de produção, uma rede com mais de 19 mil produtores parceiros e mais de 3 mil cientistas espalhados pelo mundo.
No Brasil, considerado o segundo mercado mais relevante para a empresa, a estrutura conta com mais de 1,2 mil funcionários, nove unidades de pesquisa e desenvolvimento, quatro unidades de produção, dois centros de distribuição próprios e um escritório em São Paulo.
O portfólio comercial inclui marcas como Pioneer, Brevante, Enlist e Cordius. No segmento de milho, Pioneer e Brevante são as principais marcas apresentadas pela companhia no País. Já a Cordius concentra a atuação relacionada à genética de soja e ao licenciamento.
Tecnologia para enfrentar o estresse no campo
O diretor de Marketing da Vylor, Anelcindo Souza, afirmou que a empresa pretende transformar a genética em uma plataforma que reúna diferentes tecnologias.
“Hoje nasce uma companhia especializada em genética. Em genética composta por tecnologia, por edição gênica, por inteligência artificial. Sem dúvida nenhuma vai mudar a maneira de se fazer a agricultura”, disse.
Segundo Souza, o chamado corredor tecnológico da empresa prevê 12 plataformas até 2035. As iniciativas estão concentradas inicialmente em milho, soja e trigo, com diferentes tecnologias em desenvolvimento.
Uma das novidades apresentadas para o mercado brasileiro é a tecnologia chamada Abranvo, prevista para a safra 2028/29, condicionada à conclusão de testes, processos regulatórios e demais etapas necessárias para o lançamento.
A tecnologia reúne três frentes, segundo a empresa: controle de insetos, tolerância a herbicidas e uma característica voltada ao rendimento e à estabilidade de rendimento.
A proposta é atuar sobre mecanismos da planta relacionados ao vigor inicial, ao enchimento de grãos em situações de estresse, à fotossíntese e à absorção de nutrientes.
A Vylor também trabalha no desenvolvimento de uma nova geração de tecnologias para substituir essa plataforma ao longo da próxima década.
Edição gênica entra no pipeline
Outra frente destacada durante a coletiva foi a edição gênica. De acordo com Souza, a tecnologia permitirá alterar características específicas da planta, incluindo a introdução, retirada ou edição de genes de interesse.
No milho, uma das aplicações em desenvolvimento busca resistência a múltiplas doenças. A estratégia, segundo a empresa, é incorporar essas características a materiais genéticos de alta performance.

A companhia também avalia aplicações relacionadas à maturidade de soja e milho. A proposta é adaptar materiais genéticos a diferentes regiões produtoras, especialmente em situações nas quais uma variedade ou híbrido apresenta ciclo mais longo do que o adequado para determinada área.
O pipeline inclui ainda estudos com milho de baixa estatura e outras possibilidades de aplicação da edição gênica. A empresa afirma possuir mais de 1 milhão de linhagens em sua biblioteca genética, resultado de décadas de melhoramento.
Além de milho e soja, a tecnologia poderá ser aplicada, segundo a Vylor, a culturas como canola, arroz, trigo, sorgo e mostarda.
Soja terá novas tecnologias na próxima década
A Vylor também prevê novas plataformas para soja. A empresa já atua no segmento com tecnologias Enlist e Conquesta e por meio da marca Cordius, voltada à genética e ao licenciamento.
De acordo com a apresentação feita no GAFFFF, uma nova tecnologia para soja está planejada para o início da década de 2030. O desenvolvimento prevê novas proteínas para controle de insetos e tolerância a herbicidas, também sujeito aos processos regulatórios e de stewardship.
No plano global, o release da companhia informa que quatro novas plataformas tecnológicas de soja estão previstas até 2035.
Para o milho, são sete novas plataformas na próxima década, a partir de 2028. O material divulgado pela empresa afirma que uma delas será voltada ao aumento da produtividade e da estabilidade produtiva.
No trigo, a Vylor prepara o lançamento do Xpedite, sistema usado no desenvolvimento de seu trigo híbrido proprietário, para a América do Norte no fim de 2027.
Brasil é mercado estratégico para a companhia
A Vylor também destacou o papel do Brasil na estratégia global. Segundo Weber, o País é atualmente o segundo mercado mais importante da empresa e apresenta potencial para ganhar ainda mais relevância.
A companhia chega ao mercado brasileiro com atuação consolidada em milho e sorgo e pretende ampliar sua presença em tecnologias de genética e biotecnologia.
Outro segmento considerado estratégico é o licenciamento de tecnologias e genética de soja. A empresa afirma ter participação de dois dígitos nesse mercado e estabeleceu como ambição chegar a pelo menos 30% até o fim da década.
O executivo também destacou a importância da sucessão entre soja e milho para a agricultura brasileira. Para ele, a possibilidade de produzir duas safras em uma mesma área cria condições específicas para a adoção de novas tecnologias.
A empresa afirma ainda que quatro em cada dez plantas de milho no Brasil e no Paraguai possuem tecnologias Vylor. No mercado de etanol, a companhia estima que aproximadamente quatro em cada dez litros produzidos utilizem tecnologias da empresa.
Mostarda indiana entra nos planos para biocombustíveis
Entre as iniciativas apresentadas está ainda o desenvolvimento de mostarda indiana para produção de óleo destinado à cadeia de combustíveis sustentáveis de aviação.
A empresa informou que trabalha no projeto por meio de uma joint venture com a BP, chamada Atlas, voltada ao desenvolvimento de culturas para Sustainable Aviation Fuel (SAF).
Segundo Souza, testes com a cultura são realizados no Brasil há dois ou três anos. O lançamento comercial da mostarda indiana está previsto para este ano, com a proposta de utilizar áreas e regiões que enfrentam limitações climáticas e que podem receber a cultura após a segunda safra.
A Vylor afirma destinar 10% de suas vendas para pesquisa e desenvolvimento. Com a nova estrutura, a companhia pretende concentrar seus investimentos em genética, biotecnologia e novas tecnologias para ampliar a produtividade e a estabilidade das lavouras.