Nos Andes, a ave alcança flores profundas com o bico alongado e usa as patas para cuidar das próprias penas
beija flor bico de espada
Foto: James St. John/Flickr

O beija-flor-bico-de-espada (Ensifera ensifera) chama atenção pelo comprimento do bico. Estudos registram exemplares com até 11 centímetros, característica que permite à ave alcançar o néctar de flores com tubos profundos nos Andes.

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Essa anatomia ajuda o beija-flor a explorar recursos que outras aves de bico mais curto têm dificuldade para alcançar. Ao mesmo tempo, o comprimento extremo da estrutura influencia outras atividades do animal, inclusive o cuidado com a plumagem.

Um bico adaptado para flores profundas

O Ensifera ensifera vive em regiões montanhosas dos Andes e mantém relações com diversas plantas de flores longas. Ao inserir o bico nas corolas profundas, consegue alcançar o néctar localizado em partes mais internas da flor.

beija flor bico de espada
Foto: ProAves Colombia/Flickr

Essa característica também participa de uma relação especializada com algumas espécies de Passiflora. Pesquisadores identificaram flores com tubos de néctar de 6 a 14 centímetros cuja posição das estruturas reprodutivas e características de reprodução fazem com que dependam do beija-flor-bico-de-espada para a polinização.

Por isso, a relação entre a ave e essas plantas vai além da alimentação. Durante a visita, o beija-flor entra em contato com as estruturas reprodutivas e pode transportar pólen entre flores.

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Flores longas acompanham o alcance da ave

Pesquisas sobre a distribuição do bico longo e das plantas visitadas pelo beija-flor encontraram uma relação entre regiões onde a ave apresenta bicos maiores e maior diversidade de plantas com flores longas.

Esse padrão é estudado como parte de possíveis processos de coevolução. Em outras palavras, as características da ave e das flores podem ter sido influenciadas ao longo do tempo pela interação entre polinizador e planta.

Ainda assim, essa relação não significa que todas as flores longas dependam exclusivamente do Ensifera ensifera. Os próprios estudos registram mudanças nas interações entre plantas e diferentes polinizadores.

O bico também cria limitações

O comprimento excepcional da estrutura não influencia apenas a alimentação. Em aves de bico muito longo, algumas regiões do corpo podem ficar mais difíceis de alcançar durante a limpeza da plumagem.

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Foto: David Cook/Flickr

Nesse caso, as patas podem ajudar a alcançar áreas que ficam fora do alcance do bico. Estudos sobre comportamento de limpeza em aves mostram que o uso das patas pode complementar a higiene da plumagem, especialmente quando determinadas regiões são difíceis de alcançar com o bico.

Assim, uma característica que oferece vantagem para explorar flores profundas também pode exigir ajustes no comportamento cotidiano.

Uma espécie ligada às flores dos Andes

O beija-flor-bico-de-espada ocupa um lugar particular nas redes de polinização das regiões andinas. Seu bico, que pode chegar a 11 centímetros, está entre as estruturas mais extremas encontradas entre as aves polinizadoras.

A relação com flores de tubos longos mostra como diferenças na anatomia podem determinar quais recursos uma espécie consegue explorar. Ao mesmo tempo, a distribuição das plantas e as condições ambientais influenciam onde essas interações acontecem.

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No beija-flor-bico-de-espada, portanto, o tamanho do bico não é apenas uma característica visual. Ele está diretamente relacionado à forma como a ave encontra alimento e participa das relações de polinização nos Andes.