Registros do animal em três áreas protegidas de Mato Grosso ampliam o conhecimento sobre uma espécie rara, discreta e vulnerável no Brasil

Um cachorro-vinagre foi registrado em três áreas protegidas do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, em Mato Grosso. A presença do animal foi identificada em áreas dos biomas Pantanal e Cerrado.

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O registro chama atenção porque o cachorro-vinagre tem hábitos discretos e costuma viver em grupos. Além disso, a espécie ainda é pouco conhecida pela ciência. Por isso, cada nova ocorrência ajuda pesquisadores a compreender melhor sua distribuição e seu comportamento.

Registros ampliam conhecimento sobre a espécie

No Parque Sesc Serra Azul, em Rosário Oeste (MT), pesquisadores registraram o cachorro-vinagre durante um estudo publicado na revista científica Notas sobre Mamíferos Sudamericanos. A pesquisa contou com a participação de pesquisadores do Rio de Janeiro, da Fiocruz, do Instituto Oswaldo Cruz e do Museu Nacional.

Para acompanhar a fauna, os pesquisadores instalaram câmeras na área protegida. Dessa forma, conseguiram identificar uma espécie que raramente aparece para observação direta.

De acordo com o pesquisador Luiz Flamarion, do Museu Nacional, a biodiversidade e o nível de proteção da área ajudam a explicar a presença do cachorro-vinagre no Parque Sesc Serra Azul.

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cachorro vinagre
Imagem de lisellefae por Pixabay

O cachorro-vinagre ou cachorro-do-mato-vinagre vive normalmente em bandos. Caça, inclusive, animais grandes por atacar em matilhas. É muito furtivo, dificilmente observado e pode ser considerado raro”, explica o pesquisador.

Além disso, o cachorro-vinagre se destaca pela estratégia de caça coletiva. Como vive em grupos, consegue atuar em conjunto para capturar presas. Sua alimentação inclui pequenos vertebrados e também animais maiores, como tatus, cutias, pacas e catetos.

Por que o animal se chama cachorro-vinagre?

O nome popular vem do forte odor da urina, que lembra o cheiro do vinagre. O animal usa a urina principalmente para marcar território.

Durante essa marcação, pode levantar o corpo e direcionar a urina para árvores, pedras e outras superfícies. Assim, consegue deixar marcas em pontos mais altos.

Além disso, o cachorro-vinagre possui diferentes vocalizações e mantém comunicação com os integrantes do grupo. A gestação dura entre 60 e 83 dias, enquanto a ninhada pode ter de um a seis filhotes. O macho também participa dos cuidados com a prole.

Cachorro-vinagre é vulnerável no Brasil

O cachorro-vinagre mede entre 57 e 75 centímetros e possui corpo compacto, com pelagem predominantemente castanho-avermelhada e áreas mais escuras no dorso e na cabeça. Apesar do tamanho, consegue capturar presas maiores quando atua em grupo.

No Brasil, a espécie é classificada como vulnerável. Por isso, preservar os ambientes onde ela ocorre ajuda a manter seus habitats e a ampliar o conhecimento sobre suas populações.

A classificação também reforça a necessidade de acompanhar onde a espécie ocorre e como suas populações se comportam. Por ser difícil de observar diretamente, registros em áreas protegidas ajudam a reunir informações sobre sua distribuição e podem contribuir para ações de conservação mais direcionadas.

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Áreas protegidas preservam a fauna

O Parque Sesc Serra Azul protege cerca de 5 mil hectares em Rosário Oeste. Para o gestor da unidade, Vinicius Almeida, o registro do cachorro-vinagre mostra a importância da conservação da área.

“Cuidar do Cerrado é garantir espaço para que animais raros e fascinantes, como o cachorro-do-mato-vinagre, continuem fazendo parte da paisagem. Ao mesmo tempo, é contribuir para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos fundamentais para a vida”, destaca.

Além do Parque Sesc Serra Azul, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal reúne outras áreas de conservação. Juntas, elas somam 117 mil hectares nos biomas Pantanal e Cerrado.

Nesses espaços, as equipes também desenvolvem ações ambientais, científicas, culturais e educativas. Dessa maneira, o monitoramento da fauna ajuda a identificar espécies e acompanhar sua ocorrência nas áreas protegidas.

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