Resumo da notícia
- As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, recuando 9,7% e atingindo o menor valor desde 2023, com destaque para a queda de 26,7% no agropecuário.
- Em agosto, o valor das vendas aos EUA cresceu 12,1%, impulsionado pela alta dos preços, mas o volume exportado caiu 17,3%, atingindo o menor nível para o mês desde 2021.
- Produtos sujeitos a sobretaxas entre 25% e 37,5% sofreram queda de 29,1% no acumulado do ano, impactando fortemente setores como madeira, fumo e sebo bovino nas exportações brasileiras aos EUA.
As exportações aos EUA somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas e levou o resultado ao menor valor para o período desde 2023.
No setor agropecuário, a retração foi ainda maior. As vendas brasileiras para os Estados Unidos caíram 26,7% nos oito primeiros meses do ano. Em contrapartida, os embarques da agropecuária para os demais mercados cresceram 9,5%, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat.
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Valor cresce em agosto, mas volume recua
O resultado de agosto apresentou um cenário diferente do acumulado do ano. As vendas brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor na comparação com agosto de 2025. Entretanto, a quantidade embarcada caiu 17,3%, atingindo o menor nível para um mês de agosto desde 2021.
Segundo o levantamento, o aumento do valor foi sustentado pela alta dos preços médios. Ainda assim, alguns produtos registraram crescimento na quantidade exportada, entre eles carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café.
Por outro lado, os produtos submetidos às sobretaxas de 25% a 37,5% registraram queda de 10,5% em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, esse grupo recuou 29,1%, passando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.
Agro recua enquanto outros mercados avançam
A retração das vendas aos Estados Unidos atingiu os três grandes setores da economia brasileira. No entanto, o comportamento muda quando o mercado norte-americano é comparado com os demais destinos das exportações.
Entre janeiro e agosto, a indústria de transformação reduziu em 4,9% as vendas para os Estados Unidos, enquanto os embarques para outros mercados cresceram 6,6%. Na indústria extrativa, o recuo para o mercado norte-americano chegou a 28,9%, enquanto as vendas aos demais destinos avançaram 19,6%.
Na agropecuária, a diferença foi ainda maior. As exportações para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto aquelas destinadas ao restante do mundo cresceram 9,5%.
Esse contraste mostra que a retração não ocorreu de maneira uniforme entre os mercados. Para os exportadores brasileiros, portanto, o desempenho dos Estados Unidos ficou abaixo do registrado nos demais destinos no mesmo período.
Sobretaxas concentram perdas em produtos específicos
Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas aos Estados Unidos no acumulado do ano.
As maiores retrações ocorreram nas exportações de madeira de coníferas, com queda de 55,3%, fumo não manufaturado, de 39,9%, sebo bovino, de 39,4%, e granitos trabalhados, de 37,4%.
Considerando todos os produtos sujeitos às sobretaxas, as vendas brasileiras recuaram 11,4% entre janeiro e agosto. Já os produtos sem sobretaxa registraram queda de 8,3%.
Comércio bilateral também recua
As importações brasileiras de produtos norte-americanos somaram US$ 27,3 bilhões nos primeiros oito meses do ano, queda de 8,6% na comparação anual.
Com isso, o Brasil acumulou déficit de US$ 3,2 bilhões no comércio com os Estados Unidos no período. Brasil e Estados Unidos movimentaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no comércio bilateral durante os oito primeiros meses de 2026.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que o comércio entre os dois países segue em retração em 2026.
“O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
O levantamento considera a estrutura tarifária aplicada ao comércio entre Brasil e Estados Unidos no período analisado, incluindo as sobretaxas incidentes sobre determinados produtos. A análise diferencia os bens submetidos às alíquotas de 25% a 37,5% dos demais produtos.