Vendas brasileiras somam US$ 24,1 bilhões até agosto, enquanto embarques da agropecuária para o mercado norte-americano diminuem no ano
Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro. Estimativa é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Foto: divulgação - Terminal de Contêineres de Paranaguá

As exportações aos EUA somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas e levou o resultado ao menor valor para o período desde 2023.

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No setor agropecuário, a retração foi ainda maior. As vendas brasileiras para os Estados Unidos caíram 26,7% nos oito primeiros meses do ano. Em contrapartida, os embarques da agropecuária para os demais mercados cresceram 9,5%, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat.

Valor cresce em agosto, mas volume recua

O resultado de agosto apresentou um cenário diferente do acumulado do ano. As vendas brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor na comparação com agosto de 2025. Entretanto, a quantidade embarcada caiu 17,3%, atingindo o menor nível para um mês de agosto desde 2021.

Segundo o levantamento, o aumento do valor foi sustentado pela alta dos preços médios. Ainda assim, alguns produtos registraram crescimento na quantidade exportada, entre eles carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café.

Por outro lado, os produtos submetidos às sobretaxas de 25% a 37,5% registraram queda de 10,5% em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, esse grupo recuou 29,1%, passando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.

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Agro recua enquanto outros mercados avançam

A retração das vendas aos Estados Unidos atingiu os três grandes setores da economia brasileira. No entanto, o comportamento muda quando o mercado norte-americano é comparado com os demais destinos das exportações.

Entre janeiro e agosto, a indústria de transformação reduziu em 4,9% as vendas para os Estados Unidos, enquanto os embarques para outros mercados cresceram 6,6%. Na indústria extrativa, o recuo para o mercado norte-americano chegou a 28,9%, enquanto as vendas aos demais destinos avançaram 19,6%.

Na agropecuária, a diferença foi ainda maior. As exportações para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto aquelas destinadas ao restante do mundo cresceram 9,5%.

Esse contraste mostra que a retração não ocorreu de maneira uniforme entre os mercados. Para os exportadores brasileiros, portanto, o desempenho dos Estados Unidos ficou abaixo do registrado nos demais destinos no mesmo período.

Sobretaxas concentram perdas em produtos específicos

Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas aos Estados Unidos no acumulado do ano.

As maiores retrações ocorreram nas exportações de madeira de coníferas, com queda de 55,3%, fumo não manufaturado, de 39,9%, sebo bovino, de 39,4%, e granitos trabalhados, de 37,4%.

Considerando todos os produtos sujeitos às sobretaxas, as vendas brasileiras recuaram 11,4% entre janeiro e agosto. Já os produtos sem sobretaxa registraram queda de 8,3%.

Comércio bilateral também recua

As importações brasileiras de produtos norte-americanos somaram US$ 27,3 bilhões nos primeiros oito meses do ano, queda de 8,6% na comparação anual.

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Com isso, o Brasil acumulou déficit de US$ 3,2 bilhões no comércio com os Estados Unidos no período. Brasil e Estados Unidos movimentaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no comércio bilateral durante os oito primeiros meses de 2026.

Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que o comércio entre os dois países segue em retração em 2026.

“O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O levantamento considera a estrutura tarifária aplicada ao comércio entre Brasil e Estados Unidos no período analisado, incluindo as sobretaxas incidentes sobre determinados produtos. A análise diferencia os bens submetidos às alíquotas de 25% a 37,5% dos demais produtos.

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