Espécies como amburana, jequitibá, cabreúva e grápia são usadas por produtores que buscam novos perfis sensoriais e valorizam a matéria-prima nacional
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Foto: Alambique Bylaardt

A madeira utilizada na maturação pode interferir no aroma, no sabor e em outras características das bebidas. Por isso, espécies brasileiras passaram a aparecer em diferentes experiências com vinhos, uísques, cachaças, runs e cervejas.

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O carvalho continua entre as principais referências da tanoaria, mas não é a única opção. Entre as espécies brasileiras citadas em experiências estão amburana, ipê, jequitibá, cabreúva, grápia, pau-brasil, sassafrás, putumuju, angico e bálsamo.

Também aparecem pau-ferro, cajueiro, mandioqueira e timborana. A aplicação, porém, varia conforme a espécie e o objetivo. Algumas entram na fabricação de recipientes, enquanto outras aparecem em testes, preparações ou aplicações específicas.

Tanoaria utiliza espécies nacionais

Na Serra Gaúcha, a fabricação de recipientes para bebidas inclui espécies brasileiras. Em Monte Belo do Sul, a Tanoaria Mesacaza informa trabalhar com amburana, cabreúva, bálsamo e grápia.

O exemplo mostra a presença de matérias-primas nacionais na tanoaria. Ainda assim, não permite concluir que essas espécies substituam de forma ampla o carvalho ou apresentem o mesmo comportamento durante a maturação.

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A escolha da madeira é apenas uma das variáveis. Secagem, preparo das aduelas, tamanho do recipiente e tratamento térmico também podem interferir na interação entre madeira e bebida.

Por isso, uma espécie que apresenta determinado resultado em uma aplicação pode ter comportamento diferente em outra. A avaliação depende tanto das características da madeira quanto do produto e do processo empregado.

Pesquisas avaliam alternativas

O interesse pelas espécies brasileiras também aparece em estudos científicos. Pesquisadores avaliam características físicas e químicas das madeiras e sua interação com bebidas durante processos de envelhecimento.

Entre as espécies avaliadas em pesquisas estão jequitibá-rosa, ipê-amarelo, castanheira-do-Pará e amburana. Em estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), diferentes madeiras foram analisadas em processos relacionados ao envelhecimento de vinho.

Os resultados não são iguais para todas as espécies. Em uma dessas avaliações, por exemplo, o ipê-amarelo apresentou menor aceitação sensorial entre as madeiras analisadas.

Esse tipo de resultado mostra por que não é possível generalizar o desempenho das espécies brasileiras. A composição química, a estrutura da madeira e a interação com o líquido podem produzir respostas diferentes.

Experiências diversificam as matérias-primas

A presença de diferentes espécies também aparece em experiências de produtores e tanoeiros de várias regiões. Amburana, jequitibá, cabreúva e grápia estão entre as madeiras associadas a essas iniciativas, enquanto outras espécies aparecem em aplicações mais específicas.

O resultado pretendido pode variar de acordo com a matéria-prima e com o tempo de contato. Por isso, uma experiência individual não é suficiente para estabelecer que determinada madeira seja adequada para todos os tipos de bebida.

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A avaliação de guias especializados também deve ser tratada separadamente. Um produto pode receber uma pontuação elevada em uma publicação especializada, mas esse resultado representa a avaliação daquele guia, e não uma medida universal da qualidade da bebida.

Origem da madeira exige rastreabilidade

A utilização comercial de espécies nativas também coloca a origem da matéria-prima no centro da discussão. O Ibama informa que o Documento de Origem Florestal (DOF) é uma licença obrigatória para o transporte e o armazenamento de produtos florestais de origem nativa sujeitos a controle. O sistema reúne informações sobre a procedência desses produtos.

O órgão também mantém o DOF+ Rastreabilidade, que permite acompanhar a origem de produtos florestais madeireiros brutos e processados. As regras e os sistemas aplicáveis variam conforme a origem e a situação do produto.

Por isso, a utilização de uma espécie brasileira como matéria-prima não é, por si só, suficiente para caracterizar uma prática sustentável. A origem legal, a documentação e as condições de exploração precisam fazer parte da avaliação.

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Diversidade amplia as possibilidades

A variedade de espécies disponíveis no país cria possibilidades para a tanoaria e para pesquisas sobre novos perfis sensoriais. Ao mesmo tempo, cada madeira apresenta características próprias e exige avaliação específica.

Espécies como pau-brasil, sassafrás, putumuju, angico, pau-ferro, cajueiro, mandioqueira e timborana ampliam esse conjunto de possibilidades, mas sua presença em experiências não significa que tenham uso comercial amplo ou que sejam adequadas indistintamente para a fabricação de recipientes.

Nesse cenário, a consolidação de novas alternativas depende de pesquisa, testes técnicos e conhecimento sobre as características de cada madeira. A origem da matéria-prima também precisa ser comprovada quando houver exigência de controle ambiental.

A diversificação pode ampliar as opções da cadeia de bebidas, mas o avanço dessas aplicações depende da combinação entre conhecimento técnico, avaliação sensorial, rastreabilidade e respeito às regras de exploração dos recursos florestais.