Resumo da notícia
- Escola agrícola em São Mateus do Sul usa piscicultura para ensino prático, produzindo cerca de uma tonelada de tilápia em 2025 e gerando R$ 10 mil para manutenção das atividades.
- Alunos acompanham todas as fases da criação, aprendendo manejo, controle da qualidade da água e comercialização, com infraestrutura completa que suporta 2,7 milhões de litros de água.
- Projeto combina formação técnica e geração de recursos, com acompanhamento veterinário e experiência real que prepara estudantes para os desafios do agronegócio.
A produção de tilápia também pode transformar a rotina de uma escola pública. Em São Mateus do Sul, no sul do Paraná, um colégio agrícola utiliza a piscicultura como ferramenta de ensino e aproxima os estudantes das atividades práticas do agronegócio.
Em 2025, o Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola (Ceepa) São Mateus do Sul produziu aproximadamente uma tonelada de tilápia. Além disso, a venda do pescado à comunidade local gerou cerca de R$ 10 mil, destinados à manutenção das atividades produtivas da instituição.
Dessa maneira, o projeto combina formação técnica, experiência profissional e geração de recursos. Ao acompanhar as diferentes etapas da criação, os alunos aprendem como funciona a produção comercial de peixes e quais cuidados são necessários para conduzir a atividade.
Piscicultura fortalece o ensino técnico agrícola
Criado em 2024, o colégio foi o primeiro entre os 31 estabelecimentos agrícolas da rede estadual do Paraná a contar com uma estrutura própria completa para o ensino prático da criação de peixes.
A unidade atende 83 estudantes do curso técnico em Agropecuária e dispõe de quatro tanques de criação. Cada estrutura tem capacidade para 675 mil litros de água, totalizando aproximadamente 2,7 milhões de litros.
Com essa infraestrutura, os estudantes acompanham diferentes fases do ciclo produtivo, desde a chegada dos alevinos até o manejo, o processamento e a comercialização do pescado.
Além das aulas teóricas, a experiência permite que os alunos conheçam os desafios da piscicultura comercial. Afinal, o produtor precisa planejar a alimentação, monitorar o crescimento dos peixes e controlar as condições da água para manter o desenvolvimento adequado dos animais.
Manejo exige atenção à qualidade da água
Na criação de tilápia em cativeiro, o controle da qualidade da água é fundamental. Por isso, os estudantes participam do monitoramento de parâmetros como temperatura, pH, transparência e oxigênio dissolvido.
Os alunos também acompanham o fornecimento de ração e realizam a biometria dos peixes. Nesse procedimento, medem e pesam uma amostra dos animais para avaliar o crescimento e orientar o manejo.
O ciclo produtivo adotado pela escola dura aproximadamente um ano. Os alevinos chegam à unidade com cerca de dois centímetros de comprimento, e a instituição os adquire por meio de processo licitatório conduzido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar).
Ao longo desse período, o acompanhamento técnico ajuda a identificar as necessidades dos peixes e a ajustar os procedimentos de criação. Uma médica veterinária também acompanha a produção e o processamento do pescado.
Assim, os estudantes conhecem, na prática, os cuidados envolvidos na produção de tilápia, desde o desenvolvimento dos animais até as etapas que antecedem a comercialização.
Venda de pescado ajuda a custear as atividades
A comercialização representa outra etapa importante do projeto. Em 2025, a venda de aproximadamente uma tonelada de tilápia gerou cerca de R$ 10 mil para a instituição.
Os recursos retornam à escola por meio da cooperativa escolar e ajudam a custear insumos e materiais necessários à continuidade das atividades, como ração, implementos e equipamentos de proteção individual.
Além de acompanhar a produção, os estudantes podem compreender como a comercialização se relaciona com a organização financeira de uma atividade agropecuária.
Dessa forma, o projeto oferece uma visão mais ampla do setor. Afinal, a piscicultura envolve não apenas a criação dos peixes, mas também o planejamento dos custos, o controle da produção e a venda do produto.
Escola prevê ampliar a produção de tilápia
Para o próximo ciclo produtivo, a instituição prevê aumentar a produção em mais de 50%. A expectativa considera condições climáticas mais favoráveis, mudanças na alimentação dos peixes e aperfeiçoamentos nas técnicas de manejo.
Entretanto, a ampliação ainda representa uma projeção, e não um resultado confirmado. O desempenho dependerá das condições de criação e da aplicação das medidas planejadas.
Caso alcance a meta, a escola poderá ampliar a experiência prática dos estudantes e aumentar o volume de pescado disponível para comercialização.
Projeto aproxima estudantes das oportunidades da aquicultura
A estrutura de piscicultura escolar contribui para preparar os estudantes para diferentes áreas do agronegócio. Ao participar das atividades, eles entram em contato com procedimentos técnicos que poderão aplicar futuramente em propriedades rurais e empreendimentos aquícolas.
Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a iniciativa aproxima o ensino das oportunidades econômicas de cada região.
“A educação profissional precisa acompanhar as vocações e as oportunidades de cada região. A piscicultura é uma atividade em expansão no Paraná, e trazer essa prática para dentro da escola fortalece a formação técnica e amplia as perspectivas dos nossos estudantes”, afirma.
A instituição também apresenta um perfil diversificado: cerca de metade dos alunos vive em regime de internato, enquanto as mulheres representam 60% do total de estudantes. A escola prevê formar sua primeira turma no fim de 2026.
Com a criação de peixes, as atividades práticas e a comercialização do pescado, o colégio transforma a piscicultura em uma experiência de aprendizagem ligada à realidade do campo. Ao mesmo tempo, demonstra como a educação profissional pode aproximar os jovens das oportunidades da aquicultura e da produção agropecuária.