Delegação reúne grandes exportadoras e cooperativas da agricultura familiar na SIAL Paris 2026, que segue até quarta-feira (21); ApexBrasil projeta US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e contratos futuros
Empresas brasileiras apresentam produtos no Pavilhão Brasil durante a SIAL Paris 2026, na França
Foto: ApexBrasil

O Brasil procura ampliar a presença de seus alimentos no comércio internacional durante a SIAL Paris 2026, uma das principais feiras do setor agroalimentar. A delegação nacional reúne 156 empresas e segue em Paris até quarta-feira (21), com a ApexBrasil projetando US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e contratos futuros.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A participação ocorre em um momento de pressão comercial para parte do setor. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, 74 das empresas presentes foram afetadas, de alguma forma, pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.

“Do total das empresas que estão aqui, 74 foram afetadas, de alguma forma, pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos (EUA). A ApexBrasil tem ajudado estes empreendedores na busca de outros mercados, com condições diferenciadas de apoio”, afirmou Müller durante a inauguração do Pavilhão Brasil, neste sábado (17).

Exportações e novos destinos

O agronegócio segue como principal força das vendas externas brasileiras. Em 2025, as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, alta de 3% em relação a 2024 e equivalentes a 48,5% das vendas externas do país, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Müller relacionou o desempenho exportador à posição do Brasil na economia global. “Apesar desse contexto de grandes desafios globais, o Brasil tem resultados muito positivos nas exportações. E deve se tornar a oitava maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além de avançar para se consolidar como o maior exportador de alimentos do mundo”, disse.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Foto: ApexBrasil

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Augusto Billi, a feira acontece quando o país alcançou a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários, distribuídos por 99 destinos. Ele atribuiu o avanço à articulação entre governo e iniciativa privada.

“Temos conseguido alcançar cada vez mais aumento das exportações com base nesse trabalho conjunto entre ApexBrasil, Ministério da Agricultura, Ministério das Relações Exteriores e iniciativa privada”, afirmou.

Primeira feira após acordo Mercosul-UE

Esta é a primeira edição da SIAL após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. A medida abre um novo cenário de negociação para empresas brasileiras que buscam ampliar vendas ao bloco europeu.

A delegação brasileira reúne grandes cadeias exportadoras, pequenas e médias empresas e cooperativas da agricultura familiar. Os produtos vão de proteínas animais a itens ligados à sociobiodiversidade, como castanhas, mel e derivados do Cerrado.

O Brasil ocupa mais de 2 mil metros quadrados em quatro pavilhões. E está nos halls 4, 5, 6 e 8 do centro de exposições Paris Nord Villepinte. A organização da feira estima cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups, mais de 400 mil produtos e 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países.

Cooperativas buscam compradores

A estreia de 14 cooperativas da agricultura familiar com estandes próprios é um dos destaques da participação brasileira. A iniciativa integra o programa Cooperar para Exportar, da ApexBrasil. E leva à feira produtos de diferentes biomas, como castanha-do-Brasil, castanha de caju, baru, derivados do Cerrado e mel.

A presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres, avaliou que a presença na Europa pode gerar renda para pequenos produtores.

“O mundo quer consumir os produtos da sociobiodiversidade. Cada contrato que nossas cooperativas firmam com um país da União Europeia significa mais renda e mais segurança alimentar no campo brasileiro”, afirmou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Carnes e proteínas em negociação

O setor de carnes também busca alternativas diante das restrições comerciais impostas à proteína animal brasileira na Europa. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, disse que as conversas durante a feira podem gerar negócios além do evento.

“A carne bovina brasileira tem uma presença muito importante no mercado internacional. A parceria entre a ABIEC e a ApexBrasil, com mais de 20 anos, tem contribuído para a promoção da carne bovina brasileira em diferentes países”, destacou.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin (gravata vermelha). Foto: ApexBrasil

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, avaliou que a atuação conjunta com a ApexBrasil ajuda a divulgar a qualidade sanitária e a capacidade produtiva do setor. Além de apoiar a retomada de fluxos comerciais afetados por barreiras sanitárias.

“Esta parceria de anos tem sido fundamental para levar os produtos brasileiros a mercados internacionais. Esse trabalho fortaleceu a promoção de marcas como Brazilian Chicken, Brazilian Egg e Brazilian Breeds, projetos setoriais em conjunto com a ApexBrasl. E contribuiu para divulgar a qualidade sanitária e a capacidade produtiva do setor. Além de apoiar a busca por soluções para a retomada de fluxos comerciais afetados por restrições sanitárias”, ressaltou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Prêmio para bebida amazônica

A inovação brasileira também recebeu reconhecimento na feira. A AMZ Tropical, fundada na Amazônia, conquistou o Beverages Award, na categoria Bebidas, do SIAL Innovation Awards. A empresa foi a única brasileira entre as 28 vencedoras, em uma disputa que avaliou mais de 2,7 mil produtos.

Foto: ApexBrasil

O CEO da companhia, Leandro Daher, recebeu o prêmio por quatro bebidas prontas inspiradas na biodiversidade amazônica: Amazônico Negroni, Limoncello Amazônico, Fitzgerald Amazônico e gin de jambu em versão associada à COP30.

“Estamos muito orgulhosos de poder ganhar este prêmio com estas bebidas que representam muito a Amazônia e nossas raízes. Trazer este prêmio para o Brasil e para a Amazônia tem um sabor incrível. Obrigada à ApexBrasil por sempre apoiar a nossa empresa e nossos projetos”, agradeceu Daher.