Resumo da notícia
- A França solicitou à União Europeia o adiamento dos prazos do acordo comercial com o Mercosul, alegando que as condições políticas ainda não permitem uma votação segura entre os Estados-membros.
- O governo francês exige mais tempo para negociar proteções à agricultura europeia e defende cláusulas fortes de proteção e igualdade nas normas de produção entre UE e Mercosul.
- Enquanto isso, a Comissão Europeia planeja assinar o acordo na cúpula do Mercosul, mas aguarda a votação do Parlamento Europeu sobre medidas de salvaguarda para atender à pressão dos agricultores europeus, especialmente franceses.
A França pediu neste domingo que a União Europeia adie os prazos do acordo comercial com o Mercosul.
Segundo o governo francês, as condições políticas ainda não permitem uma votação segura entre os Estados-membros.
Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu mais tempo para negociar proteções à agricultura europeia. O Executivo francês solicitou o adiamento dos prazos de dezembro para aprofundar as discussões técnicas.
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Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende assinar o acordo no próximo sábado. A assinatura está prevista durante a cúpula do Mercosul, marcada para Foz do Iguaçu.
Segundo Von der Leyen, a Comissão busca o aval dos Estados-membros entre terça e sexta-feira.
Resistência francesa ao acordo
A França lidera o grupo de países europeus contrários ao tratado negociado há mais de 20 anos. Esses países alegam riscos econômicos e concorrência desleal no setor agrícola europeu.
Em setembro, a Comissão Europeia anunciou um sistema de monitoramento reforçado para produtos sensíveis.
O mecanismo inclui carnes bovina e de aves, além de arroz e etanol. A Comissão prevê intervenção no mercado caso ocorram desequilíbrios após a entrada do acordo.
Antes de decidir, países da União Europeia aguardam votação do Parlamento Europeu nesta terça-feira. O parlamento analisará medidas de salvaguarda para atender às demandas dos agricultores europeus. Agricultores franceses lideram a oposição ao tratado e pressionam o governo.
Antes do comunicado oficial, o ministro Roland Lescure criticou o formato atual do acordo. Em entrevista ao jornal Handelsblatt, Lescure afirmou que o tratado ainda não é aceitável. Segundo o ministro, a França exige uma cláusula de proteção forte e eficaz.
Além disso, Paris quer igualdade nas normas de produção entre União Europeia e países parceiros. O governo francês também defende controles rigorosos sobre produtos importados. O acordo prevê ampliar exportações europeias de automóveis, máquinas e vinhos ao Mercosul. Em contrapartida, facilita a entrada de carne, açúcar, soja e arroz sul-americanos.
Os produtores franceses temem aumento da concorrência com produtos mais competitivos do Mercosul.
Se aprovado, o acordo UE-Mercosul criará um mercado comum com 722 milhões de habitantes.