Frete aéreo responde por cerca de R$ 36 por quilo, enquanto testes avaliam o transporte marítimo, que pode reduzir esse custo em até 30%
bananas prata
Foto: Rodarte/Agro em Campo

Uma banana-prata produzida em Minas Gerais sai da lavoura por cerca de R$ 6 o quilo, mas chega ao consumidor nos Estados Unidos por aproximadamente R$ 90. O frete aéreo custa cerca de R$ 36 por quilo.

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Para reduzir esse custo, produtores testam o transporte marítimo. Atualmente, a fruta percorre cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até Guarulhos antes de seguir de avião para os Estados Unidos.

A alternativa pode reduzir o frete em até 30%. Porém, a banana precisa manter a qualidade durante uma viagem marítima de 25 a 30 dias.

O Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas, mas menos de 3% da produção nacional segue para o exterior, segundo a Abrafrutas. Ainda assim, entre janeiro e agosto deste ano, os embarques de frutas e nozes não oleaginosas somaram US$ 880,52 milhões, alta de 23,67% sobre o mesmo período de 2025, conforme levantamento do Comex do Brasil.

Na bananicultura, o país ocupa a quarta posição mundial, com 6,6 milhões de toneladas por ano, segundo a Embrapa Mandioca e Fruticultura. A agricultura familiar responde por metade da produção, enquanto o mercado interno absorve a maior parte da fruta.

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Banana-prata sai do Vale do Jequitinhonha

A produção parte de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e percorre cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Depois, a carga segue de avião para os Estados Unidos.

Elisa Barreto Leal, CEO da FBL Agricultura e Pecuária, empresa de Minas Gerais ligada à produção de banana, exporta a fruta para os Estados Unidos por via aérea há cerca de um ano e meio. Agora, ela busca viabilizar o transporte marítimo para reduzir o custo do frete.

Além disso, grandes exportadores brasileiros já utilizam navios para transportar a banana-nanica. Com apoio da Abanorte, Elisa aplica orientações de pesquisas realizadas pela entidade em parceria com a Unimontes.

Testes buscam conservar a fruta

Para prolongar a conservação da banana, os testes avaliam antifúngicos, um produto que inibe a ação do etileno, embalagens a vácuo e tecnologias de climatização. O etileno acelera o amadurecimento da fruta. Por isso, controlar sua ação pode ajudar a preservar a banana durante viagens mais longas.

Por enquanto, a equipe testa o acondicionamento em remessas aéreas. Assim, consegue medir por quanto tempo a fruta mantém a qualidade após chegar ao destino. A expectativa é concluir essa etapa entre 30 e 60 dias. Se os resultados forem positivos, a próxima etapa será o envio dos primeiros contêineres por navio. Nesse caso, a viagem deve durar entre 25 e 30 dias.

Para o pesquisador Fernando Haddad, da Embrapa em Cruz das Almas (BA), ampliar a presença de outras variedades de banana no mercado externo exige uma logística adequada.

“Não tem como a gente fazer dissociado. É um trabalho em conjunto”, afirma.