Resumo da notícia
- Banana-prata produzida em Minas Gerais custa R$ 6 o quilo na fazenda e chega a R$ 90 nos EUA, devido ao frete aéreo de R$ 36 por quilo, que produtores buscam reduzir com transporte marítimo.
- Testes com antifúngicos, embalagens a vácuo e controle de etileno buscam preservar a qualidade da banana durante a viagem marítima de 25 a 30 dias, visando viabilizar o transporte por navio.
- Brasil é quarto maior produtor mundial de banana, mas menos de 3% da produção é exportada; de janeiro a agosto, exportações de frutas cresceram 23,67%, totalizando US$ 880,52 milhões.
Uma banana-prata produzida em Minas Gerais sai da lavoura por cerca de R$ 6 o quilo, mas chega ao consumidor nos Estados Unidos por aproximadamente R$ 90. O frete aéreo custa cerca de R$ 36 por quilo.
Para reduzir esse custo, produtores testam o transporte marítimo. Atualmente, a fruta percorre cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até Guarulhos antes de seguir de avião para os Estados Unidos.
A alternativa pode reduzir o frete em até 30%. Porém, a banana precisa manter a qualidade durante uma viagem marítima de 25 a 30 dias.
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O Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas, mas menos de 3% da produção nacional segue para o exterior, segundo a Abrafrutas. Ainda assim, entre janeiro e agosto deste ano, os embarques de frutas e nozes não oleaginosas somaram US$ 880,52 milhões, alta de 23,67% sobre o mesmo período de 2025, conforme levantamento do Comex do Brasil.
Na bananicultura, o país ocupa a quarta posição mundial, com 6,6 milhões de toneladas por ano, segundo a Embrapa Mandioca e Fruticultura. A agricultura familiar responde por metade da produção, enquanto o mercado interno absorve a maior parte da fruta.
Banana-prata sai do Vale do Jequitinhonha
A produção parte de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e percorre cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Depois, a carga segue de avião para os Estados Unidos.
Elisa Barreto Leal, CEO da FBL Agricultura e Pecuária, empresa de Minas Gerais ligada à produção de banana, exporta a fruta para os Estados Unidos por via aérea há cerca de um ano e meio. Agora, ela busca viabilizar o transporte marítimo para reduzir o custo do frete.
Além disso, grandes exportadores brasileiros já utilizam navios para transportar a banana-nanica. Com apoio da Abanorte, Elisa aplica orientações de pesquisas realizadas pela entidade em parceria com a Unimontes.
Testes buscam conservar a fruta
Para prolongar a conservação da banana, os testes avaliam antifúngicos, um produto que inibe a ação do etileno, embalagens a vácuo e tecnologias de climatização. O etileno acelera o amadurecimento da fruta. Por isso, controlar sua ação pode ajudar a preservar a banana durante viagens mais longas.
Por enquanto, a equipe testa o acondicionamento em remessas aéreas. Assim, consegue medir por quanto tempo a fruta mantém a qualidade após chegar ao destino. A expectativa é concluir essa etapa entre 30 e 60 dias. Se os resultados forem positivos, a próxima etapa será o envio dos primeiros contêineres por navio. Nesse caso, a viagem deve durar entre 25 e 30 dias.
Para o pesquisador Fernando Haddad, da Embrapa em Cruz das Almas (BA), ampliar a presença de outras variedades de banana no mercado externo exige uma logística adequada.
“Não tem como a gente fazer dissociado. É um trabalho em conjunto”, afirma.