Menor área plantada e estoques baixos podem fazer o consumidor pagar mais pelo feijão a partir de fevereiro
Terceira safra derruba preço do feijão carioca no campo. Oferta avança, pressiona cotações do feijão carioca.
Foto: Divulgação - Embrapa / Sebastião Araújo.

O feijão-carioca pode custar R$ 12 o quilo no varejo em algumas regiões em fevereiro de 2027, segundo avaliação do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). O cenário combina estoques reduzidos e sinais de menor área na primeira safra 2026/27.

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No campo, já há negócios acima de R$ 310 por saca, segundo Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe. As cotações avançaram R$ 10 a R$ 15 em intervalos de três ou quatro dias. Para Lüders, o mercado ainda não encontrou um teto claro.

Estoques reduzem a margem de segurança

A terceira safra normalmente reforça a oferta entre junho e agosto. Neste ano, porém, o mercado chegou a setembro com pouco produto disponível para formar estoques.

Além disso, a remuneração atual reduz o incentivo para armazenar. Com isso, qualquer atraso no plantio, queda de produtividade ou problema climático pode apertar ainda mais o abastecimento.

O estoque de passagem funciona como uma reserva entre uma safra e outra. Quando essa disponibilidade diminui, o mercado fica mais exposto a oscilações na produção.

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Retorno não amplia a área

Mesmo com os valores atuais, o Ibrafe não identifica aumento da área plantada na safra 2026/27.

No Paraná, a estimativa aponta 90 mil hectares para a primeira safra, contra 104 mil no ciclo anterior. Se confirmada, será a menor área desde 2015/16.

O dado ainda não representa uma projeção nacional. No entanto, indica que o retorno da cultura não está estimulando uma expansão proporcional do plantio.

A soja ajuda a explicar essa decisão. Na relação usada pelo Ibrafe, duas sacas de soja equivalem aproximadamente a uma de feijão. Com a soja a R$ 152 por saca, a conta chega a cerca de R$ 304 por saca de feijão.

O produtor também considera risco e facilidade de comercialização. Para Lüders, a soja oferece maior liquidez, demanda externa e previsibilidade de venda, além de maior resistência às chuvas.

Clima pode limitar a oferta

As projeções para a primavera e o verão de 2026/27 apontam para um El Niño forte. No Sul, o excesso de chuva pode atrasar o plantio e dificultar as operações. Em outras regiões, calor e irregularidade das precipitações podem afetar lavouras de sequeiro.

“O acesso ao seguro agrícola está restrito, o risco fica todo para o produtor.”

Por isso, área plantada, produtividade e condições climáticas serão decisivas para definir o abastecimento no início de 2027.

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Consumidor pode pagar mais

Se a primeira safra não recompuser a oferta e os estoques permanecerem baixos, a pressão pode chegar diretamente às prateleiras.

O Ibrafe estima que o produto possa alcançar R$ 12 o quilo em algumas regiões em fevereiro. O valor não representa uma previsão nacional e dependerá da área cultivada, produtividade, clima, ritmo das vendas e estoques.

Segundo Lüders, o consumo não caiu o suficiente quando o feijão chegou às faixas de R$ 5 a R$ 6 e de R$ 7 a R$ 10 por quilo. Na avaliação dele, uma reação mais forte poderia ocorrer entre R$ 12 e R$ 15.

Caso esse patamar seja atingido, a pressão poderia durar poucos meses, entre fevereiro e maio, até a chegada da segunda safra.

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A substituição por outras variedades também tem limites. O caupi não apresenta oferta folgada, enquanto o Brasil já recorre a importações de feijão-preto da Argentina.

Assim, uma oferta menor no início de 2027 pode deixar o consumidor com menos alternativas.