Resumo da notícia
- A soja ultrapassa US$ 13 por bushel com apoio da demanda e avanço da colheita nos EUA, que já atingiu 6% da área, acima da média para setembro, equilibrando oferta e demanda.
- O milho valoriza quase 15% em 30 dias devido à redução da produtividade estimada pelo USDA e início da colheita, mantendo preços firmes apesar da maior oferta.
- O trigo sobe para cerca de US$ 7,28, mas enfrenta influência de fatores externos como petróleo, dólar e custos logísticos, impactando seu movimento no mercado.
A Bolsa de Chicago entrou na segunda metade de setembro com uma mensagem importante para o produtor. Os grãos ganharam força justamente quando as colheitadeiras começam a avançar pelos Estados Unidos.
Nesta terça-feira (15), a soja trabalhava ao redor de US$ 13,19 por bushel, com valorização superior a 1%. O milho rondava US$ 5,33, enquanto o trigo se aproximava de US$ 7,28 por bushel.
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Mais importante do que olhar apenas para a cotação do dia, porém, é entender o que está por trás desse movimento.
O Agro em Campo analisou dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o comportamento recente dos contratos negociados em Chicago. O cenário mostra que oferta, demanda externa e avanço da colheita passaram a exercer forças diferentes sobre os preços.
Soja volta aos US$ 13
A soja apresenta um dos movimentos mais importantes do mercado.
Depois da reação provocada pelo relatório de setembro do USDA, os contratos voltaram a superar a região de US$ 13 por bushel.
Por um lado, o mercado encontrou apoio na demanda. Além disso, as expectativas envolvendo as relações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram a influenciar as negociações.
Por outro, a nova safra americana começa a chegar fisicamente ao mercado.
Segundo o USDA, 6% da soja dos Estados Unidos já havia sido colhida até 13 de setembro, acima do ritmo médio para esta época. Ao mesmo tempo, 58% das lavouras receberam classificação boa ou excelente.
Chicago vive, portanto, uma disputa clara. Enquanto a entrada da safra aumenta a oferta, a demanda ajuda a sustentar as cotações.
Milho sobe quase 15% em um mês
No milho, outro número chama atenção.
A commodity acumulava valorização próxima de 14,6% em 30 dias, mesmo com o início da colheita americana.
O relatório de setembro do USDA trouxe uma informação importante para explicar parte desse comportamento. O órgão reduziu a projeção de produtividade do milho americano para 178,5 bushels por acre, queda de 2,2 bushels em relação à estimativa anterior.
Enquanto isso, a colheita chegou a 8% da área. Entre as lavouras ainda no campo, 57% estavam classificadas como boas ou excelentes.
Assim, o mercado começou a receber milho novo, mas passou a trabalhar com uma produtividade menor do que esperava anteriormente.
Essa combinação ajuda a explicar por que a pressão típica da colheita não foi suficiente, até agora, para impedir a valorização.
Trigo tenta acompanhar a reação
O trigo também avançava nesta terça-feira e rondava US$ 7,28 por bushel. Entretanto, sua dinâmica permanece diferente daquela observada na soja e no milho.
Além dos fundamentos próprios do cereal, petróleo, dólar e cenário geopolítico podem interferir no comportamento das commodities agrícolas.
O custo logístico também merece atenção.
Dados acompanhados pelo USDA mostram uma forte elevação das sobretaxas de combustível cobradas no transporte ferroviário americano de grãos. Dessa forma, mesmo uma grande produção não significa necessariamente custos menores para levar os produtos até seus destinos.
O que Chicago diz ao produtor brasileiro?
Para o Brasil, a leitura exige cautela.
Uma alta em Chicago não chega integralmente ao bolso do produtor. Isso acontece porque o preço doméstico da soja e do milho também depende do dólar, prêmio de exportação, frete, oferta brasileira e demanda nos portos.
Ainda assim, a Bolsa de Chicago permanece como uma das principais referências internacionais para a formação dos preços agrícolas.
No caso da soja, existe ainda outro fator decisivo: Brasil e Estados Unidos disputam a demanda chinesa em diferentes momentos do ano.
Por isso, uma aceleração das compras chinesas de soja americana pode sustentar Chicago e, ao mesmo tempo, alterar os prêmios pagos pela soja brasileira.
Para o produtor, portanto, olhar apenas para a cotação internacional conta somente parte da história.
Próximas semanas serão decisivas
Agora, o mercado entra em uma fase especialmente sensível.
A colheita americana tende a avançar rapidamente nas próximas semanas. Normalmente, esse movimento aumenta a disponibilidade de grãos e pressiona as cotações.
Entretanto, o relatório de setembro do USDA mostrou que o tamanho e a produtividade das safras continuam sujeitos a ajustes.
Além disso, exportações, demanda chinesa, petróleo e câmbio podem mudar rapidamente o cenário.
O levantamento do Agro em Campo identifica, portanto, uma situação diferente daquela que uma grande colheita normalmente sugere. Mesmo com a entrada da safra americana, soja e milho encontraram fatores capazes de sustentar os preços.
Para o produtor brasileiro, o sinal não é simplesmente de alta ou de baixa. É, sobretudo, de volatilidade.
Nesse cenário, acompanhar Chicago junto com dólar, prêmio de exportação e preços domésticos ganha ainda mais importância na hora de decidir quando comercializar a produção.