Corte na produção dos EUA pode dar suporte ao milho, mas oferta argentina e demanda chinesa limitam os efeitos sobre os preços
Foto: Mairinco de Pauda/Semadesc

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu novamente a estimativa de produtividade e produção de milho nos Estados Unidos. A revisão também diminuiu os estoques finais e aumentou a atenção sobre a colheita americana.

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A produtividade caiu de 189 para 186,4 sacas por hectare, enquanto a produção recuou de 406,8 milhões para 401,3 milhões de toneladas. Os estoques finais passaram de 42 milhões para 39,8 milhões de toneladas.

A projeção ainda está acima da estimativa do Pro Farmer, que apontou 181,2 sacas por hectare e 389,5 milhões de toneladas em agosto. A diferença entre os cenários chega a aproximadamente 11,8 milhões de toneladas.

Segundo Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o USDA começou a incorporar parte do cenário indicado pelo Pro Farmer. Para ela, a colheita será decisiva para confirmar qual estimativa está mais próxima da realidade.

Milho americano perde produção e estoques

A revisão do USDA também reduziu os estoques mundiais de milho da safra 2026/27, de 274,7 milhões para 272,1 milhões de toneladas. O corte pode dar algum suporte ao mercado internacional, mas outros grandes fornecedores devem limitar esse efeito.

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A Argentina, por exemplo, mantém expectativa de safra recorde e forte disponibilidade para exportação. Com isso, o produto argentino aumenta a concorrência com o milho brasileiro.

Soja tem produção maior, mas exportações avançam

Na soja, a produção americana subiu para 123,4 milhões de toneladas, alta de 0,3%. Mesmo assim, os estoques finais caíram de 8,7 milhões para 8,4 milhões de toneladas.

O principal motivo está nas exportações, cuja previsão aumentou de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas. Na China, maior comprador mundial, as importações estão projetadas em 115 milhões de toneladas, enquanto os estoques nos portos aumentaram.

Esse cenário pode reduzir o ritmo das compras chinesas no curto prazo e influenciar a formação dos preços e dos prêmios da soja brasileira.

China e Argentina definem pressão sobre os preços

O mercado de grãos passa a acompanhar três fatores principais: a produtividade efetiva da colheita americana, o ritmo das compras chinesas e a oferta sul-americana.

Para Yedda Monteiro, o corte na produção dos Estados Unidos dá suporte ao milho internacional, mas não garante uma reação semelhante no Brasil. A oferta argentina continua forte e aumenta a pressão competitiva sobre o produto brasileiro.