Com dívida de R$ 138 milhões, Sagra Insumos acumulou três anos de prejuízos e fechou 2025 com patrimônio líquido negativo de R$ 55,1 milhões
Sagra Insumos entra em recuperação judicial com dívida milionária
Imagem: Agro em Campo

A Justiça de Minas Gerais autorizou o processamento da recuperação judicial da Sagra Insumos Agropecuários, empresa de Patos de Minas (MG) que atua na distribuição de defensivos agrícolas, fertilizantes e sementes.

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Sagra Insumos entra em recuperação judicial com dívida milionária
Imagem: Divulgação

A relação de credores apresentada no processo aponta R$ 138,3 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial. Além disso, a companhia registra cerca de R$ 256 mil em créditos extraconcursais.

A 1ª Vara Cível da Comarca de Patos de Minas tomou a decisão em 27 de julho de 2026. O processo tramita sob o número 1010293-82.2026.8.13.0480.

Os números financeiros ajudam a dimensionar a crise. A Sagra registrou prejuízo de R$ 11,6 milhões em 2023, R$ 17,5 milhões em 2024 e R$ 38,2 milhões em 2025.

Ao final do último exercício, o patrimônio líquido da empresa estava negativo em aproximadamente R$ 55,1 milhões.

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O que levou a Sagra Insumos à recuperação judicial

Na petição apresentada à Justiça, a Sagra atribui a crise a uma combinação de problemas que atingiram sua operação e o mercado de insumos agrícolas.

Entre os fatores apontados estão a queda dos preços das commodities, a redução da rentabilidade dos produtores, o crédito mais caro, o aumento da concorrência e a elevação dos custos logísticos.

A empresa afirma que a queda das commodities, especialmente da soja, atingiu diretamente sua operação de sementes.

Segundo os documentos do processo, a margem bruta dessa atividade caiu de uma faixa entre R$ 93,50 e R$ 119 por saca para valores entre R$ 60,50 e R$ 77 por saca.

A Sagra também afirma que a perda de rentabilidade no campo descapitalizou parte dos produtores atendidos pela empresa. Com menos recursos disponíveis, clientes passaram a buscar insumos mais baratos.

Ao mesmo tempo, novos distribuidores, tradings e indústrias ampliaram a venda direta de produtos, aumentando a concorrência no mercado.

Crédito caro aumentou a pressão sobre o caixa

Outro fator apontado pela Sagra envolve o custo do dinheiro.

Segundo a empresa, a elevação da taxa Selic encareceu o capital de giro e dificultou o acesso ao crédito bancário.

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Esse cenário ganhou peso porque a distribuição de insumos exige capital para financiar estoques e sustentar as operações até o recebimento das vendas.

A companhia também aponta o aumento dos custos logísticos, principalmente no transporte rodoviário, como outro componente da crise.

Contrato de sementes também afetou as contas

A Sagra relata ainda um problema envolvendo sua operação de sementes.

Em 2022, a empresa firmou contrato de produção com uma companhia do setor e realizou investimentos para ampliar sua Unidade de Beneficiamento de Sementes.

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No ano seguinte, segundo a petição, a contratante encerrou o acordo.

A Sagra afirma que ficou com os custos dos investimentos e precisou reformular sua estratégia comercial.

A empresa passou então a trabalhar com a modalidade conhecida como “saco acabado”, modelo que demanda mais capital durante diferentes etapas da cadeia produtiva.

A combinação desses fatores coincidiu com uma forte deterioração dos resultados financeiros.

A companhia registrou prejuízos de:

  • 2023: R$ 11,6 milhões
  • 2024: R$ 17,5 milhões
  • 2025: R$ 38,2 milhões

Somadas, as perdas dos três exercícios chegam a aproximadamente R$ 67,3 milhões.

Dívida sujeita à recuperação chega a R$ 138,3 milhões

A relação apresentada no processo aponta R$ 138.296.312,18 em créditos sujeitos à recuperação judicial.

A maior parte está concentrada entre credores quirografários. Também existem créditos pertencentes a microempresas e empresas de pequeno porte.

Entre os credores relacionados nos documentos apresentados pela empresa aparecem grandes fabricantes de defensivos e instituições financeiras.

A lista apresentada no processo inclui créditos atribuídos a empresas como BASF, Sumitomo Chemical Brasil, Rainbow Defensivos Agrícolas e Ouro Fino Química, além de Banco Bradesco, Itaú Unibanco e B.OND Insumos Agro Fundo de Investimento.

A concentração de parte relevante do passivo em fornecedores torna a negociação especialmente importante para a continuidade da operação.

Isso ocorre porque essas empresas também participam diretamente do abastecimento dos produtos que sustentam a atividade comercial da distribuidora.

Sagra atua há 30 anos no agronegócio mineiro

A Sagra iniciou suas atividades em 1996, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

A empresa começou com serviços e assistência técnica aos produtores e, posteriormente, ampliou as operações para defensivos agrícolas, fertilizantes e sementes.

A expansão levou a companhia para importantes regiões produtoras de Minas Gerais.

Além da matriz em Patos de Minas, a empresa mantém unidades em municípios como Araxá, Bambuí, Ibiá, Patrocínio, Piumhi, Santa Juliana e São Gotardo.

Ao longo de sua trajetória, a Sagra também investiu na produção de sementes, fertirrigação para cafeicultura e comercialização de fertilizantes especiais.

O que acontece agora com a Sagra

O deferimento do processamento da recuperação judicial não significa que a Justiça tenha perdoado as dívidas ou aprovado definitivamente a recuperação da empresa.

A decisão permite que a Sagra avance no procedimento previsto pela Lei de Recuperação Judicial e Falências.

A Justiça determinou a suspensão das ações e execuções contra a empresa pelo prazo de 180 dias e estabeleceu prazo de 60 dias, contado da publicação da decisão, para a apresentação do plano de recuperação.

O documento deverá detalhar como a companhia pretende reorganizar suas finanças e negociar as obrigações com os credores.

A Justiça nomeou Daniel Thiago da Silva como administrador judicial.

Caso expõe pressão sobre o mercado de insumos

A recuperação da Sagra ocorre em um cenário de maior pressão financeira sobre empresas ligadas à distribuição de insumos agrícolas.

No caso da companhia mineira, a própria empresa aponta nos autos uma combinação de margens menores, produtores descapitalizados, crédito mais caro, aumento da concorrência e custos logísticos elevados.

Agora, um dos principais desafios será reorganizar uma dívida fortemente ligada a fornecedores essenciais para a própria atividade da empresa.

A continuidade da operação dependerá, entre outros fatores, das condições previstas no plano de recuperação, das negociações com os credores e da capacidade da Sagra de recuperar geração de caixa e rentabilidade.

O processo tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Patos de Minas (MG).

Com informações do site Empresas em Crise.com