Problemas climáticos na Índia, Europa e Brasil pressionam a produção e ajudam a sustentar a alta das cotações

Os preços futuros do açúcar avançam desde meados de agosto e ganharam força nos últimos dias. Na quinta-feira (10), os contratos para outubro de 2026 chegaram a 18,76 centavos de dólar por libra-peso, próximos da máxima em 16 meses.

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A alta combina a preocupação com a oferta e a mudança na posição dos fundos na bolsa de Nova York. Após meses vendidos, os investidores passaram a ampliar as posições compradas. Dados do CFTC, referentes a 1º de setembro, mostram que os fundos adicionaram 28.500 lotes em uma semana e chegaram a mais de 132 mil lotes, equivalentes a 6,7 milhões de toneladas.

Índia preocupa o mercado

Além da movimentação dos fundos, o clima aumentou a preocupação com a oferta mundial. Na Índia, a produtividade abaixo do normal pressionou os preços em Maharashtra, um dos principais polos produtores. Até o fim de agosto, as cotações na região haviam subido mais de 60% em relação a julho.

O cenário preocupa porque a moagem começa em outubro e novembro, enquanto os estoques das safras 2024/25 e 2025/26 estão baixos. Por isso, a Índia autorizou a importação de açúcar bruto para reforçar a oferta interna.

“A Índia vai importar pelo menos 500 mil toneladas de açúcar nesta safra. Cerca de 250 mil devem vir das refinarias costeiras, o que não mudaria tanto o fluxo comercial, mas reforça o risco de estarmos indo para um cenário mais apertado”, afirma Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint.

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Europa registra perdas

Na União Europeia, por sua vez, o calor intenso e a falta de chuvas afetaram a produção de beterraba, principalmente na França, Alemanha e Reino Unido.

Na França, maior produtora do bloco, a produção deve ficar cerca de 20% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo Arnaldo Corrêa, sócio-diretor da Archer Consulting. Além disso, os preços mais baixos do açúcar já haviam levado produtores europeus a reduzir a área cultivada.

Na Alemanha, uma das principais organizações que representam a indústria local projetou queda de 23% na produção de açúcar em relação ao ano anterior, para 3,3 milhões de toneladas.

Brasil também enfrenta pressão

No Brasil, as chuvas aumentam as incertezas sobre a produção no Centro-Sul. Na primeira quinzena de agosto, as usinas produziram 3,31 milhões de toneladas de açúcar, queda de 7,9%, mesmo com aumento de 2% na moagem de cana.

Além disso, a chuva reduziu o ATR (açúcar total recuperável), indicador que mostra a quantidade de açúcar que pode ser extraída da cana. O índice ficou em 140 quilos por tonelada, abaixo da média de 150 quilos dos últimos cinco anos.

“As usinas estão com dificuldade de maximizar a produção de açúcar porque, com a chuva, o ATR está menor do que a média de cinco anos para essa quinzena. A média é de 150 [quilos por tonelada], estamos em 140”, afirma Lívea Coda.

As chuvas também atrasam a colheita. Segundo estimativas da StoneX, as usinas perderam de dois a três dias de atividade na primeira quinzena de setembro. Por isso, a consultoria reduziu em 700 mil toneladas a projeção para a moagem da safra 2026/27.

Com a revisão, a produção brasileira de açúcar pode chegar a 39,2 milhões de toneladas. Dessa forma, o avanço da colheita e a qualidade da cana serão decisivos para definir a oferta nas próximas semanas.

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Perspectiva para os preços

Diante desse cenário, o mercado acompanha principalmente a produção na Índia, na Europa e no Brasil, além da movimentação dos fundos na bolsa de Nova York.

Se os problemas climáticos reduzirem ainda mais a oferta dos grandes produtores, as cotações podem continuar pressionadas para cima. No Brasil, entretanto, o avanço da colheita e as condições da cana serão determinantes para o comportamento da produção.