Em Domingos Martins, altitude e tecnologia permitem retardar a colheita e ampliar a oferta da fruta durante o ano
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Foto: Arquivo.

A produção de tangerina poncan em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, ocorre em períodos diferentes conforme a altitude das propriedades. Enquanto alguns agricultores encerram o trabalho em julho, outros conseguem estender o ciclo e levar os frutos para meses de menor oferta.

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A estratégia ajuda a enfrentar a falta de mão de obra temporária e pode abrir espaço para melhores preços, embora a remuneração dependa das condições do mercado.

Domingos Martins é o principal polo produtor de tangerina do Espírito Santo. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seag), o município produziu quase 15 mil toneladas em 2025, cerca de metade da produção estadual.

Mecanização reduz tempo no campo

Além das condições naturais, os agricultores recorrem à mecanização para agilizar o trabalho nos pomares.

O produtor Sandro Salvador cultiva quatro hectares com aproximadamente 3 mil plantas. Nesta safra, ele estima produzir entre 3 mil e 4 mil caixas de tangerina.

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Para acelerar o manejo, Salvador trocou a pulverização foliar manual por um equipamento acoplado ao trator, conhecido na região como “jatão”.

“Coisa que a gente gastava três quatro dias, hoje estou gastando nem meio dia, eu consigo fazer. Antigamente, a gente tinha que carregar em cima do trator uma bombinha manual no caso e com a mangueira. Você fica arrastando aqui atrás dias e dias para lá e para cá”.

Com o equipamento, o agricultor reduz o tempo de uma operação que antes exigia trabalho manual. Além disso, em períodos chuvosos, a mecanização pode facilitar o manejo, já que o excesso de umidade dificulta a circulação de trabalhadores entre as plantas.

Altitude muda o calendário

A altitude também interfere no desenvolvimento da tangerina. Na região de Domingos Martins, as propriedades citadas ficam entre cerca de 700 e mais de 1.000 metros.

Nas áreas mais baixas, os frutos começam a ser retirados no fim de maio. Já nas propriedades acima de 1.000 metros, esse período pode começar apenas em agosto.

As temperaturas mais baixas reduzem o ritmo de desenvolvimento da planta. Assim, os frutos podem permanecer no pomar por mais tempo, desde que mantenham boas condições de qualidade.

O clima, porém, continua determinante. Períodos secos e quentes podem favorecer a permanência dos frutos nas árvores, enquanto chuvas aumentam o risco de perdas e podem antecipar a retirada da produção.

Monitoramento protege os frutos

Em uma propriedade localizada a mais de 1.000 metros de altitude, entre Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, o produtor José Rubens trabalha com variedades de maturação mais tardia.

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Para acompanhar a presença da mosca-das-frutas, ele utiliza armadilhas de feromônio. O monitoramento permite identificar a necessidade de medidas de controle no pomar.

“Esse monitoramento é muito importante para que você saiba o que está acontecendo dentro do seu pomar. Se tem uma quantidade de mosca da fruta que você vê que tem que fazer algum procedimento, aí você coloca ou um fungicida ou um inseticida de acordo com a necessidade”, explicou José Rubens.

Depois de retiradas das árvores, as frutas passam por classificação conforme tamanho e padrão para atender diferentes compradores.

O produtor também identificou árvores antigas com maturação mais tardia. Segundo ele, essas plantas conseguem manter os frutos em condições de comercialização até setembro, quando a oferta regional já diminuiu.

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“São variedades que conseguem chegar com a maturação a partir de setembro, quando a maioria dos produtores já não tem mais a poncan. E é um período em que ela pega um preço muito superior ao de hoje”, afirmou.

Combinando altitude, características das plantas e mecanização, os produtores ampliam a janela de oferta da tangerina poncan e conseguem distribuir melhor o trabalho no campo ao longo dos meses.