Resumo da notícia
- O governo federal vai destinar R$ 4 bilhões ao setor de fertilizantes, via BNDES, para financiar crédito e capital de giro, mitigando impactos do tarifaço dos EUA e crises geopolíticas.
- O presidente Lula deve sancionar em breve o Profert e o PLP 114/2026, que estimulam crédito fiscal para fertilizantes nacionais e permitem reduzir tributos federais sobre combustíveis.
- Apesar de importar quase 90% dos fertilizantes, o Brasil garantiu o abastecimento interno em meio a conflitos globais, preservando a força do agronegócio e a segurança alimentar do país.
O governo federal vai destinar R$ 4 bilhões ao setor de fertilizantes. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou o crédito nesta semana, na abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, em São Paulo.
Além disso, o valor faz parte do Plano Brasil Soberano 3, que prevê R$ 18,5 bilhões em financiamentos para setores estratégicos da economia. O Conselho Monetário Nacional (CMN) analisa a proposta nesta quarta-feira (26/08).
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Na prática, os recursos vão passar pelo BNDES e vão financiar crédito e capital de giro. Dessa forma, o pacote vai socorrer empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos efeitos de guerras e crises geopolíticas.
Profert e PLP 114 devem ser sancionados em breve
Alckmin revelou, ainda, que o presidente Lula deve sancionar em breve dois projetos já aprovados pelo Congresso: o Profert e o PLP 114/2026.
Por um lado, o Profert vai criar mecanismos de crédito fiscal para estimular a produção nacional de fertilizantes. Por outro, o PLP 114 vai permitir reduzir ou suspender tributos federais sobre combustíveis quando o preço do petróleo subir no mercado internacional.
Setor manteve abastecimento mesmo com dependência externa
O Brasil importa quase 90% dos fertilizantes que consome. Ainda assim, o setor conseguiu garantir o abastecimento do mercado interno mesmo em meio a guerras e dificuldades logísticas, segundo Elias Alves Lima, presidente do Conselho de Administração da ANDA.
“De janeiro a maio deste ano, foram entregues 15,46 milhões de toneladas, volume suficiente para atender às necessidades do período. Esse resultado ajudou a preservar aquilo que o Brasil tem de mais estratégico: a força do seu agronegócio, que continua alimentando nosso país e contribuindo decisivamente para a segurança alimentar mundial”, afirmou Lima.
Governo defende ampliar produção nacional de adubos
Para o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o Brasil já reúne condições para ampliar a produção de fertilizantes. No entanto, ele defende que o país transforme esse potencial em uma estratégia de Estado de longo prazo.
“Temos em São Paulo todos os elos da cadeia produtiva do agro. Nosso agro tem pessoas preparadas, tecnologia, pesquisa e extensão para produzir cada vez mais”, disse Melo Filho, que também cobrou o cumprimento do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF).
Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, ligou o aumento da produção agrícola à necessidade de mais adubo. “Na última safra, produzimos mais de 1,2 bilhão de toneladas de produtos agrícolas. Para isso, precisamos do adubo”, afirmou.
Além disso, Soares lembrou que o governo recupera hoje 1,5 milhão de hectares de terras degradadas por ano. Conforme esse ritmo avançar, a demanda por fertilizantes deve crescer na mesma proporção.
Brasil amplia produção de bioinsumos
Nos últimos quatro anos, o país lançou quase 1.300 novos bioinsumos, muitos deles à base de fertilizantes, segundo Cleber Soares. “O Brasil é protagonista nos três grandes desafios do mundo: segurança alimentar, segurança energética e segurança climática”, disse o secretário-executivo.
Especialista pede união entre produtores, bancos e governo
Da mesma forma, Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV e ex-ministro da Agricultura, defendeu uma estratégia integrada diante do cenário internacional turbulento.
“O mundo hoje é complicado, com crise geopolítica e guerras. Para vencer as dificuldades, precisamos de uma estratégia integrada dos produtores rurais, bancos e governo. Temos tudo para ser os produtores globais responsáveis pelo fim da fome no mundo e de liderar a transição para a energia renovável”, afirmou Rodrigues.
Ministério quer reduzir dependência de fertilizante importado
Por fim, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou os fertilizantes como insumo estratégico para o país. Em mensagem de vídeo, ele defendeu medidas para reduzir a dependência externa e citou a retomada de plantas industriais que estavam paradas.
Também por meio de pronunciamentos remotos, os deputados federais Arnaldo Jardim e Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, participaram do congresso.