Resumo da notícia
- Argentina deve exportar 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, aproveitando safra recorde de 71,7 milhões de toneladas e alta demanda por alternativas ao milho ucraniano.
- Exportações argentinas para o Norte da África cresceram 45% até julho de 2026, ampliando presença em mercado tradicionalmente abastecido por outros países, com preços competitivos e maior volume disponível.
- Brasil inicia setembro com exportações de milho 18,1% abaixo de 2025, pressionado pela concorrência da Argentina e maior demanda interna, especialmente da indústria de etanol, que reduz oferta para o mercado externo.
A Argentina deve exportar 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, segundo informações divulgadas pela Reuters. O avanço ocorre com uma safra 2025/26 estimada em 71,7 milhões de toneladas, volume recorde. Além disso, a maior oferta chega ao mercado em um momento de procura por alternativas ao milho ucraniano, afetado por dificuldades de exportação. Ao mesmo tempo, o calor prejudicou lavouras em partes da Europa.
Segundo Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, o milho argentino está competitivo em preço e disponibilidade. Por isso, o país amplia a disputa por compradores no mercado internacional.
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Argentina amplia presença nas exportações
Entre janeiro e julho de 2026, as exportações de milho da Argentina para o Norte da África cresceram 45%, para 6,5 milhões de toneladas, segundo dados do INDEC citados pela Reuters. Com isso, o país amplia sua presença em uma região que tradicionalmente compra milho de outras origens.
Além disso, a maior disponibilidade fortalece a posição argentina nas negociações internacionais. Dessa forma, os exportadores do país conseguem disputar compradores com maior volume disponível durante o segundo semestre.
Brasil começa setembro abaixo de 2025
No Brasil, a Anec estima 5,2 milhões de toneladas de milho exportadas em setembro, contra quase 7 milhões no mesmo mês de 2025. Nos quatro primeiros dias úteis, o país embarcou 1,13 milhão de toneladas, com média diária de 281,6 mil toneladas.
Assim, o ritmo ficou 18,1% abaixo do registrado em setembro de 2025. Apesar disso, os embarques avançaram em relação a agosto, quando a média diária ficou em 221,7 mil toneladas. Portanto, o início de setembro mostra recuperação, embora ainda esteja abaixo do ritmo do ano passado.
Além da concorrência externa, o Brasil enfrenta maior demanda interna, principalmente da indústria de etanol de milho. Esse consumo reduz parte do volume disponível para o mercado externo.
Argentina aumenta concorrência com o Brasil
Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, apontou ao Notícias Agrícolas a maior oferta e os preços competitivos da Argentina como fatores de pressão sobre os embarques brasileiros.
A Hedgepoint projeta 41 milhões de toneladas de exportações brasileiras de milho em 2026. No entanto, Gutierrez avalia que a estimativa pode ser revisada caso o ritmo dos embarques continue abaixo do esperado.
Estados Unidos também disputam compradores
Os Estados Unidos continuam entre os principais concorrentes do Brasil. Entretanto, o cenário de preços mudou nas últimas semanas e reduziu parte da vantagem que o milho norte-americano apresentava.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas em 9 de setembro, Eduardo Vanin, analista e estrategista sênior da Marex e da Agrinvest, afirmou:
“Do ponto de vista da competitividade do milho americano, foi embora. Não consegue mais ser competitivo como foi nos últimos dois anos”, afirmou.
Segundo Vanin, a valorização do milho em Chicago está relacionada, em parte, às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro. Assim, a competitividade entre as principais origens pode mudar conforme os preços e a oferta internacional evoluírem.
Próximas semanas serão decisivas
Os dados disponíveis não permitem afirmar que a Argentina esteja retirando diretamente mercados do Brasil. Ainda assim, o cenário mostra uma oferta argentina maior e competitiva enquanto os embarques brasileiros permanecem abaixo do ritmo de 2025.
Por isso, as próximas semanas serão importantes para verificar se a recuperação brasileira ganha força ou se a projeção de 5,2 milhões de toneladas em setembro será confirmada.