Proposta ainda precisa passar pelo Plenário da Câmara e pelo Senado; texto prevê acesso a crédito, assistência técnica e compras governamentais
Foto: Divulgação Agência Brasil - Embrapa Amapá / Emanuel Cavalcante

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reconhece povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais como agricultores familiares. A mudança poderá ampliar o acesso desses grupos a crédito rural, assistência técnica, políticas de comercialização e programas de compras governamentais.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A proposta, porém, ainda não tem força de lei. O texto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e precisará ser votado pelo Plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.

O colegiado aprovou um substitutivo da relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), ao Projeto de Lei 2845/25, apresentado pelo deputado Defensor Stélio Dener (União-RR). A versão aprovada ampliou o texto original, que tratava apenas do reconhecimento dos povos indígenas.

O projeto também estabelece que uma parcela mínima da renda da comunidade deverá vir da atividade desenvolvida pelo estabelecimento ou empreendimento. O percentual ainda será definido pelo governo federal.

O que pode mudar

A proposta altera a Lei da Agricultura Familiar para reconhecer expressamente esses grupos como beneficiários da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Na prática, o enquadramento poderá facilitar a participação em políticas públicas voltadas à agricultura familiar, como:

  • crédito rural;
  • assistência técnica e extensão rural;
  • políticas de comercialização;
  • programas de compras governamentais.

A aprovação na comissão não representa a liberação imediata desses benefícios. Para que a mudança produza efeitos, o projeto ainda precisa ser aprovado nas demais etapas do processo legislativo e sancionado.

Justificativa da relatora

Segundo o parecer, povos indígenas e comunidades tradicionais já desenvolvem sistemas produtivos que combinam agricultura, extrativismo, manejo florestal e conservação ambiental.

A relatora afirmou que alguns critérios atualmente dificultam o acesso dessas populações às políticas da agricultura familiar.

“A imposição de condicionantes termina por inviabilizar sua classificação como agricultores familiares para fins de políticas públicas”, observou a deputada.

Deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) fala em comissão da Câmara dos Deputados
Célia Xakriabá, relatora da proposta – Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Célia Xakriabá também citou o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar. De acordo com a deputada, o cadastro já permite identificar, por autodeclaração, o pertencimento a povos e comunidades tradicionais.

O parecer relaciona essas atividades à segurança alimentar das comunidades, à preservação da agrobiodiversidade e à manutenção de variedades tradicionais de sementes e cultivos. Essas são afirmações apresentadas no documento legislativo, e não uma avaliação independente produzida pela reportagem.

Próximas etapas

O projeto perdeu o caráter conclusivo depois de receber pareceres divergentes nas comissões que analisaram seu mérito. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou parecer pela rejeição da proposta em outubro de 2025, segundo a ficha de tramitação da Câmara.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Por isso, o texto terá de ser votado pelo Plenário da Câmara. Se for aprovado, seguirá para análise do Senado. Para virar lei, ainda precisará ser aprovado pelas duas Casas e sancionado pela Presidência da República.

Fonte: Agência Câmara de Notícias.