Resumo da notícia
- O governo federal e estadual de Queensland autorizou atiradores aéreos para controlar a população de javalis, que ameaça lavouras e rebanhos após enchentes causadas pelas monções.
- A operação conta com um investimento de US$ 11,32 milhões, incluindo subsídios para produtores e contratação de agentes de biossegurança para reforçar a vigilância contra espécies invasoras.
- Autoridades alertam que a janela para conter a praga é curta, pois a redução da água e a secagem do solo podem favorecer uma explosão populacional dos javalis, tornando o controle mais difícil.
Por entre rios ainda turvos e pastagens que mais parecem espelhos d’água, o noroeste de Queensland, na Austrália, virou, nas últimas semanas, um cenário improvável de guerra ambiental. No ar, helicópteros rasgam o céu. No solo, rebanhos tentam se recompor. E, no meio disso tudo, uma praga avança como um enxame: os javalis.
Diante do risco de uma explosão populacional, os governos federal, liderado por Anthony Albanese, e estadual, sob comando de David Crisafulli, autorizaram a contratação de atiradores aéreos especializados para reduzir os bandos que ficaram isolados nas margens dos rios após as enchentes provocadas pelas monções.
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Segundo a AgForce, principal entidade rural do estado, o momento é decisivo. “Os animais estão concentrados e vulneráveis. É agora ou nunca”, afirmou Ken Cunliffe, presidente do comitê de biossegurança da organização.
“Temos uma oportunidade real de reduzir o impacto se isso avançar em tempo hábil”, disse Cunliffe, ao cobrar mais agilidade no repasse de recursos.

Uma bomba-relógio sobre quatro patas
A cena lembra um prenúncio ruim. Ou seja, com cercas destruídas e áreas inteiras sem controle, os javalis podem se espalhar como fogo em capim seco, destruindo lavouras, contaminando água, atacando filhotes de gado e abrindo crateras no solo.
A ministra federal de Gestão de Emergências, Kristy McBain, reconheceu o risco. “Com tantas cercas danificadas, os javalis podem causar ainda mais prejuízos se não agirmos rápido”, afirmou.
O governo diz estar trabalhando lado a lado com autoridades locais e produtores para conter o problema antes que ele vire um pesadelo fora de controle.
Janela curta, decisão urgente
Para o ministro de Indústrias Primárias de Queensland, Tony Perrett, a estratégia tem prazo de validade.
“Quando a água baixar e o solo secar, as condições vão ficar perfeitas para uma explosão populacional”, alertou. “Agora, com os animais agrupados, é a melhor chance de reduzir drasticamente a densidade.”
Segundo ele, empreiteiros experientes estão sendo enviados às propriedades rurais para localizar e eliminar os focos mais críticos de javalis.
Milhões em jogo — e no campo
A operação integra, por sua vez, um pacote de US$ 11,32 milhões, o equivalente a cerca de R$ 56,6 milhões, dentro do DRFA, programa conjunto de recuperação de desastres entre o governo federal e os estados.
Nesse contexto, do total previsto, US$ 2,2 milhões (aproximadamente R$ 11 milhões) serão destinados a coordenadores regionais. Além disso, US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) irão financiar subsídios e planos de ação voltados diretamente aos produtores rurais.
Paralelamente, o governo Crisafulli também prometeu a contratação de 100 novos agentes de biossegurança ao longo do mandato, reforçando assim a vigilância contra espécies invasoras e ampliando a capacidade de resposta em campo.
Enquanto isso, o Serviço de Parques e Vida Selvagem de Queensland atua para alinhar a ofensiva também nas áreas protegidas — onde os javalis, sorrateiros, costumam se esconder como sombras na mata.
O que está em jogo
Se nada for feito, o estrago pode ser monumental. Ambientalistas e pecuaristas concordam, ainda que por motivos diferentes. Os javalis hoje figuram entre as maiores ameaças ao equilíbrio ecológico e à economia rural da região.
No fim das contas, a batalha não é só contra um animal invasor. Na prática, ela é contra o relógio, além disso, contra o clima e, sobretudo, contra o risco de que, mais uma vez, a natureza cobre uma conta alta demais.