Resumo da notícia
- A banana Ambrosia chega ao Espírito Santo com frutos mais doces, cachos de até 30 kg e plantas resistentes a seca, alagamento e doenças, reduzindo a necessidade de químicos.
- Desenvolvida pelo Incaper após 20 anos de estudos, a Ambrosia tem bananeiras robustas que diminuem o risco de tombamento e garantem alta produtividade para os produtores.
- Além da resistência e produtividade, a variedade permite menor uso de agrotóxicos e oferece maior sustentabilidade, importante diante das mudanças climáticas e instabilidade ambiental.
Enquanto muitos produtores ainda migram entre crises de preços e pragas, uma nova banana está chegando às lavouras do Espírito Santo com quase tudo o que o campo quer: frutos mais doces, cachos de até 30 kg e plantas que suportam seca, alagamento e doenças sem depender de muitos químicos.
A banana Ambrosia, do tipo nanica, surgiu na Jamaica e foi estudada por duas décadas no Brasil pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Agora, as primeiras milhares de mudas já estão em propriedades de todo o estado.
Plantas robustas, cachos pesados e sabor mais doce
Além da resistência, o que chama atenção na Ambrosia é o porte da planta e o peso dos cachos. Segundo o Incaper, a cultivar apresenta bananeiras mais robustas, com tronco mais grosso, o que reduz a necessidade de escoramento e diminui o risco de tombamento causado por vento forte ou pela própria broca.
Os cachos normalmente superam a média de 30 quilos, um salto em relação a muitas variedades tradicionais do subgrupo cavendish. Pesquisador José Aires Ventura explica que isso significa alta produtividade: “Uma das características importantes dessa banana são as plantas, mais robustas e com os cachos superiores a 30 kg, em média. Isso garante uma alta produtividade para o produtor”.
No lado do sabor, a banana Ambrosia vem com Brix superior a variedades como a Grande Naine, o que indica maior teor de açúcar e, na prática, um fruto mais doce, com boa aceitação tanto para consumo in natura quanto para uso industrial.
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Sem agrotóxico, com menos doença e mais sustentabilidade
Um dos grandes atrativos da Ambrosia é a possibilidade de reduzir o uso de agrotóxico na lavoura. As plantas se mostram mais resistentes a doenças e pragas típicas da bananicultura, o que permite ao produtor diminuir a aplicação de produtos químicos e cortar custos operacionais.
O agricultor Álvaro Gottardo, que já cultivou Ambrosia em Alfredo Chaves, resume bem a diferença: “Eu plantei, não pus nada, só fiz análise de solo. Depois, eu pus calcário e um adubo. Não queimou nada, nem uma folha, não tem nada queimado. E dá um produto bom, um cacho bem grande.”
Além disso, a maior tolerância a secas e alagamentos ajuda a reduzir o risco de perda em anos com clima instável. Em um cenário de mudança climática, essa característica aumenta a previsibilidade da renda do produtor e fortalece a sustentabilidade do sistema de produção.
A Ambrosia na bananicultura do ES
O Espírito Santo produz mais de 400 mil toneladas de banana por ano em 76 municípios, sendo a banana‑prata responsável por cerca de 75% da produção, seguida pela banana‑da‑terra e pela nanica em terceiro lugar. Alfredo Chaves e Itaguaçu brigam pela liderança estadual na produção, e justamente em Alfredo Chaves nasceu o Banco Ativo de Germoplasmas que incubou a Ambrosia.
A nova variedade chega como a primeira cultivar do tipo nanica recomendada pelo Incaper e já é entregue em lotes de 1.200 mudas para produtores de todo o estado, com acompanhamento técnico e apoio em laboratórios particulares.
A expectativa é que a Ambrosia amplie a produtividade por área, aumente a rentabilidade do pequeno produtor e abra portas para o processamento industrial, aproveitando frutos mais padronizados e com maior teor de sólidos solúveis.








