Primeira carga, de 25,8 toneladas, marca retomada do comércio entre os dois países e pode impulsionar o mercado de sorgo
sorgo
Foto: Sandra Brito/Embrapa

O Brasil voltou a exportar sorgo para a China, encerrando um hiato de 12 anos. A remessa, feita em janeiro, totalizou 25,83 toneladas, suficiente para encher apenas um contêiner, segundo dados do governo brasileiro.

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O embarque ocorreu logo após dez tradings receberem autorização, em novembro de 2025, para enviar o grão ao mercado chinês. Essa foi a primeira venda desde 2014, quando o país asiático importou 1.374 toneladas de sorgo brasileiro.

Expansão do mercado e nova oportunidade

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) acredita que novos embarques devem ocorrer nos próximos meses, com a China interessada em diversificar o fornecimento de grãos para ração animal. O país asiático busca reduzir a dependência de importações dos Estados Unidos, seu principal fornecedor tradicional.

Segundo o diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o avanço nas exportações aconteceu após a inspeção sanitária de técnicos chineses, que validaram as condições das lavouras brasileiras.

“Com as exigências fitossanitárias resolvidas, começamos a ver novos embarques de sorgo para a China”, explicou Silveira.

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Sustentação do consumo interno

Apesar do avanço comercial, o Brasil ainda não tem grandes volumes disponíveis para exportação, já que parte significativa da produção abastece o mercado interno. O setor de etanol de milho, em expansão, também consome sorgo como matéria-prima.

“Não temos excedente, porque o consumo interno está forte. O etanol de milho também puxa a demanda”, disse Silveira.

Uma fonte do setor, que preferiu não se identificar, afirmou que a carga enviada pode ter sido teste de qualidade ou uma venda pontual para um pequeno importador chinês.

Mesmo com exportações modestas, o sorgo ganha importância na pauta agrícola brasileira. A Conab prevê que a safra 2025/26 cresça quase 10%, chegando a 6,7 milhões de toneladas. O avanço reflete o aumento da área plantada e o uso do sorgo como alternativa em regiões mais secas, especialmente no Cerrado.