Resumo da notícia
- O Brasil retomou exportações de sorgo para a China após 12 anos, com uma remessa de 25,83 toneladas em janeiro, após autorização de tradings em novembro de 2025.
- A China busca diversificar fornecedores para ração animal, reduzindo dependência dos EUA, e novos embarques são previstos após inspeção sanitária aprovar lavouras brasileiras.
- Apesar da retomada, o consumo interno forte e o uso do sorgo na produção de etanol limitam excedentes para exportação, mas a safra 2025/26 deve crescer quase 10%, impulsionada por expansão no Cerrado.
O Brasil voltou a exportar sorgo para a China, encerrando um hiato de 12 anos. A remessa, feita em janeiro, totalizou 25,83 toneladas, suficiente para encher apenas um contêiner, segundo dados do governo brasileiro.
O embarque ocorreu logo após dez tradings receberem autorização, em novembro de 2025, para enviar o grão ao mercado chinês. Essa foi a primeira venda desde 2014, quando o país asiático importou 1.374 toneladas de sorgo brasileiro.
Expansão do mercado e nova oportunidade
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) acredita que novos embarques devem ocorrer nos próximos meses, com a China interessada em diversificar o fornecimento de grãos para ração animal. O país asiático busca reduzir a dependência de importações dos Estados Unidos, seu principal fornecedor tradicional.
Segundo o diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o avanço nas exportações aconteceu após a inspeção sanitária de técnicos chineses, que validaram as condições das lavouras brasileiras.
“Com as exigências fitossanitárias resolvidas, começamos a ver novos embarques de sorgo para a China”, explicou Silveira.
Sustentação do consumo interno
Apesar do avanço comercial, o Brasil ainda não tem grandes volumes disponíveis para exportação, já que parte significativa da produção abastece o mercado interno. O setor de etanol de milho, em expansão, também consome sorgo como matéria-prima.
“Não temos excedente, porque o consumo interno está forte. O etanol de milho também puxa a demanda”, disse Silveira.
Uma fonte do setor, que preferiu não se identificar, afirmou que a carga enviada pode ter sido teste de qualidade ou uma venda pontual para um pequeno importador chinês.
Mesmo com exportações modestas, o sorgo ganha importância na pauta agrícola brasileira. A Conab prevê que a safra 2025/26 cresça quase 10%, chegando a 6,7 milhões de toneladas. O avanço reflete o aumento da área plantada e o uso do sorgo como alternativa em regiões mais secas, especialmente no Cerrado.