Resumo da notícia
- Quase 96% da área plantada de cacau no Brasil cumpre os critérios de sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pela União Europeia, tornando o país apto a exportar para o bloco.
- O Regulamento Antidesmatamento europeu (EUDR) exige comprovação de origem sem desmatamento para importação, favorecendo o Brasil frente a concorrentes como a Costa do Marfim.
- As exportações brasileiras de cacau geraram quase US$ 805 milhões, com potencial de crescimento impulsionado pela demanda europeia por produtos sustentáveis e rastreáveis.
Quase toda a área de cacau do Brasil já está apta a exportar para a União Europeia. O dado é da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab). Segundo o presidente executivo da entidade, Jaime Recena, 96% da área plantada no país atende aos critérios de sustentabilidade e rastreabilidade cobrados pelo bloco europeu.
O número ganha peso porque a Europa endurece as regras para importar cacau. O Regulamento Antidesmatamento europeu, conhecido como EUDR, passa a valer integralmente para empresas de médio e grande porte a partir do fim deste ano. Depois disso, todo lote de cacau vendido ao bloco vai precisar comprovar que não veio de área desmatada.
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Nesse cenário, países concorrentes ainda enfrentam dificuldade para se adaptar. Levantamento da organização Trase mostrou que menos da metade do cacau exportado pela Costa do Marfim, maior produtor mundial, podia ser rastreado até a cooperativa de origem. Essa lacuna abre espaço para o Brasil ganhar terreno no mercado europeu.
Rastreabilidade como diferencial
Para Recena, o país reúne condições raras para atender às novas exigências. “O Brasil tem condições únicas de atender às exigências de sustentabilidade e rastreabilidade do mercado europeu”, afirmou o executivo, durante participação na ExpoCacau, na Bahia.
A fala fez parte de um debate sobre ciência, sustentabilidade e bioeconomia no campo, dentro da programação de um podcast promovido pela Nestlé no evento. O executivo defende que a rastreabilidade deixou de ser só uma exigência ambiental. Ela também virou um argumento comercial.
Área recuperada no Pará
Um dos exemplos citados é o estado do Pará. Ali, 80% da área plantada com cacau ocupa terreno que já estava desmatado antes de 1998. Essa característica ajuda a recuperar a paisagem local.
O cultivo nessas áreas também melhora a estrutura do solo. Aumenta a matéria orgânica e contribui para o sequestro de carbono, segundo a Abicab.
Exportações somam quase US$ 805 milhões
O Brasil vendeu 90,3 mil toneladas de produtos da cadeia do cacau ao exterior, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A receita gerada somou US$ 804,9 milhões.
Para a Abicab, o desempenho tende a crescer conforme mais compradores europeus passem a exigir prova de origem sustentável. A entidade avalia que o país está bem posicionado para converter essa exigência em vantagem de mercado.