Superávit global empurra preços para baixo
Café dispara em julho mesmo com avanço da colheita. Chuvas preocupam produtores e afetam o ritmo da colheita.
Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

O café arábica opera em queda nesta sexta-feira e consolida perdas próximas à mínima de 7 semanas. As cotações recuam após o Brasil registrar exportações recordes em agosto, enquanto projeções de superávit global pressionam o mercado.

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O contrato de arábica para dezembro (KCZ26) negocia em baixa de 1,05 centavo de dólar por libra, ou 0,36%. O robusta para novembro (RMX26) cai 8 dólares, equivalente a 0,23%.

Exportações brasileiras batem recorde histórico

O grupo de exportadores Cecafe informou que o Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de café em agosto, alta de 31% na comparação com o mesmo mês de 2025. O volume representa um recorde para o período.

As vendas externas de arábica subiram 26%, reaching 2,87 milhões de sacas. Já as exportações de robusta avançaram 54%, totalizando 953.592 sacas. O fluxo intenso de embarques ocorre no fim da safra brasileira.

Dados do Ministério do Comércio corroboram o cenário. As exportações brasileiras de café em agosto somaram 206.618 toneladas métricas, expansão de 44,6% ante agosto de 2025. O resultado marca o maior volume em 8 meses.

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ICO projeta superávit global pela primeira vez em 5 anos

A Organização Internacional do Café (ICO) divulgou projeções que indicam um mercado global em superávit na safra 2025/26. A produção mundial deve atingir 183,6 milhões de sacas, crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior.

O consumo, por outro lado, deve recuar 0,9%, fechando em 180,6 milhões de sacas. A diferença entre oferta e demanda gera um excedente de 3 milhões de sacas, o primeiro superávit registrado em cinco anos.

Chuvas acima da média em Minas Gerais beneficiam floração

Condições climáticas favoráveis no Brasil também exercem pressão sobre os preços. A Somar Meteorologia reportou que Minas Gerais, principal região produtora de arábica do país, recebeu 8,9 mm de chuva na semana encerrada em 30 de agosto.

O volume corresponde a 127% da média histórica para o período. As precipitações acima do normal favorecem a floração das lavouras e apontam para uma safra robusta em 2026/27, fator que pesa sobre as cotações.

Vietnã aumenta produção de robusta, mas chuvas preocupam

O café robusta encontra algum suporte nas preocupações com o Vietnã. Fortes chuvas nas Terras Altas Centrais, maior região cafeeira do país, podem alagar propriedades e prejudicar a safra.

Mesmo assim, os dados de produção e exportação do Vietnã seguem em alta. O Escritório Nacional de Estatísticas informou que as exportações de café entre janeiro e agosto de 2026 somaram 1,33 milhão de toneladas métricas, expansão de 13,7% na comparação anual.

Em 2025, as vendas externas vietnamitas saltaram 17,5%, reaching 1,58 milhão de toneladas. A produção na safra 2025/26 deve crescer 6%, atingindo 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), a maior em 4 anos.

Estoques de arábica caem para mínima de 27 anos

A queda nos estoques das bolsas representa um fator de alta para o arábica. Os estoques de café arábica na ICE recuaram para 218.467 sacas na quinta-feira, o menor nível em 27 anos.

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Por outro lado, os estoques de robusta avançam e exercem pressão contrária. Os depósitos de robusta na ICE subiram para 5.004 lotes na última quarta-feira, máxima de 9,25 meses.

El Niño pode atrasar chuvas e ameaçar safra 2026/27

Preocupações com o fenômeno El Niño sustentam parte do otimismo para os preços. A corretora Commercial alertou que o padrão climático pode atrasar as chuvas no Brasil em setembro e outubro, período crítico para a floração do cafeeiro.

O Centro de Previsão Climática dos EUA informou em 8 de julho que o El Niño que se formou no Pacífico equatorial deve ser um dos mais intensos em mais de 75 anos. O fenômeno pode provocar inundações, secas e oscilações de temperatura na Ásia e na América do Sul, com impactos negativos para a produção de café.

USDA prevê safra global recorde em 2026-27

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve projeção de baixa para os preços do café. Em relatório divulgado em 22 de julho, a agência estimou que a produção mundial na safra 2026-27 deve crescer 6%, atingindo 189,7 milhões de sacas.

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O aumento decorre principalmente da melhoria das condições de cultivo no Brasil. O USDA projeta alta de 12% na produção global de arábica, enquanto a produção de robusta deve recuar 0,7%.

Os estoques finais mundiais devem subir 1,9 milhão de sacas, fechando em 26,3 milhões de sacas. Em junho, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA já havia projetado uma safra recorde de 71,9 milhões de sacas para o Brasil em 2026/27, expansão de 14% ante o ciclo anterior.