Achado em ambiente rochoso amplia o conhecimento científico sobre a fauna local e reforça o potencial de pesquisas com compostos presentes nos venenos
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Além da classificação biológica, a equipe está investigando as moléculas dos venenos dos escorpiões para potencial desenvolvimento de novos medicamentos (Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP)

Em uma área de floresta no norte do país, pesquisadores brasileiros identificaram dois escorpiões que até então não eram conhecidos pela ciência. Os animais receberam os nomes de Brotheas cernii e Cayooca puchus e foram encontrados durante expedições realizadas em uma região de Roraima.

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A equipe, liderada pela professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, em Araraquara, percebeu diferenças na coloração, no tamanho do corpo e na estrutura das pinças. Por isso, os pesquisadores iniciaram uma investigação para verificar se os exemplares pertenciam a espécies ainda não descritas. A descoberta foi publicada na revista científica Diversity e amplia o conhecimento sobre a fauna amazônica. Além disso, os pesquisadores já investigam os compostos presentes nos venenos dos animais, embora possíveis aplicações farmacêuticas ainda dependam de novos estudos.

Pesquisa começou em 2016

A equipe iniciou as primeiras expedições científicas à região em 2016, quando Pucca ainda estava vinculada à Universidade Federal de Roraima (UFRR). Desde então, os pesquisadores retornaram ao local em diferentes períodos do ano para coletar exemplares machos, fêmeas, jovens e adultos. Com esse material, os cientistas puderam comparar as características dos animais com espécies já conhecidas. O professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), realizou parte das análises. Posteriormente, outros especialistas avaliaram os resultados: Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Segundo Pucca, a identificação de uma espécie exige uma análise detalhada e a comparação com outros animais já descritos.

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Duas novas espécies de escorpião foram descobertas por pesquisadora da Unesp de Araraquara na Amazônia – Foto: Unesp/Divulgação.

“A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”, afirma a pesquisadora.

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Ambiente favorece espécies especializadas

Os pesquisadores encontraram os animais em um inselberg, formação rochosa isolada que se eleva em meio à floresta. Por permanecerem relativamente separados de outras áreas durante longos períodos, esses ambientes podem favorecer a ocorrência de espécies adaptadas a condições específicas. Além disso, Cayooca puchus pertence a um gênero com poucos representantes conhecidos pela ciência. Dessa forma, o registro amplia o conhecimento sobre um grupo ainda pouco estudado.

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A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas, facilitando a localização das novas espécies Foto: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP)

Os pesquisadores também observaram que os animais apresentam forte adaptação às condições ambientais locais. Mesmo quando a equipe tenta reproduzir no laboratório características como temperatura e umidade, alguns exemplares não sobrevivem por muito tempo. Por isso, parte das pesquisas precisa ocorrer na própria região onde os animais vivem. Segundo Pucca, as exigências legais e ambientais também precisam ser consideradas no manejo dos exemplares.

Nomes têm histórias diferentes

A equipe escolheu os nomes das duas espécies por motivos distintos. Brotheas cernii homenageia Felipe Augusto Cerni, marido da pesquisadora, professor da UFRR e participante das expedições, além da filha do casal. Já Cayooca puchus recebeu um nome inspirado na expressão espanhola “pucheros”, associada a uma expressão facial de surpresa.

A escolha faz referência à reação de André Lira ao perceber que os pesquisadores poderiam estar diante de uma espécie ainda desconhecida.

Veneno será alvo de novas pesquisas

Depois de descrever os animais, a equipe passou a investigar os compostos presentes em seus venenos. Os escorpiões produzem moléculas biologicamente ativas que despertam interesse científico, principalmente por sua atuação sobre outros organismos. Nesse sentido, os pesquisadores avaliam o potencial dessas substâncias para futuras aplicações farmacêuticas, biomédicas e no desenvolvimento de bioinseticidas. No entanto, esses possíveis usos ainda dependem de identificação, testes e novas etapas de pesquisa.

A descoberta, portanto, representa uma etapa inicial de uma investigação mais ampla sobre a biodiversidade amazônica. A equipe planeja realizar novas expedições e também pretende

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. Com isso, os pesquisadores esperam ampliar o levantamento da fauna local e identificar outros organismos que ainda permanecem pouco conhecidos pela ciência.