Experimento analisou mais de 40 mil contatos controlados para investigar a resposta defensiva das serpentes
jararaca
Foto: Flickr.

Uma pesquisa brasileira sobre o comportamento de jararacas ganhou o Ig Nobel de Biologia de 2026 após um experimento com mais de 40 mil contatos controlados com as serpentes. Os pesquisadores investigaram como temperatura, horário e características dos animais poderiam influenciar a resposta defensiva.

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Para realizar os testes, a equipe acompanhou 116 jararacas e utilizou uma bota de proteção durante os contatos. Além disso, os pesquisadores repetiram o procedimento em diferentes temperaturas e horários para comparar as reações dos animais.

João Miguel Alves-Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques participaram da pesquisa. Em 3 de setembro de 2026, o grupo recebeu o prêmio durante a cerimônia do Ig Nobel.

A revista Annals of Improbable Research organiza o Ig Nobel e reconhece pesquisas consideradas incomuns ou curiosas. Segundo os organizadores, a premiação procura destacar trabalhos que primeiro provocam riso e depois levam o público a refletir sobre a ciência.

O que os pesquisadores analisaram

Durante o experimento, os pesquisadores procuraram identificar quais condições poderiam aumentar a probabilidade de uma resposta defensiva das jararacas. Para isso, eles avaliaram fatores como temperatura, horário, sexo, tamanho e estágio de desenvolvimento dos animais.

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Além disso, a equipe comparou o comportamento das serpentes em diferentes condições. Os pesquisadores realizaram os contatos de forma controlada e registraram as reações apresentadas pelos animais.

Com esses dados, o estudo buscou ampliar o conhecimento sobre o comportamento defensivo da espécie e sobre as circunstâncias que podem influenciar encontros entre jararacas e pessoas.

Artigo científico acabou retratado

Apesar do reconhecimento no Ig Nobel, o estudo apresenta uma questão científica que precisa ser considerada. Os pesquisadores publicaram o artigo em 2024 na revista Scientific Reports, mas a publicação acabou retratada em fevereiro de 2025.

Segundo a nota de retratação, o Comitê de Ética Animal do Instituto Butantan informou que a autorização concedida para a pesquisa não abrangia serpentes recém-nascidas nem o método utilizado no experimento.

Além disso, a revista abordou uma questão relacionada à descrição do procedimento. O termo utilizado originalmente poderia indicar que os pesquisadores haviam literalmente pisado nos animais. Posteriormente, a descrição passou a caracterizar o procedimento como um toque leve com o pé.

Os autores, por sua vez, discordaram da retratação, conforme registrou a própria Scientific Reports.

Por isso, a matéria precisa separar o reconhecimento do prêmio da situação do artigo. O Ig Nobel reconheceu os pesquisadores e o trabalho, mas a premiação não anulou a retratação publicada pela revista científica.

Ainda assim, a organização do Ig Nobel mantém a pesquisa entre os vencedores da categoria de Biologia de 2026.

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