Resumo da notícia
- Exportadores brasileiros intensificam defesa contra investigação dos EUA que acusa falhas relacionadas a trabalho forçado, mobilizando dados e diálogo para proteger a imagem do café nacional.
- Cecafé prepara documentos técnicos e destaca legislação rigorosa e fiscalizações no Brasil, além de colaborar com o governo para fortalecer a defesa com contratação de auditores fiscais.
- Investigações elevam riscos comerciais, especialmente sobre tarifas do café solúvel, e o setor aposta no diálogo com a Associação Americana de Café para minimizar impactos negativos.
Os exportadores de café do Brasil intensificam a defesa após nova investigação comercial dos Estados Unidos. O governo de Donald Trump acusa países, incluindo o Brasil, de falhas contra trabalho forçado. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mobiliza estratégias para responder à investigação baseada na seção 301.
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirma que o setor já dialoga com a Associação Americana de Café. Além disso, a entidade pretende atuar diretamente nos debates e apresentar dados sobre o Brasil.
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Investigação acende alerta no mercado
Matos reconhece que a apuração gera preocupação entre exportadores brasileiros. Ele cita um caso recente no México, onde a Justiça americana condenou uma fazenda por irregularidades trabalhistas. Por isso, o Cecafé estruturou um plano estratégico para proteger a imagem do café brasileiro.
Estratégia inclui documentos e legislação
O setor prepara documentos técnicos para explicar a legislação trabalhista brasileira aos Estados Unidos. Também destaca fiscalizações em fazendas e regras rígidas adotadas no país. Além disso, o Brasil possui a lista suja do trabalho análogo à escravidão, usada como referência internacional. Segundo Matos, essas informações serão apresentadas diretamente no processo.
Apoio do governo e reforço na fiscalização
O Cecafé também auxilia o governo brasileiro na produção de documentação técnica. Esse trabalho ocorre por meio do Pacto Social do Café com o Ministério do Trabalho. Matos afirma que a contratação de mais de 800 auditores fiscais, prevista para 2025, fortalece a defesa.
Tarifas e riscos comerciais entram no radar
Atualmente, o café em grão e o torrado do Brasil permanecem fora de tarifas nos Estados Unidos. Por outro lado, o café solúvel enfrenta taxa de 10%, com risco de subir para 15%. Matos avalia que a investigação aumenta os riscos para o setor exportador.
Setor aposta em diálogo para reduzir impactos
Na semana passada, representantes do Cecafé participaram da Convenção da Associação Americana de Café, na Flórida. O evento reuniu cerca de 800 profissionais e discutiu incertezas no mercado global. Por fim, Matos afirma que o setor mantém atuação ativa para reduzir ameaças. Ele defende maior aproximação entre empresas brasileiras e americanas para sustentar decisões comerciais.