Moeda brasileira mais fraca estimula exportações e provoca liquidação de contratos futuros
café no cafeeiro
Foto: Agência Agro em Campo

Os preços do café fecharam em baixa nas bolsas internacionais, influenciados pela desvalorização do real e pelas previsões otimistas para a safra brasileira. O contrato de arábica para maio (KCK26) caiu 0,51%, enquanto o robusta para maio (RMK26) recuou 1,78% na ICE.

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A queda do real frente ao dólar, que atingiu o menor nível em um mês e meio, levou produtores brasileiros a aumentar as vendas externas, estimulando realizações de lucro nos contratos futuros.

Além disso, as chuvas intensas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, melhoraram as expectativas para a safra 2026. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu 78 mm de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, 131% acima da média histórica.

Perspectiva de oferta maior pressiona o mercado

Nas últimas cinco semanas, o café acumula queda acentuada. O arábica atingiu o menor valor em 15 meses, e o robusta caiu ao patamar mais baixo em quase sete meses. A estimativa da Conab prevê uma produção recorde de 66,2 milhões de sacas em 2026, alta de 17,2% frente a 2025.

O avanço é impulsionado pelo crescimento de 23,2% na colheita de arábica (44,1 milhões de sacas) e 6,3% no robusta (22,1 milhões). O Rabobank também projeta um novo recorde na produção global, com 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões a mais que no ciclo anterior.

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Vietnã amplia exportações e reforça pressão sobre preços

O aumento das exportações do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, intensificou o movimento de baixa. As vendas externas vietnamitas cresceram 38,3% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 198 mil toneladas. Em 2025, o país exportou 1,58 milhão de toneladas, alta de 17,5% no ano.

A colheita de 2025/26 deve atingir o maior volume em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã.

Estoques e exportações reforçam sinal de equilíbrio no mercado

Os estoques certificados pela ICE também mostraram recuperação. O arábica subiu para 524.139 sacas, maior nível em quase cinco meses, enquanto o robusta alcançou 4.662 lotes, o maior volume desde janeiro.

Mesmo assim, o Ministério do Comércio informou queda de 42,4% nas exportações brasileiras de café em janeiro, totalizando 141 mil toneladas. Já na Colômbia, o segundo maior produtor de arábica do mundo, a produção de janeiro despencou 34%, para 893 mil sacas.

Panorama global do café

A Organização Internacional do Café (OIC) relatou que as exportações mundiais caíram 0,3% no atual ano-safra, totalizando 138,6 milhões de sacas.

O relatório do Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS/USDA) projeta aumento de 2% na produção global em 2025/26, para um recorde de 178,8 milhões de sacas. A produção de arábica deve cair 4,7%, enquanto a de robusta pode crescer 10,9%. O Brasil deve colher 63 milhões de sacas (-3,1%), e o Vietnã pode chegar a 30,8 milhões (+6,2%).

Os estoques finais globais devem cair 5,4%, de 21,3 milhões para 20,1 milhões de sacas, sinalizando que o aumento da produção deve ser parcialmente absorvido pela demanda.