Resumo da notícia
- Com a Selic próxima de 15% e crédito rural caro, produtores adotam o barter agrícola, trocando grãos por insumos para controlar custos e garantir rentabilidade nesta safra.
- O barter permite travar preços dos insumos antes do plantio, protegendo o produtor das oscilações do mercado e da queda nos preços da soja, que impactam poder de compra.
- A estratégia exige acompanhamento técnico para decisões seguras, sendo crucial diante das margens apertadas e do cenário de crédito restrito e alto custo financeiro.
Com a taxa Selic próxima de 15% ao ano e o crédito rural cada vez mais caro, produtores buscam formas de manter a rentabilidade e equilibrar o caixa nesta safra. Nesse cenário, o barter agrícola, modalidade de troca de grãos por insumos, ganha força como solução estratégica de financiamento e gestão de risco.
O custo do crédito rural pode superar 20% ao ano, o que encarece o custeio e compromete margens já pressionadas. Segundo Luiz Sarzedas, supervisor de Crédito e Cobrança do Grupo Conceito, os produtores enfrentam três grandes desafios: margens reduzidas, dificuldade de acesso ao crédito e aumento do preço dos insumos.
“A troca de commodities por insumos se tornou essencial para reduzir exposição ao mercado financeiro e dar previsibilidade ao custo de produção”, explica Sarzedas. O produtor costuma fechar as operações de barter entre abril e maio, garantindo as condições de compra dos insumos antes do plantio. Mesmo que a entrega do grão ocorra meses depois, na colheita.
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Com essa estratégia, o agricultor trava parte dos custos e se protege das oscilações cambiais e de preço da soja e do milho. “Quando ele transforma o grão na sua moeda, consegue proteger o custo de produção”, afirma Sarzedas. Segundo o executivo, quem estruturou operações antecipadas nesta safra obteve ganhos de até R$ 15 por saca, em comparação aos produtores que ficaram expostos às variações do mercado.
Queda nos preços da soja
A importância dessa ferramenta cresce diante da forte queda nos preços da soja, que passaram de R$ 190 a saca em 2021 e 2022 para cerca de R$ 110 atualmente. O poder de compra do produtor caiu, enquanto os custos de insumos e serviços aumentaram. Travar custos, portanto, deixou de ser apenas uma alternativa e se tornou prática de gestão obrigatória.
Sarzedas também reforça a importância do acompanhamento técnico em todas as etapas. “O suporte especializado ajuda o produtor a tomar decisões mais seguras, desde a contratação do barter até a entrega do grão”, afirma.
O mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie em março uma leve redução da Selic, de 15% para 14,75%. Mesmo assim, a taxa segue em patamar elevado, mantendo a necessidade de estratégias de proteção e planejamento financeiro para o produtor rural.