Resumo da notícia
- A bactéria Xylella fastidiosa ameaça a olivicultura na Serra da Mantiqueira, podendo causar o colapso da produção de azeite no Brasil, setor em expansão e economicamente relevante.
- A Epamig utiliza drones com câmeras multiespectrais e dados de campo para monitorar precocemente a bactéria, antecipando diagnósticos e protegendo plantações de oliveiras.
- O projeto, financiado pela Fapemig, busca desenvolver modelos preditivos e estratégias biológicas para controlar a doença e garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva do azeite.
Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.
Como funciona o monitoramento
“Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.
- Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde
- Algas marinhas podem ajudar grãos do Cerrado a resistirem à seca
Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.
Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.
O risco para a produção de azeite nacional
A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.
O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.








