Resumo da notícia
- O custo da cesta básica subiu em todas as 27 capitais entre março e abril de 2026, impulsionado por alta dos combustíveis e impactos do conflito Irã-EUA no transporte e logística.
- Porto Velho liderou a alta mensal com 5,60%, enquanto São Paulo mantém a cesta mais cara, custando R$ 906,14, seguida por Cuiabá e Rio de Janeiro.
- Leite, batata, tomate, feijão, carne, pão e arroz registraram aumentos generalizados, apesar de queda no preço do café em pó em 22 capitais devido à safra próxima.
O custo da cesta básica de alimentos subiu em todas as 27 capitais brasileiras entre março e abril de 2026. De acordo com a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fatores globais e sazonais impulsionaram os preços.
A Superintendência de Gestão da Oferta da Conab identifica a variação nos preços dos combustíveis como um dos principais vilões. O conflito entre Irã e Estados Unidos impactou o mercado internacional, elevando os custos de transporte e remoção de produtos. Gabriel Rabello, gerente da Companhia, explica que, embora cada setor tenha particularidades, a logística mais cara acaba repassada ao consumidor final.
Capitais em destaque
No ranking das altas mensais, Porto Velho liderou o índice com um salto de 5,60%, seguida por Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%). No entanto, em termos de valor absoluto, São Paulo mantém o título de capital com a cesta mais cara do Brasil, custando R$ 906,14. Cuiabá (R$ 880,06) e Rio de Janeiro (R$ 879,03) aparecem logo em seguida.
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Alguns alimentos específicos registraram aumentos generalizados:
- Leite integral: subiu em todas as 27 capitais devido à redução da oferta no campo (entressafra).
- Batata e tomate: a menor oferta desses tubérculos e frutos elevou as cotações no varejo de quase todas as cidades pesquisadas.
- Feijão: o preço subiu em 26 capitais, com queda registrada apenas em Belo Horizonte.
- Carne e pão: a oferta restrita de animais para abate e o alto custo da farinha de trigo encareceram a carne bovina e o pão francês em 22 capitais.
- Arroz: mesmo com o início da colheita, os preços subiram em 21 cidades, pois os produtores limitaram a venda à espera de valores mais altos.
Análise anual e alívio no café
Apesar da alta mensal generalizada, o cenário de longo prazo apresenta variações. Entre abril de 2025 e abril de 2026, nove capitais conseguiram reduzir o custo total da cesta, com destaque para São Luís (-4,84%). Produtos como açúcar e arroz também acumulam queda nos últimos 12 meses em todas as praças.
No curto prazo, o café em pó trouxe um alívio pontual, com redução de preço em 22 capitais em abril, beneficiado pela proximidade da safra e menor volume de exportação.
Expansão da Pesquisa A coleta de dados, que antes abrangia 17 cidades, agora monitora todas as 27 capitais brasileiras. Esta ampliação resulta de uma parceria entre Conab e Dieese, visando fortalecer as políticas nacionais de abastecimento e segurança alimentar. Os resultados completos com a nova metodologia estão disponíveis desde agosto de 2025.