Mantikir Summit Premium, da Vinícola Essenza, ficou em primeiro na categoria Blend
O azeite produzido pela Vinícola Essenza na Serra da Mantiqueira, conquistou o primeiro lugar e o Selo de Ouro na categoria Blend do Prêmio Brasil Arte
Foto: Régis Silva

O azeite Mantikir Summit Premium, da Vinícola Essenza, ficou em primeiro lugar na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado saiu na quinta-feira (15), em cerimônia em Brasília, e rendeu ao produto o Selo de Ouro. O concurso reuniu 85 amostras de azeites de diferentes regiões do país.

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Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza, celebra em Brasília a conquista do Selo de Ouro pelo azeite Mantikir Summit Premium, eleito o melhor da categoria Blend no Prêmio Brasil Artesanal 2026. Foto: Divulgação

A mesma vinícola também levou o quarto lugar na categoria Monovarietal, com o Mantikir Coratina. Os dois azeites vêm de azeitonas cultivadas na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé, na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas. A propriedade cuida do plantio, do manejo das oliveiras e da extração.

Júri técnico e popular avalia azeites às cegas

A avaliação passou por um júri técnico, formado por especialistas, e por um júri popular. As degustações ocorreram sem identificação dos rótulos, e a CNA também levou em conta a trajetória de cada produtor. Cinco produtos chegaram à final em cada categoria, Blend e Monovarietal.

Segundo a CNA, os cinco primeiros colocados de cada categoria recebem certificado, prêmio em dinheiro e divulgação nos canais do Sistema CNA/Senar. Os Selos Ouro, Prata e Bronze variam conforme a classificação. O prêmio integra uma iniciativa da CNA, em andamento desde 2019, que reconhece alimentos artesanais de pequenos e médios produtores rurais, de queijos e cafés especiais a cachaças e mel.

“Quando um produto é avaliado às cegas, a marca e a embalagem deixam de influenciar a percepção do degustador”, afirma Herbert Sales, proprietário da vinícola.

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O Summit Premium combina Arbequina, Coratina, Grappolo 541 e Koroneiki, todas cultivadas na propriedade. Segundo a vinícola, a Arbequina contribui com notas frutadas, a Coratina com intensidade e compostos fenólicos, a Koroneiki com persistência e a Grappolo 541 com notas vegetais. A proporção muda a cada safra, com o objetivo de equilibrar frutado, amargor e picância.

Produtor diz que altitude ajuda, mas não decide

A Fazenda Tuiuva mantém oliveiras entre aproximadamente 1.700 e 1.910 metros de altitude, e a empresa afirma ter o olival mais alto do mundo. Segundo a vinícola, a altitude, as temperaturas e a amplitude térmica influenciam o ritmo de maturação das azeitonas e podem afetar aroma, sabor e composição química do azeite.

Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza, recebe o troféu de primeiro lugar na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026, promovido pela CNA, com o azeite Mantikir Summit Premium. Foto: Tatian Sales

“A altitude é um fator importante, mas não garante qualidade isoladamente. O resultado depende da interação entre as condições ambientais, a genética das oliveiras, o momento da colheita e o rigor técnico durante a extração”, afirma Sales.

Coratina fica em quarto lugar entre os monovarietais

O Mantikir Coratina usa apenas azeitonas da variedade de mesmo nome, de origem italiana e conhecida pelo potencial de concentração de compostos fenólicos. A vinícola descreve o perfil sensorial com notas de folha de oliveira, banana verde, goiaba verde, ervas frescas e amêndoas verdes, além de amargor e picância.

Análises da própria vinícola registraram acidez livre de 0,07% no Coratina da safra atual e de 0,08% no Summit Premium de uma safra anterior. Como os números vêm de safras diferentes, não permitem comparar os dois azeites diretamente. A empresa lembra que a acidez indica as condições da matéria-prima e do processamento, mas não determina sozinha a qualidade sensorial.

Minas deve bater recorde de produção de azeite em 2026

Segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a produção mineira de azeite deve chegar a cerca de 300 mil litros em 2026, o maior volume já registrado no estado.

Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir. Foto: Régis Silva/Divulgação.

O prêmio vem de um mercado em que o produto importado ainda domina a mesa. “Durante muito tempo, o consumidor brasileiro associou o azeite de oliva aos produtos importados. Hoje temos regiões produtoras, profissionais qualificados e empreendimentos que investem em qualidade, origem e rastreabilidade”, diz Sales.

Marca acumula prêmios em concursos internacionais

Segundo a vinícola, os produtos da marca Mantikir receberam distinções no EVOOLEUM, na Espanha, no ESAO, em Valência, no Athens International Olive Oil Competition, na Grécia, e no TerraOlivo, em Israel. Em setembro de 2026, o Mantikir Coratina foi eleito o melhor azeite brasileiro no Olio Nuovo Days, na França. E ficou em segundo entre os azeites do Hemisfério Sul avaliados na competição.

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Sales afirma que os concursos ajudam a orientar decisões sobre adaptação das cultivares, análises laboratoriais e procedimentos de produção.

Em Santo Antônio do Pinhal, no interior de São Paulo, a Vinícola Essenza mantém uma estrutura de visitação com degustação de azeites e vinhos, apresentação dos processos produtivos e experiências gastronômicas ligadas à culinária regional.