Resumo da notícia
- O Sebrae realizou o 1º Encontro do Artesanato do Programa Desenvolve em Dom Pedrito, RS, para fortalecer artesãs e ampliar acesso a novos mercados valorizando a cultura regional.
- A consultora Luciana Bulcão orientou as artesãs sobre design e comercialização, destacando que experiências de vida podem impulsionar o empreendedorismo, especialmente após os 40 anos.
- Produtos manuais e autorais ganham importância em meio à globalização e avanço tecnológico, pois carregam histórias e identidade territorial, atraindo consumidores em busca de exclusividade.
A economia criativa pode abrir novas oportunidades de renda ao transformar conhecimentos, histórias e matérias-primas regionais em produtos com identidade própria. Nesse sentido, o Sebrae promoveu, em 14 de outubro, o 1º Encontro do Artesanato do Programa Desenvolve, durante a 93ª Farm Show, em Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul. A iniciativa busca fortalecer o trabalho das artesãs e, ao mesmo tempo, criar condições para que elas alcancem novos mercados.
O encontro reuniu cerca de dez artesãs no Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura. Durante a atividade, as participantes apresentaram suas peças e discutiram possibilidades de aperfeiçoamento. Além disso, o programa prevê orientações sobre design e apresentação comercial, sempre com o cuidado de preservar as referências culturais da Campanha gaúcha.
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Economia criativa valoriza a identidade regional
A consultora Luciana Bulcão, fundadora da marca Dona Rufina, conduziu a atividade. Seu trabalho envolve economia criativa, design e valorização territorial. A partir dessa experiência, ela orientará as artesãs sobre melhorias no acabamento, na apresentação e no posicionamento dos produtos. Dessa forma, a proposta é valorizar as características de cada peça e, consequentemente, ampliar seu potencial comercial.
Segundo Luciana, as experiências acumuladas ao longo da vida também podem abrir caminhos para o empreendedorismo. Por esse motivo, ela defende que as pessoas aproveitem os conhecimentos adquiridos em diferentes etapas da vida para desenvolver novas atividades profissionais, inclusive depois dos 40 anos.
“Hoje a gente pode ter várias coisas ao mesmo tempo. Não precisa esperar se aposentar para fazer outra coisa da vida. A gente tem mais escolhas e mais poder de decisão”, afirmou.
Além de destacar as possibilidades de mudança profissional, a consultora ressaltou que a maturidade pode contribuir para a criação de novos negócios. Afinal, as experiências pessoais e profissionais ajudam a identificar habilidades e oportunidades que, muitas vezes, passam despercebidas.
“A gente já experimentou um pouco de tudo, tem muitas experiências e não tem mais tanto medo. A gente vai se reinventando, pegando cada conhecimento de cada etapa e transformando isso em um negócio próprio”, disse.
Trabalho manual busca espaço em novos mercados
Outro tema discutido no encontro foi a relação entre o avanço tecnológico e a valorização do trabalho manual. Na avaliação de Luciana, produtos autorais e personalizados podem conquistar espaço justamente por carregar histórias, referências culturais e características do território onde são produzidos.
“Quanto mais o mundo fica globalizado e a tecnologia avança, com a inteligência artificial em uma velocidade muito rápida, mais a gente percebe o retorno às manualidades, ao que é exclusivo, ao que é feito à mão e pode ser personalizado”, afirmou.
No entanto, para conquistar consumidores, não basta produzir peças diferenciadas. As artesãs também precisam apresentar seus produtos de maneira atrativa e desenvolver estratégias de comercialização. Nesse contexto, a internet surge como uma ferramenta para divulgar o trabalho e alcançar compradores de outras regiões.
“Muitas vezes a gente não encontra o nosso público porque está procurando somente no nosso entorno. Com a internet ficou muito mais fácil. A gente precisa buscar, se posicionar e criar estratégias para atingir esse público”, ressaltou.
Com isso, o artesanato regional pode ultrapassar os limites do mercado local e chegar a consumidores de outras cidades e estados. Para tanto, é importante comunicar com clareza a origem das peças, os materiais utilizados e as histórias que tornam cada criação diferente das demais.
Sebrae prevê catálogo digital para divulgar produtos
O analista de Relacionamento com o Cliente do Sebrae, Carlos Henrique Gerzson Neto, explicou que o encontro integra a sexta edição do Programa Desenvolve, realizado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento de Dom Pedrito. Ao todo, a iniciativa terá 11 encontros, com acompanhamento individual dos produtos apresentados pelas participantes.
“Foi o primeiro encontro do Programa Desenvolve, que está na sexta edição dessa parceria do Sebrae com a Secretaria de Desenvolvimento do município de Dom Pedrito. Resolvemos realizá-lo dentro da Farm Show para fomentar a economia criativa”, explicou.
Nesta primeira etapa, a equipe fotografa, registra e analisa as peças. Com base nesse diagnóstico, Luciana acompanhará as artesãs ao longo do programa e apresentará sugestões para aperfeiçoar os produtos. Assim, cada participante poderá avaliar mudanças que contribuam para valorizar suas criações e melhorar a forma de apresentá-las ao público.
Ao final do processo, a iniciativa prevê a produção de um catálogo digital de artesanato, com fotografias, características das peças e informações sobre suas autoras. A expectativa é utilizar o material para divulgar os produtos a potenciais compradores no Rio Grande do Sul, em outras regiões do Brasil e, eventualmente, no exterior.
“A gente vai trabalhando e lapidando esses produtos e, no final, entrega um catálogo digital com todos eles, com fotos, características e informações sobre quem produziu. A ideia é fazer esse catálogo circular pelo Rio Grande do Sul, pelo Brasil e, quem sabe, até no exterior”, afirmou Gerzson Neto.
Além de organizar as informações sobre as peças, o catálogo poderá facilitar o contato com novos clientes. Ainda assim, transformar a divulgação em vendas dependerá de outros fatores, como a promoção dos produtos, a negociação com compradores e a capacidade de atender aos pedidos.
Matérias-primas agrícolas inspiram novas criações
Entre os trabalhos apresentados durante o encontro estava o da artesã Jeisa Cris Schulz Müller, que produz itens aromáticos, como sprays para ambientes, difusores e velas feitas com ceras de coco e soja. Suas criações também incorporam elementos como cristais de quartzo e café.
A consultoria abriu espaço, ainda, para discutir o uso de matérias-primas associadas à região, incluindo sementes e subprodutos agrícolas. Entre as possibilidades levantadas esteve o aproveitamento de elementos ligados à cultura do arroz na composição de peças artesanais.
Nesse caso, a proposta é transformar recursos disponíveis no território em componentes de produtos diferenciados. Entretanto, antes de adotar essas alternativas, as artesãs precisam avaliar a adequação dos materiais, sua disponibilidade e as condições de utilização em cada peça.
Essa conexão entre artesanato e agricultura pode ampliar as possibilidades de criação e valorizar recursos da economia local. Ao mesmo tempo, o uso de referências regionais pode despertar o interesse de consumidores que procuram produtos com identidade, história e características próprias.
Dessa maneira, o programa busca aproximar a tradição artesanal de novas oportunidades comerciais. Mais do que aperfeiçoar as peças, a proposta é ajudar as produtoras a reconhecer o valor de seu trabalho e a comunicar esse diferencial ao mercado.
Ao defender essa abordagem, Luciana reforçou a importância da autenticidade na economia criativa.
“A economia criativa precisa de pessoas e histórias verdadeiras, não da perfeição. O futuro pertence a quem tem histórias para contar”, resumiu.