Estudo conduzido no RS mostra que lavouras com menor densidade resistem melhor ao frio e produzem mais biomassa após geadas, beneficiando produtores de leite e carne no Sul do Brasil
Foto: Joseani Antunes

Os danos causados por geadas na aveia-preta são frequentes na Região Sul do Brasil. E comprometem a oferta de forragem para a pecuária de carne e leite. Um estudo conduzido pela Embrapa Trigo, em Passo Fundo, identificou uma estratégia simples e econômica para reduzir esses prejuízos. Ajustar a densidade de semeadura para 200 plantas por metro quadrado (pl/m²).

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A aveia-preta é a espécie forrageira de inverno mais cultivada no mundo. Ela é amplamente utilizada no Sul brasileiro como planta de cobertura do solo ou como pastagem. Apesar de adaptar-se bem ao frio, a cultura é altamente suscetível a geadas, que podem causar desde redução de biomassa até a morte das plantas.

Menos plantas, mais resistência

O experimento avaliou três genótipos de aveia-preta em diferentes densidades de semeadura: 200, 300 e 400 sementes aptas por metro quadrado. Os resultados mostraram que lavouras com menor densidade apresentaram maior resistência aos danos provocados pelas geadas, especialmente na fase reprodutiva da cultura.

Segundo o pesquisador Osmar Rodrigues, da Embrapa Trigo, a densidade de 200 pl/m² ofereceu a melhor resposta em produção de biomassa após a ocorrência de geadas. “Além de reduzir os custos de sementes na implantação, comparativamente às altas densidades (300 e 400 pl/m²), essa população melhorou a resistência das plantas aos danos provocados por geadas. E com efeitos positivos na produção de biomassa”, afirma Rodrigues.

Por que funciona?

De acordo com o pesquisador, a maior disponibilidade de radiação solar em populações de 200 pl/m² favorece a eficiência fotossintética, o que pode aumentar a concentração osmótica dos tecidos e o conteúdo relativo de água nas plantas. Fatores que elevam a tolerância ao congelamento.

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“Copas abertas ou baixa população de plantas armazenam mais carboidratos solúveis em água nos tecidos, como consequência da maior penetração de luz nas áreas mais profundas. Por outro lado, a menor cobertura vegetal pode levar ao maior aquecimento do solo durante o dia. E à noite, com o resfriamento do solo e do ar com a dissipação de calor na atmosfera, pode reduzir o resfriamento e os danos causados”, detalha Rodrigues.

Prática comum pode prejudicar

A elevada densidade de plantas é uma prática comum entre produtores de forrageiras no Sul do Brasil. No entanto, populações muito altas podem ocasionar autossombreamento, reduzindo o perfilhamento e aumentando a sensibilidade das plantas ao congelamento devido à maior retenção de umidade no solo pela baixa penetração da luz solar.

“A adequada densidade de semeadura pode ser uma estratégia para minimizar danos nas lavouras em condições climáticas adversas”. É o que reforça a pesquisadora Jane Machado, destacando a importância do estudo para a aveia-preta, espécie mais cultivada na região Sul.

Impacto econômico e produtivo

Além de mitigar os efeitos negativos da geada, a adoção da densidade de 200 pl/m² representa economia no custo de implantação da forrageira. Isso porque reduz a quantidade de sementes necessárias. Ao mesmo tempo, cria um ambiente favorável para maior resistência ao frio e mantém a produtividade de biomassa acumulada.

Para os produtores do Sul, a recomendação é especialmente relevante em um cenário de geadas intensas, que já afetaram a oferta de pastagens em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.