Estado alcança 2,2 milhões de toneladas e amplia área plantada em quase 60%
Plantação de sorgo
Foto: Sandra Brito/Embrapa

Goiás confirmou, pelo oitavo ano consecutivo, a liderança na produção de sorgo no Brasil. Dados do 8º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o estado deve colher 2,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 40,3% em relação ao ciclo anterior.

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O volume representa 29,3% da produção nacional, estimada em 7,5 milhões de toneladas. Com o resultado, Goiás segue à frente dos principais polos agrícolas do país e mantém posição isolada no ranking da cultura.

A expansão do sorgo no estado também aparece na área plantada. Os produtores ampliaram a semeadura em 59,9%, alcançando 631,1 mil hectares, ante 394,7 mil hectares na safra passada. A produtividade média chega a 3,5 toneladas por hectare.

O avanço ocorre principalmente pela resistência do sorgo ao déficit hídrico e pela adaptação à safrinha. Além disso, o cereal ganha espaço na nutrição animal, devido ao alto valor nutricional e à competitividade frente a outros grãos.

Segundo o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Ademar Leal, o desempenho reflete a capacidade dos produtores em diversificar o sistema produtivo. “O sorgo fortalece a segunda safra, contribui para o abastecimento das cadeias de proteína animal e abre oportunidades para a agroindústria e a bioenergia”, afirma.

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Os dados também mostram que Goiás responde por 30,7% dos cerca de 2 milhões de hectares cultivados com sorgo no Brasil, reforçando o protagonismo do estado no avanço da cultura.

Municípios impulsionam produção

A produção de sorgo já alcança 128 municípios goianos, com maior concentração no Sul do estado e no entorno do Distrito Federal. Cristalina e Rio Verde lideram o ranking nacional e, juntas, respondem por 28,3% da produção estadual.

Novos polos também ganham força. Montividiu ampliou a produção de 3,6 mil para 49,5 mil toneladas em apenas um ano. Regiões como São Domingos e São Miguel do Araguaia também registram expansão da cultura.

No desempenho por produtividade, Itapaci lidera com média de 4,0 toneladas por hectare, seguido por Rio Verde e Flores de Goiás, com 3,8 t/ha.

Bioenergia abre nova frente de mercado

O avanço do sorgo em Goiás também impulsiona o setor de bioenergia. O estado, líder na produção de sorgo granífero, começa a ampliar o uso do sorgo sacarino como matéria-prima para etanol.

A variedade apresenta alta concentração de açúcares e ciclo curto, o que permite abastecer usinas durante a entressafra da cana-de-açúcar. Além disso, produtores aproveitam a mesma estrutura operacional dos canaviais, o que reduz custos e facilita a adoção.

A integração entre produção de grãos e biocombustíveis também amplia a oferta de coprodutos, como os DDGs (Distillers Dried Grains), utilizados na nutrição animal por seu alto teor proteico e energético.

Com isso, Goiás fortalece a integração entre as cadeias de proteína animal e bioenergia, diversifica a matriz produtiva e cria novas oportunidades de investimento no agronegócio.