Vinícola Essenza dobra volume de produção, alcança 6 mil litros e coloca quatro rótulos premium no mercado nacional em maio
Foto: Régis Silva/Divulgação

A Vinícola Essenza lança no mercado nacional, em maio, a safra 2026 dos azeites Mantikir. E chega a ela com um feito inédito: o blend Summit Premium tornou-se o primeiro azeite brasileiro a ocupar o topo do ranking mundial da Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO), sendo eleito simultaneamente o melhor do mundo e o melhor do Brasil.

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A safra reúne quatro rótulos; o blend Summit Premium e os monovarietais Coratina, Grappolo e Arbequina. E projeta produção de até 6 mil litros. Isso é o dobro do volume registrado em 2025, quando a vinícola extraiu cerca de 3 mil litros de azeite premium.

Serra da Mantiqueira: o olival mais alto do mundo

A produção acontece na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde 3.500 oliveiras em plena produção, de um total de 6.000 plantas distribuídas em cerca de 51 hectares, crescem entre 1.700 m e 1.910 m de altitude. Essa faixa posiciona a área como o olival mais alto do mundo.

O portfólio de variedades inclui Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé, com Frantoio e Oleana previstas para entrar em produção em 2027. As plantas têm, em média, cinco anos de idade, e o avanço fisiológico delas explica boa parte do salto produtivo desta safra.

O proprietário e produtor de azeite, Herbert Sales, no olival mais alto do mundo, em Maria da Fé, Minas. Foto: Régis Silva/Divulgação

“O ganho de volume acompanha a entrada das plantas em um estágio mais produtivo e a capacidade de ajustar o manejo ao comportamento do ambiente”, afirma Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza. “A produção de azeite depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo. E o refinamento técnico permite reduzir variações e melhorar a previsibilidade da safra.”

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Temporada internacional de prêmios começa antes da comercialização

Antes de chegar às prateleiras, o Mantikir 2026 já acumulou conquistas expressivas no circuito internacional de concursos de azeites extravirgens.

No CINVE Group, o Summit Premium e o Coratina receberam medalhas de Ouro, tornando a Vinícola Essenza a única representante do Sudeste brasileiro entre os premiados da edição. No Evooleum Awards 2026, o maior guia espanhol de azeites do mundo, dois rótulos da vinícola entraram para o Top 100 global. O Summit Premium conquistou o título de “Best of Brazil” e o 11º lugar na categoria de larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. E o Grappolo Epamig estreou no Top 20 da categoria de produção limitada até 2.500 litros, com 92 pontos e acidez de 0,07%.

O ponto alto da temporada veio com a vitória na ESAO. O Mantikir Summit Premium sagrou-se o melhor azeite do mundo, a primeira vez que um produto brasileiro alcança essa posição no guia.

“Abrir a safra com dois rótulos premiados em um concurso internacional como o CINVE insere o produto no mercado já validado sob critérios técnicos reconhecidos, o que amplia a leitura sobre consistência de qualidade e precisão no processo produtivo”, comemora Herbert Sales.

Colheita em duas etapas: concursos e mercado têm perfis distintos

Para participar dos primeiros concursos do ano, a Vinícola Essenza antecipou parte da colheita ainda em janeiro, com volume reduzido destinado exclusivamente às avaliações. Nessa fase, azeitonas em estágio mais precoce de maturação resultam em azeites com perfil mais herbáceo, maior concentração de clorofila e menor desenvolvimento de notas frutadas.

A colheita comercial da safra 2026 teve início em março, após um verão mais frio e chuvoso que retardou o desenvolvimento da fruta. Cerca de 50 dias de colheita manual, com manejo diário ajustado ao clima e ao estágio de maturação das azeitonas, marcaram o ciclo.

“Existe uma diferença clara entre o azeite produzido para envio aos concursos e aquele destinado ao mercado, tanto no ponto de colheita quanto no perfil sensorial. Antecipar essa produção permite atender as exigências dos concursos sem comprometer o restante da safra, que segue outro ritmo de maturação. E resulta em azeites mais completos do ponto de vista estrutural”, explica Sales.

Extração em baixa escala preserva qualidade extravirgem

A extração acontece no lagar de Quelemém (MG), com capacidade de processamento de 100 kg por hora, uma escala intencional que garante maior controle sobre as etapas de batimento e separação. Esse ritmo preserva compostos voláteis e antioxidantes naturais, determinantes para a classificação como azeite extravirgem.

O rendimento entre azeitona colhida e azeite extraído varia conforme o estágio de maturação da fruta. No início da colheita, com menor concentração de óleo na polpa, cada 100 kg de azeitona gera entre 10 e 12 litros de azeite. No meio e no final do ciclo, com maior acúmulo lipídico, esse rendimento sobe para 14% a 15%. Ou seja, até 15 litros por 100 kg processados.

Terroir de altitude: decisões que não seguem calendário

Na Serra da Mantiqueira, altitude, amplitude térmica, relevo e manejo se combinam para definir o ritmo de maturação, o teor de óleo e o ponto ideal de colheita de cada lote. Pequenas variações de temperatura, insolação e umidade alteram tanto a concentração de óleo quanto o perfil sensorial do azeite.

“O terroir aqui impõe uma leitura contínua do ambiente. A decisão de colheita não segue um calendário fixo. ela depende do comportamento da fruta em diferentes áreas do olival e define simultaneamente rendimento, estabilidade e características aromáticas do produto”, conclui Herbert Sales.