Crescimento do agronegócio, dependência de importações e avanço dos fertilizantes especiais devem estimular uma nova rodada de negócios no setor
Pulverizador de fertilizantes
Foto: Divulgação AGCO

O mercado brasileiro de fertilizantes entra em uma nova fase de consolidação. Afinal, as empresas buscam mais segurança no abastecimento e produtos de maior valor agregado, e por isso as fusões e aquisições ganham força.

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Além disso, a consultoria Redirection International projeta crescimento médio de 5,9% ao ano para o setor nos próximos cinco anos, sustentado pela expansão da produção agrícola e pela maior adoção de tecnologias de nutrição vegetal.

Brasil ainda depende de importações

O país ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos, e responde por cerca de 8% da demanda global. Apesar desse peso, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o que transforma a segurança de abastecimento em tema estratégico para o setor.

Vinicius Oliveira, economista e sócio da Redirection International, resume o momento: “estamos entrando em um momento mais positivo para o M&A de fertilizantes no Brasil, mas o próximo ciclo será mais seletivo e estratégico”. Segundo ele, os compradores não buscam apenas capacidade produtiva, mas também acesso ao produtor, distribuição e tecnologia.

Fragmentação do setor facilita negociações

O ecossistema de produção, importação e distribuição reúne centenas de empresas ativas, o que mantém o setor fragmentado.

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Por isso, os compradores estratégicos priorizam ativos que já gerem sinergias comerciais, industriais e logísticas de forma imediata.

Especiais e biológicos ganham espaço

O segmento de fertilizantes especiais cresceu 18,9% e faturou R$ 26,9 bilhões, segundo a Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal). Para Oliveira, esse avanço reforça uma mudança na tese de investimento do setor: os compradores passam a priorizar tecnologia e diferenciação. “As transações mais interessantes serão aquelas em que o comprador consegue combinar escala, eficiência e segurança de abastecimento com crescimento em especialidades, biológicos e organominerais”, explica o economista.

Ativos de qualidade seguem valorizados

Ainda assim, o mercado brasileiro continua negociando ativos de maior qualidade a múltiplos relevantes, mesmo com o desempenho mais volátil das empresas listadas do segmento. Nesse ambiente mais seletivo, os maiores valuations tendem a se concentrar em empresas com crescimento sustentável e diferenciação competitiva. Oliveira resume: “o próximo ciclo de M&A não será sobre comprar toneladas; será sobre comprar acesso ao produtor, distribuição, tecnologia e sinergias”.

Movimentações recentes confirmam a tendência

Duas transações ilustram essa reorganização. A Inpek Fertilizantes adquiriu a planta industrial de mistura de fertilizantes da Cibra, no Porto de Paranaguá, enquanto a BASF comprou a AgBiTech e ampliou seu portfólio de biológicos.

Segundo a Redirection International, os ativos mais procurados em futuras fusões e aquisições devem reunir distribuição própria, forte presença regional e especialização tecnológica.