Resumo da notícia
- As mulheres representam 44% dos empreendedores no turismo sustentável brasileiro, acima da média nacional de 34%, refletindo maior equidade de gênero nesse setor em expansão.
- O turismo de base comunitária, liderado por mulheres como Nilde na Amazônia, promove geração de renda local e valorização cultural, contribuindo para a redução das desigualdades.
- Iniciativas de capacitação e mentoria, como as da Vivalá, fortalecem negócios femininos na região, transformando saberes ancestrais em empreendimentos rentáveis e sustentáveis.
As mulheres representam 44% dos empreendedores no turismo sustentável brasileiro, número expressivamente superior à média nacional de 34% em todos os setores. Entre os viajantes, a presença feminina chega a 70%, segundo relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável.
A busca por relações mais justas explica esse cenário. “No modelo tradicional, as mulheres ocupam funções operacionais, enquanto os cargos de decisão seguem majoritariamente masculinos”, explica Mariana Oliveira, coordenadora de operações da Vivalá. “Já o turismo responsável contribui para reduzir desigualdades de gênero e promove ambientes mais acolhedores para viajantes.”
O turismo de base comunitária, que combina geração de renda local com imersão cultural, tende a ampliar esses números. O setor avança no cumprimento da equidade de gênero, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.
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Liderança feminina na Amazônia inspira modelo de turismo comunitário
Às margens do Rio Negro, Horenilde da Silva Gomes, a Nilde, comanda a Caboclo’s House Ecolodge, hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo pelo TripAdvisor. Filha de ribeirinhos, ela cresceu com 13 irmãos no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus.

“A floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, conta Nilde. O turismo entrou em sua vida quando o pai recebia visitantes na Casa de Farinha e a mãe ensinava medicina natural com plantas.
Em 2005, após trabalhar em um hotel de selva, Nilde enxergou seu caminho. Com os pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante. Depois, adquiriram um terreno e criaram a Caboclo’s House, projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres.
“As dificuldades financeiras eram grandes, e ser mulher empreendendo na região não era simples”, lembra. Em 2017, uma viajante conectou Nilde a um grupo de interessados na experiência local. A parceria com a Vivalá ampliou horizontes.
Hoje, Nilde coleciona prêmios e reconhecimento. “Ver o hotel entre os melhores do mundo prova que um sonho improvável deu mais que certo”, afirma.
União feminina fortalece negócios na comunidade
Nilde incentiva outras mulheres a buscar seu espaço. Um exemplo é Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. “Incentivei Sueula a acreditar no talento dela. Hoje ela vende produtos e oferece oficinas para hóspedes”, conta Nilde.
Sueula participou de mentorias de empreendedorismo oferecidas pela Vivalá na região. “Aprendi a lidar com dinheiro e com meu negócio. As trocas me fizeram crescer e enxergar o potencial das minhas mãos”, diz.
Seus ancestrais ensinaram Sueula a cuidar da floresta e manusear ervas e óleos. Com as capacitações, ela transformou paixão em negócio rentável. “A matéria-prima está no meu quintal. A cosmética natural mudou minha vida.”
Sueula destaca a força feminina na comunidade. “A maioria dos empreendimentos de turismo sustentável tem mulheres na gestão. Nós nos fortalecemos juntas para mostrar que somos capazes, mesmo com os desafios.”
Mulheres em campo ampliam segurança das viajantes
Atualmente, 80% dos destinos da Vivalá contam com pelo menos uma mulher na equipe de campo. A organização fortalece a autonomia econômica feminina ao gerar oportunidades de renda justa no turismo comunitário.
Mônica Azevedo Rodrigues, guia especializada em ecoturismo na Chapada dos Veadeiros, explica sua diferença: “Sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Há algo singular em compartilhar vivências com outra mulher; o reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado.”

Guiar mulheres exige atenção redobrada à segurança, principalmente ao lidar com prestadores de serviço homens. A presença de lideranças femininas durante as viagens funciona como ato de empoderamento e transmite confiança.
“Vejo mulheres tomando a frente nas próprias escolhas”, observa Mônica. “Querem incentivar outras a viajar sozinhas, a viver sem depender de companhia. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal.”
A viajante Rita Alves sentiu essa diferença na Amazônia. “Vivenciei uma experiência real em comunidade ribeirinha, conduzida por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta. A equipe realizou reunião prévia para alinhar expectativas. Me senti segura, respeitada e bem acompanhada.”