Estudo com microalga e sementes de alface identificou respostas diferentes conforme a concentração das partículas
embrapa - algas
Cultura de alga com diferentes concentrações de nanopartículas - Foto: Vera Castro/Embrapa.

As nanopartículas de prata podem estimular o crescimento de organismos em baixas concentrações, mas também provocar efeitos inibitórios quando a dose aumenta. Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente chegaram a esse resultado após avaliar uma microalga e sementes de alface.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A equipe analisou a resposta de Pseudokirchneriella subcapitata, uma microalga unicelular usada em estudos de ecotoxicologia aquática, e de Lactuca sativa, espécie que pode atuar como bioindicador em avaliações ambientais. As nanopartículas de prata, conhecidas como AgNP, apresentam propriedades antimicrobianas e têm potencial de aplicação na agricultura, inclusive na desinfecção de sementes e no controle de doenças causadas por bactérias.

Baixas concentrações estimularam o crescimento

No entanto, as partículas também podem chegar ao solo e à água depois da aplicação. Por isso, a equipe avaliou os efeitos da AgNP sobre organismos que não constituem o alvo da tecnologia.

No experimento, concentrações entre 0,1 e 1,0 miligrama por litro estimularam o crescimento da microalga. Nas sementes de alface, por sua vez, os pesquisadores observaram o alongamento das raízes na concentração de 0,01 miligrama por litro. Entretanto, o aumento da concentração mudou a resposta dos organismos e, nos dois casos, doses maiores provocaram efeitos inibitórios sobre o crescimento.

Microalga apresentou maior sensibilidade

Para medir essa resposta, os pesquisadores calcularam a EC50, parâmetro que indica a concentração capaz de reduzir em 50% a taxa de crescimento do organismo avaliado. Na microalga, a equipe encontrou uma EC50 de 3,67 miligramas por litro após 168 horas de exposição. Já para a alface, o valor chegou a 35,31 miligramas por litro após 96 horas.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Dessa forma, os resultados indicam que a microalga apresentou maior sensibilidade às nanopartículas de prata do que a alface nas condições avaliadas. Além disso, a diferença entre os organismos mostra por que avaliações ambientais podem considerar espécies com características distintas, já que uma mesma concentração pode produzir respostas diferentes dependendo do organismo exposto.

Resultados ajudam a avaliar riscos ambientais

A equipe também calculou a NOEC, sigla em inglês para concentração sem efeito observado. Esse parâmetro representa a maior concentração testada na qual os pesquisadores não identificaram efeitos estatisticamente significativos sobre os organismos. Para Pseudokirchneriella subcapitata, os pesquisadores encontraram 0,58 miligrama por litro. Para Lactuca sativa, o valor ficou em 1,45 miligrama por litro.

Segundo os autores, esses dados podem contribuir para futuras avaliações de risco e para a definição de níveis máximos permitidos de nanopartículas de prata em sistemas aquáticos e em áreas próximas a esses ambientes. Assim, o estudo amplia o conhecimento sobre os efeitos ambientais da nanoprata e fornece parâmetros para novas pesquisas sobre o uso de materiais em escala nanométrica na agricultura.

O trabalho reuniu Claudio Jonsson, Rodrigo Castanha, José Henrique Vallim e Vera Castro, da Embrapa Meio Ambiente. A pesquisa foi publicada em maio de 2026 na revista Asian Journal of Agricultural and Horticultural Research.