Resumo da notícia
- Nanopartículas de prata em baixas concentrações estimulam o crescimento da microalga Pseudokirchneriella subcapitata e o alongamento das raízes da alface, mas doses maiores causam efeitos inibitórios.
- A microalga mostrou maior sensibilidade às nanopartículas, com EC50 de 3,67 mg/L, enquanto a alface apresentou EC50 de 35,31 mg/L, indicando respostas diferentes conforme o organismo exposto.
- Os resultados fornecem parâmetros para avaliar riscos ambientais e definir níveis seguros de nanopartículas de prata em ambientes aquáticos e agrícolas, contribuindo para futuras pesquisas e regulamentações.
As nanopartículas de prata podem estimular o crescimento de organismos em baixas concentrações, mas também provocar efeitos inibitórios quando a dose aumenta. Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente chegaram a esse resultado após avaliar uma microalga e sementes de alface.
A equipe analisou a resposta de Pseudokirchneriella subcapitata, uma microalga unicelular usada em estudos de ecotoxicologia aquática, e de Lactuca sativa, espécie que pode atuar como bioindicador em avaliações ambientais. As nanopartículas de prata, conhecidas como AgNP, apresentam propriedades antimicrobianas e têm potencial de aplicação na agricultura, inclusive na desinfecção de sementes e no controle de doenças causadas por bactérias.
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Baixas concentrações estimularam o crescimento
No entanto, as partículas também podem chegar ao solo e à água depois da aplicação. Por isso, a equipe avaliou os efeitos da AgNP sobre organismos que não constituem o alvo da tecnologia.
No experimento, concentrações entre 0,1 e 1,0 miligrama por litro estimularam o crescimento da microalga. Nas sementes de alface, por sua vez, os pesquisadores observaram o alongamento das raízes na concentração de 0,01 miligrama por litro. Entretanto, o aumento da concentração mudou a resposta dos organismos e, nos dois casos, doses maiores provocaram efeitos inibitórios sobre o crescimento.
Microalga apresentou maior sensibilidade
Para medir essa resposta, os pesquisadores calcularam a EC50, parâmetro que indica a concentração capaz de reduzir em 50% a taxa de crescimento do organismo avaliado. Na microalga, a equipe encontrou uma EC50 de 3,67 miligramas por litro após 168 horas de exposição. Já para a alface, o valor chegou a 35,31 miligramas por litro após 96 horas.
Dessa forma, os resultados indicam que a microalga apresentou maior sensibilidade às nanopartículas de prata do que a alface nas condições avaliadas. Além disso, a diferença entre os organismos mostra por que avaliações ambientais podem considerar espécies com características distintas, já que uma mesma concentração pode produzir respostas diferentes dependendo do organismo exposto.
Resultados ajudam a avaliar riscos ambientais
A equipe também calculou a NOEC, sigla em inglês para concentração sem efeito observado. Esse parâmetro representa a maior concentração testada na qual os pesquisadores não identificaram efeitos estatisticamente significativos sobre os organismos. Para Pseudokirchneriella subcapitata, os pesquisadores encontraram 0,58 miligrama por litro. Para Lactuca sativa, o valor ficou em 1,45 miligrama por litro.
Segundo os autores, esses dados podem contribuir para futuras avaliações de risco e para a definição de níveis máximos permitidos de nanopartículas de prata em sistemas aquáticos e em áreas próximas a esses ambientes. Assim, o estudo amplia o conhecimento sobre os efeitos ambientais da nanoprata e fornece parâmetros para novas pesquisas sobre o uso de materiais em escala nanométrica na agricultura.
O trabalho reuniu Claudio Jonsson, Rodrigo Castanha, José Henrique Vallim e Vera Castro, da Embrapa Meio Ambiente. A pesquisa foi publicada em maio de 2026 na revista Asian Journal of Agricultural and Horticultural Research.