Resumo da notícia
- A foto da onça-pintada Mura no CIGS, em Manaus, viralizou ao mostrar seu olhar intenso, revelando a força e a presença desse predador das Américas.
- Mura nasceu em 2022 no zoológico do CIGS, um evento raro que evidencia as condições favoráveis para a preservação da espécie em cativeiro.
- O CIGS, administrado pelo Exército Brasileiro, é reconhecido pela conservação animal e pesquisa, sendo um dos melhores zoológicos da América do Sul desde 2014.
Uma foto, uma onça e um confronto de olhares que ninguém esperava. Uma imagem registrada no Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, o CIGS, em Manaus, viralizou ao mostrar uma onça-pintada encarando diretamente a câmera, com a intensidade fria de quem sabe exatamente o que está fazendo. O registro correu as redes, acumulou compartilhamentos e abriu uma janela rara para o mundo de um dos predadores mais poderosos das Américas.
Afinal, não é todo dia que um animal assim olha de volta.
Quem é Mura, a onça do CIGS
Por trás do olhar que impressionou tanta gente há uma história que começa pequena, literalmente. Mura é uma fêmea e nasceu em 1º de junho de 2022 dentro do zoológico do CIGS, uma data simbólica por coincidir com o Dia do Guerreiro de Selva. Filha de Pituca e Máximus, ela chegou ao mundo pesando cerca de 300 gramas. Hoje, já adulta, ultrapassa os 75 quilos.
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Durante os primeiros cinco meses de vida, Mura foi amamentada de forma espontânea pela mãe. Atualmente, sua dieta inclui carne bovina, suína, frango, pescado e carnes de caça, respeitando os padrões nutricionais estabelecidos para a sua espécie. Ela segue no recinto ao lado da mãe e apresenta crescimento saudável, segundo o próprio CIGS.
O nascimento de Mura, aliás, marcou história no zoológico. A reprodução da onça-pintada em cativeiro é considerada um evento raro. “O nascimento de Mura foi o primeiro registrado no zoológico do CIGS, o que evidencia as condições favoráveis do local para a preservação da espécie,” informou a equipe do centro.
Um felino que não tem medo de câmera
Nas imagens que circulam pelas redes sociais, a onça revela um lado descontraído, nadando e interagindo com os visitantes. Seus giros na água e olhares conquistaram o público, rendendo comentários bem-humorados. Entre os mais compartilhados, um usuário escreveu: “Minha namorada se fingindo de fofa.” Outro arriscou: “Bota a mão, mana, ela não morde.”
Embora o flagrante seja raro, o comportamento é comum entre as onças-pintadas, conhecidas por sua afinidade com a água. Diferente de outros felinos que evitam se molhar, esse predador é um nadador excepcional. No Pantanal, a água faz parte da estratégia de caça. No CIGS, serve para se refrescar e, aparentemente, para virar estrela das redes sociais.
O zoológico que poucos conhecem
O CIGS não é um zoológico qualquer. Criado e administrado pelo Exército Brasileiro, abriu suas portas ao público em 1967 e, em 2014, foi classificado entre os 25 melhores zoológicos e aquários da América do Sul, conquistando o prêmio Travelers’ Choice. Fica na zona oeste de Manaus, no bairro São Jorge, em meio a mata fechada.
Administrado pela Divisão de Veterinária do CIGS, o zoológico também promove atividades de pesquisa e acolhimento de animais, reforçando seu compromisso com a preservação da floresta e suas espécies. Além das onças, o espaço abriga araras-azuis, gaviões-reais, macacos-prego e dezenas de outras espécies da fauna amazônica. Os felinos podem ser observados no seu habitat natural do alto de uma passarela de concreto, o que garante uma experiência de observação sem colocar visitantes nem animais em risco.
O que esse olhar diz sobre a conservação?
Há algo perturbador e necessário nessa foto. A onça-pintada está na lista de espécies vulneráveis no Brasil. O animal precisa de grande extensão de selva para sobreviver e vive ameaçado pela caça predatória, pelas queimadas e pelo desmatamento da floresta. Na Amazônia, onde o desmatamento avança e os corredores ecológicos encolhem, a presença de um zoológico com programa de reprodução ativa faz diferença concreta.
Mura nasceu em cativeiro, cresceu na selva urbana de Manaus e hoje protagoniza um dos registros mais virais da fauna brasileira. “O vídeo de sua interação com a água reforça a importância da conservação da espécie e da educação ambiental promovida pelo zoológico,” destacou o CIGS.
Às vezes, um olhar diz o que nenhum relatório consegue. O de Mura diz: estou aqui. Por enquanto.