Nova Genu-in Solutions vai desenvolver produtos para outras empresas, da formulação e avaliação regulatória à produção e logística
JBS
Foto: Divulgação/JBS

A JBS criou a Genu-in Solutions para desenvolver alimentos e bebidas com maior concentração de proteínas para outras empresas. A nova operação poderá participar de etapas que vão da formulação e escolha dos ingredientes aos testes, avaliação regulatória e produção.

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A mudança amplia a atuação da Genu-in, especializada em peptídeos de colágeno e gelatina. Na prática, a empresa passa a trabalhar não apenas com ingredientes, mas também com a criação de produtos que podem chegar ao varejo.

O movimento ocorre em um mercado que amplia a oferta de alimentos enriquecidos com proteínas. Segundo a Grand View Research, esse segmento global deve passar de US$ 79,7 bilhões em 2026 para US$ 101,62 bilhões em 2030, com crescimento médio anual de 6,2%.

Snacks e bebidas ganham espaço

Entre os primeiros produtos desenvolvidos está um snack proteico do tipo puff. Segundo a JBS, o produto levou 18 meses para ficar pronto, tem 44% de proteína e passou por etapas regulatórias e testes de estabilidade antes da comercialização.

Além disso, a empresa trabalha em gomas com colágeno e bebidas prontas para consumo, conhecidas como RTD, sigla para ready-to-drink.

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A expansão também leva as proteínas para categorias que tradicionalmente não têm esse ingrediente como principal apelo. Entre as aplicações já desenvolvidas pela Genu-in estão iogurtes, requeijão, barras, refeições prontas, águas proteicas e cervejas sem álcool.

“Com a Genu-in Solutions, avançamos do ingrediente para o desenvolvimento do produto final, combinando nosso conhecimento em proteínas com pesquisa e tecnologia. Ao integrar todo o processo de desenvolvimento em uma única plataforma, facilitamos o caminho entre uma oportunidade de mercado e um produto pronto para chegar ao consumidor. É uma forma de acelerar a inovação e, ao mesmo tempo, reduzir riscos para nossos parceiros”, afirma Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios.

Adicionar proteína não é suficiente

Apesar do apelo comercial, desenvolver um alimento proteico traz desafios técnicos. A inclusão do ingrediente pode modificar sabor, textura, solubilidade, transparência e estabilidade do produto.

Por isso, os testes precisam considerar o tipo de alimento e seu processo de fabricação. Em Campinas (SP), a JBS mantém, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), um centro dedicado ao desenvolvimento e à avaliação de aplicações com colágeno.

Inaugurado em 2025, o Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno permite testar produtos em diferentes escalas, do laboratório às plantas-piloto. As pesquisas abrangem alimentos como lácteos, bebidas, produtos cárneos, panificação, chocolates, balas e snacks.

“Não basta acrescentar proteína a uma formulação. Cada alimento ou bebida tem características próprias e o ingrediente precisa funcionar dentro daquela matriz. A estrutura do Ital permite testar essas interações em diferentes escalas e aproximar a pesquisa das condições encontradas na indústria”, afirma Vivian Zague, diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição da JBS.