Resumo da notícia
- Uma onça-pintada macho, chamada Theodoro, foi encontrada exausta às margens da Rodovia Arlindo Béttio e conduzida de volta ao Parque Estadual Morro do Diabo sem ferimentos.
- Equipes da Fundação Florestal e órgãos parceiros interditaram a via por 40 minutos para garantir a segurança do animal e motoristas durante o resgate.
- O retorno foi feito sem sedação, com abertura pontual no alambrado para facilitar o acesso do felino à mata, respeitando seu cansaço e evitando riscos à saúde.
Uma onça-pintada macho foi conduzida de volta ao Parque Estadual Morro do Diabo após ser encontrada exausta às margens da Rodovia Arlindo Béttio (SP-613), em Teodoro Sampaio, no extremo oeste de São Paulo. O animal, identificado como Theodoro, tem seis anos, pesa entre 100 e 120 quilos e não apresentava ferimentos.
A ocorrência foi registrada na última quinta-feira (17). Fundação Florestal, Polícia Militar, Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Corpo de Bombeiros e equipes do parque atuaram no controle do tráfego e na condução do felino até a área protegida.
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Segundo as informações da Fundação Florestal, Theodoro havia percorrido uma longa distância e acabou parando no acostamento, sem conseguir completar o caminho de volta para a vegetação nativa. As equipes interditaram a pista por cerca de 40 minutos para proteger o animal, os profissionais envolvidos e os motoristas.
O alerta inicial indicava a possibilidade de atropelamento. Após a avaliação, porém, a equipe técnica não encontrou ferimentos no felino.
“Quando cheguei ao local, reconheci imediatamente que era o Theodoro, uma onça-pintada que monitoramos desde 2021. Ele estava muito cansado, então todo o trabalho das equipes foi feito com cuidado, respeitando o tempo do animal e buscando a forma mais segura de conduzi-lo de volta à área protegida”, afirmou Andréa Soares Pires, diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal.
Retorno sem sedação
Inicialmente, as equipes direcionaram a onça pelas margens da rodovia, utilizando o alambrado e as estruturas de passagem de fauna instaladas no trecho. Assim, o objetivo era conduzi-la até um ponto de travessia que permitisse o acesso ao parque.
O animal, no entanto, voltou a se deitar antes de alcançar a passagem. Diante do cansaço, a equipe técnica decidiu abrir uma passagem pontual no alambrado, próxima ao local onde Theodoro havia parado.

A abertura permitiu um acesso mais curto à mata. Depois de ser direcionado, o felino entrou espontaneamente na área protegida. A operação não exigiu captura física nem sedação.
De acordo com a explicação técnica apresentada pela Fundação Florestal, anestesiar um animal de grande porte em uma rodovia, sob estresse e exaustão, poderia aumentar os riscos à saúde e dificultar a recuperação. Por isso, a estratégia adotada foi acompanhar o ritmo da onça e facilitar seu retorno ao habitat.
Programa monitora o animal desde 2021
A equipe reconheceu Theodoro pelas características únicas de sua pelagem. As rosetas presentes no corpo da onça-pintada formam um padrão individual, semelhante a uma impressão digital, o que permite identificar cada animal nas imagens das armadilhas fotográficas.
O programa MonitoraBioSP, da Fundação Florestal, monitora o macho desde 2021. Ele utiliza corredores ecológicos que conectam o Parque Estadual Morro do Diabo à Estação Ecológica Mico-Leão-Preto, unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo a Fundação Florestal, pesquisadores já identificaram cerca de 10 onças-pintadas no Parque Estadual Morro do Diabo. O número não representa necessariamente toda a população que utiliza a região, porque os animais circulam por uma área ampla entre os rios Paranapanema e Paraná.
No estado de São Paulo, o MonitoraBioSP reúne cerca de 1.540 registros de onças-pintadas, segundo a informação divulgada pela instituição. O texto deve deixar claro que se trata de registros do programa, e não necessariamente de indivíduos diferentes.
Monitoramento ajuda na conservação
No Parque Estadual Morro do Diabo, o MonitoraBioSP conta com 40 pontos de monitoramento equipados com armadilhas fotográficas. Os equipamentos funcionam durante 24 horas por dia em períodos de aproximadamente 120 dias por ano.
As imagens ajudam a acompanhar a distribuição e o uso do habitat por mamíferos de médio e grande porte. E também fornecem informações para ações de manejo e para respostas a ocorrências envolvendo animais silvestres em rodovias.
As passagens de fauna representam outra medida para reduzir o risco de atropelamentos. Em 2023, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística informou que onças-pintadas utilizaram estruturas construídas pelo DER na rodovia que corta o parque.
Além disso, a região também já registrou atropelamentos fatais de onças-pintadas. Em 2023, dois animais morreram em menos de uma semana na SP-613, o que levou o governo paulista a anunciar novas medidas de segurança, incluindo radares e passagens subterrâneas para a fauna.
“O Theodoro faz parte de uma das últimas populações residentes de onça-pintada no Estado de São Paulo, e essa ocorrência mostra, na prática, a importância do monitoramento, dos corredores florestais e das estruturas de passagem de fauna para a conservação da espécie”, afirmou Andréa Soares Pires.
Motoristas que encontrarem animais silvestres próximos à rodovia não devem se aproximar, alimentar ou tentar espantá-los. A orientação é manter distância e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.