Unidade no ABC Paulista do Açaí Formosa marca transição de modelo com fornecedores terceirizados para produção internalizada, com foco em logística, custos e consistência do produto em SP, MG e RJ
açaí na árvore
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa.

A rede Açaí Formosa destinou R$ 13 milhões à construção de um galpão industrial próprio em Santo André, no ABC Paulista, para assumir a fabricação e a distribuição de cremes e produtos à base de açaí que abastecem suas 125 lojas. O movimento de verticalização busca dar mais previsibilidade a custos, logística e padronização em meio ao crescimento acelerado do franchising.

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Fábrica dp Açaí Formosa em Santo André, usado para produzir e distribuir açaí para 125 lojas
Foto: Divulgação

A companhia encerrou 2025 com faturamento de R$ 69 milhões e uma rede de 125 unidades, sendo dez próprias e 115 franquias, distribuídas por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O novo complexo marca a transição de um modelo apoiado em fornecedores terceirizados para uma estrutura verticalizada, na qual a empresa passa a controlar diretamente etapas centrais da cadeia produtiva.

“A indústria própria nos permite ter mais controle sobre a qualidade, o desenvolvimento dos produtos e a distribuição para as unidades. Estamos criando uma estrutura preparada para acompanhar o crescimento da rede e, ao mesmo tempo, preservar o padrão que o consumidor encontra em nossas lojas”, explica Rodrigo Santana, diretor de expansão da Açaí Formosa.

Desafio logístico

Os números ajudam a dimensionar o desafio logístico por trás do projeto. A rede comercializa cerca de 80 toneladas de açaí por mês, distribuídas entre diferentes combinações de cremes e sabores. Sustentar esse volume com consistência entre unidades espalhadas por três estados é, segundo a empresa, o principal argumento para internalizar a produção e para abrir espaço a um portfólio mais amplo sem risco de perda de padrão.

“Quando uma rede cresce, não basta aumentar o número de franquias. É preciso construir uma estrutura que acompanhe essa expansão. O investimento de R$ 13 milhões faz parte dessa visão e fortalece a capacidade da Açaí Formosa de crescer de forma organizada”, afirma Santana.

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O raciocínio reflete um movimento observado em outras redes de franchising alimentar em fase de maturação. À medida que o número de lojas aumenta, a padronização deixa de ser apenas uma promessa de marca e passa a depender de infraestrutura própria. “Um creme desenvolvido pela franqueadora precisa chegar ao consumidor com as mesmas características em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro ou na capital paulista. E é essa consistência que sustenta a confiança do franqueado no sistema”, ressalta o diretor de expansão da marca.

Trajetória

A trajetória da empresa remonta a 2013, quando Marcos Ferreira e Remo Santana fundaram a marca a partir da experiência prévia de Ferreira, que já atuava havia seis anos no mercado de açaí. Desde então, o negócio migrou de uma operação concentrada em pontos de venda para um modelo que combina varejo, franquias e, agora, produção própria.

A inovação de portfólio complementa a estratégia industrial. Entre os lançamentos recentes estão um creme de chocolate com laranja, criado para o período de Páscoa, e uma opção à base de café. Uma linha sem açúcar e sem lactose deve chegar às lojas em breve. Para um negócio de consumo recorrente, a renovação do cardápio funciona como ferramenta de retenção, criando novas ocasiões de compra e ampliando o alcance da marca entre perfis distintos de cliente.

“O desenvolvimento de produtos é uma frente importante para a expansão. A ideia é oferecer novidades sem perder a identidade da marca. E principalmente, garantir que esses produtos possam ser reproduzidos com o mesmo padrão em toda a rede”, conclui Santana.