Resumo da notícia
- A vitivinicultura adota inteligência artificial, drones, satélites e máquinas para otimizar o manejo dos vinhedos, aumentando a eficiência na produção e colheita das uvas.
- Um modelo de IA desenvolvido com instituições parceiras detecta cachos de uva com 96% de precisão, auxiliando no planejamento da colheita e na organização das operações.
- Mecanização reduz o tempo e a mão de obra em atividades como poda e transporte, com equipamentos voltados para propriedades de diferentes tamanhos, melhorando a produtividade no campo.
A vitivinicultura amplia o uso de tecnologia na produção de uvas, com inteligência artificial, imagens de satélite, drones e máquinas para melhorar o manejo dos vinhedos e tornar algumas operações mais eficientes. O Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) reuniu essas soluções em uma cartilha sobre a incorporação gradual de tecnologias na produção de uvas.
Entre os destaques está um modelo de inteligência artificial desenvolvido com outras instituições para estimar a colheita a partir de imagens. Nos testes divulgados, o sistema identificou cachos de uva com 96% de precisão. O recurso pode ajudar o produtor a planejar a colheita com antecedência e dimensionar melhor as operações.
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Mecanização reduz tempo de trabalho
A mecanização ajuda principalmente nas atividades que exigem mais mão de obra. Entre as alternativas estão equipamentos para poda, colheita e transporte dentro dos vinhedos.
Um banco mecânico de colheita, por exemplo, pode reduzir em cerca de 10% o tempo de transporte da produção. Dessa forma, o equipamento pode agilizar o deslocamento das uvas durante a colheita.
Para propriedades menores, o microtrator Chango oferece uma alternativa. Os pesquisadores desenvolveram o equipamento para áreas de até 10 hectares, com possibilidade de atuação em diferentes tarefas do vinhedo, especialmente no transporte durante a colheita.
A mecanização também alcança a poda. Sistemas como box pruning e minimal pruning permitem executar parte da operação com máquinas e reduzir o trabalho manual em determinadas etapas.
Drones ajudam a identificar diferenças nas plantas
O produtor pode usar imagens de satélite, drones e celulares para acompanhar o desenvolvimento das videiras. Esses recursos ajudam a identificar diferenças no vigor das plantas, sinais de estresse hídrico e possíveis problemas sanitários.
Em ensaios conduzidos pelo INTA Junín, pesquisadores observaram diferenças de até 60% no vigor das plantas conforme o manejo da água. O resultado mostra que a disponibilidade hídrica pode produzir diferenças expressivas dentro do próprio vinhedo.
Com essas informações, o produtor consegue localizar áreas que apresentam necessidades diferentes e direcionar melhor a avaliação da irrigação. Assim, os dados ajudam a evitar decisões baseadas apenas na média de toda a propriedade.
Tecnologia apoia as decisões no campo
As ferramentas digitais também auxiliam a gestão de insumos, a pulverização, a rastreabilidade e a agricultura de precisão. Startups argentinas desenvolvem ainda soluções para irrigação inteligente e uso de dados obtidos por satélite.
Na prática, cada tecnologia atende a uma necessidade diferente. A inteligência artificial analisa imagens para estimar a produção, enquanto drones e satélites fornecem informações sobre as plantas. Já as máquinas atuam diretamente nas tarefas que demandam tempo e mão de obra.
Por isso, o produtor precisa relacionar o investimento ao problema que pretende resolver. Em uma propriedade de menor escala, por exemplo, um equipamento adaptado ao tamanho da área pode oferecer uma aplicação mais adequada. Já em vinhedos com diferenças de solo, água ou vigor, imagens e dados podem ajudar a direcionar o manejo.
A tecnologia, portanto, amplia as ferramentas disponíveis para o produtor acompanhar a lavoura, organizar a colheita e tornar determinadas operações mais eficientes.