Resumo da notícia
- Cães-robôs com quatro patas mecânicas e rodas auxiliam no transporte de caixas de uvas em vinhedos de Turpan, China, reduzindo o esforço físico dos trabalhadores em temperaturas que ultrapassam 50°C.
- O robô Lynx M20S carrega até 35 kg e transita por terrenos difíceis onde tratores não conseguem, acompanhando a colheita sem interromper o trabalho dos agricultores.
- Produzidos pela DEEP Robotics, os robôs também transportam tubos de irrigação e coletam dados, prometendo reduzir em até 70% o trabalho manual na safra, embora esse dado não seja confirmado por estudos independentes.
Quatro patas mecânicas, rodas e uma caixa de uvas nas costas. Em Turpan, uma das regiões mais quentes da China, cães-robôs começaram a trabalhar em vinhedos comerciais durante a colheita.
As máquinas não retiram os cachos das videiras. Essa tarefa continua sendo feita pelos trabalhadores. Depois que as caixas ficam cheias, porém, os robôs entram em ação para transportar a produção pelos corredores da plantação.
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A experiência ocorre em uma região onde, durante a safra, a temperatura da superfície pode superar os 50°C. Nesse cenário, automatizar o transporte reduz justamente uma das atividades mais desgastantes para quem trabalha no campo.

Os equipamentos são produzidos pela chinesa DEEP Robotics. Segundo a empresa, os robôs também transportam tubos de irrigação e podem coletar informações durante o deslocamento pela propriedade.
Robô leva até 35 quilos

O modelo utilizado nos vinhedos é o Lynx M20S. Apesar da aparência de um cachorro mecânico, o equipamento combina pernas articuladas e rodas para circular por terrenos onde máquinas agrícolas maiores enfrentam dificuldades.
Cada robô pode transportar cargas de até 35 quilos.
Na prática, enquanto os trabalhadores avançam pela plantação retirando as uvas, as caixas cheias são colocadas sobre o equipamento. Em seguida, o robô leva a produção até os pontos de coleta.
Assim, o trabalhador não precisa interromper a colheita tantas vezes para carregar o produto.
De acordo com a DEEP Robotics, a utilização das máquinas reduziu em mais de 70% o trabalho manual relacionado ao transporte de cargas durante o pico da safra.
O número, entretanto, deve ser visto com cautela. O percentual foi divulgado pela própria fabricante e não é resultado de um estudo científico ou de uma avaliação independente.
Calor torna trabalho ainda mais pesado

Turpan fica na região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China, e é conhecida pela produção de uvas frescas e passas.
O problema é que parte importante da colheita ocorre justamente durante um período de calor intenso.
Por isso, carregar repetidamente caixas de uvas entre os parreirais aumenta o esforço físico dos trabalhadores. Além disso, o transporte precisa ser relativamente rápido depois que os frutos deixam as videiras.
Nesse ponto, os robôs funcionam como pequenos carregadores que acompanham as equipes pelo campo.
A fabricante informa que o Lynx M20S foi projetado para operar em condições extremas, entre 50°C e -30°C. Portanto, o teste nos vinhedos também coloca componentes eletrônicos, baterias e sensores diante de um ambiente bastante diferente de um laboratório.
Cão-robô passa onde trator não consegue

O formato de quatro patas não foi escolhido apenas para chamar atenção.
Vinhedos podem ter corredores estreitos, pedras, pequenos desníveis e terrenos onde tratores ou veículos maiores não conseguem circular com facilidade.
O Lynx M20S consegue atravessar passagens de aproximadamente 50 centímetros. Além disso, sensores ajudam o equipamento a identificar obstáculos durante o percurso.
As pernas articuladas permitem superar irregularidades, enquanto as rodas aumentam a velocidade nos trechos mais planos.
Dessa forma, a máquina tenta reunir duas características normalmente encontradas em equipamentos diferentes: a mobilidade de um robô com pernas e a eficiência de um veículo sobre rodas.
Para transportar frutas, existe ainda outro desafio. O movimento precisa ser relativamente estável para evitar quedas ou danos às uvas.
Robôs menores ganham espaço no campo

A experiência chinesa mostra uma frente diferente da mecanização agrícola.
Durante décadas, boa parte da inovação no campo esteve associada a tratores, colheitadeiras e pulverizadores cada vez maiores. Agora, porém, começam a surgir máquinas menores e capazes de executar tarefas específicas.
Robôs quadrúpedes podem entrar justamente onde equipamentos convencionais encontram limitações.
Além do transporte da produção, a DEEP Robotics aponta possibilidades como movimentação de materiais de irrigação e coleta de dados da lavoura.

Ainda assim, o projeto de Turpan não significa que os trabalhadores deixaram de participar da colheita. São eles que continuam selecionando e retirando os cachos das plantas.
A mudança acontece depois.
Quando a caixa fica cheia, parte do trabalho pesado deixa as costas do trabalhador e passa para as quatro patas do robô.