Máquinas carregam caixas entre os parreirais e ajudam trabalhadores durante a safra em uma das regiões mais quentes da China
Cão-robô Lynx M20S transporta caixa de uvas em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

Quatro patas mecânicas, rodas e uma caixa de uvas nas costas. Em Turpan, uma das regiões mais quentes da China, cães-robôs começaram a trabalhar em vinhedos comerciais durante a colheita.

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As máquinas não retiram os cachos das videiras. Essa tarefa continua sendo feita pelos trabalhadores. Depois que as caixas ficam cheias, porém, os robôs entram em ação para transportar a produção pelos corredores da plantação.

A experiência ocorre em uma região onde, durante a safra, a temperatura da superfície pode superar os 50°C. Nesse cenário, automatizar o transporte reduz justamente uma das atividades mais desgastantes para quem trabalha no campo.

Trabalhador rural vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

Os equipamentos são produzidos pela chinesa DEEP Robotics. Segundo a empresa, os robôs também transportam tubos de irrigação e podem coletar informações durante o deslocamento pela propriedade.

Robô leva até 35 quilos

Cão-robô transporta caixa de uvas em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

O modelo utilizado nos vinhedos é o Lynx M20S. Apesar da aparência de um cachorro mecânico, o equipamento combina pernas articuladas e rodas para circular por terrenos onde máquinas agrícolas maiores enfrentam dificuldades.

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Cada robô pode transportar cargas de até 35 quilos.

Na prática, enquanto os trabalhadores avançam pela plantação retirando as uvas, as caixas cheias são colocadas sobre o equipamento. Em seguida, o robô leva a produção até os pontos de coleta.

Assim, o trabalhador não precisa interromper a colheita tantas vezes para carregar o produto.

De acordo com a DEEP Robotics, a utilização das máquinas reduziu em mais de 70% o trabalho manual relacionado ao transporte de cargas durante o pico da safra.

O número, entretanto, deve ser visto com cautela. O percentual foi divulgado pela própria fabricante e não é resultado de um estudo científico ou de uma avaliação independente.

Calor torna trabalho ainda mais pesado

Trabalhador rural e cão-robô em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

Turpan fica na região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China, e é conhecida pela produção de uvas frescas e passas.

O problema é que parte importante da colheita ocorre justamente durante um período de calor intenso.

Por isso, carregar repetidamente caixas de uvas entre os parreirais aumenta o esforço físico dos trabalhadores. Além disso, o transporte precisa ser relativamente rápido depois que os frutos deixam as videiras.

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Nesse ponto, os robôs funcionam como pequenos carregadores que acompanham as equipes pelo campo.

A fabricante informa que o Lynx M20S foi projetado para operar em condições extremas, entre 50°C e -30°C. Portanto, o teste nos vinhedos também coloca componentes eletrônicos, baterias e sensores diante de um ambiente bastante diferente de um laboratório.

Cão-robô passa onde trator não consegue

Cão-robô em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

O formato de quatro patas não foi escolhido apenas para chamar atenção.

Vinhedos podem ter corredores estreitos, pedras, pequenos desníveis e terrenos onde tratores ou veículos maiores não conseguem circular com facilidade.

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O Lynx M20S consegue atravessar passagens de aproximadamente 50 centímetros. Além disso, sensores ajudam o equipamento a identificar obstáculos durante o percurso.

As pernas articuladas permitem superar irregularidades, enquanto as rodas aumentam a velocidade nos trechos mais planos.

Dessa forma, a máquina tenta reunir duas características normalmente encontradas em equipamentos diferentes: a mobilidade de um robô com pernas e a eficiência de um veículo sobre rodas.

Para transportar frutas, existe ainda outro desafio. O movimento precisa ser relativamente estável para evitar quedas ou danos às uvas.

Robôs menores ganham espaço no campo

Cão-robô transporta caixa de uvas em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

A experiência chinesa mostra uma frente diferente da mecanização agrícola.

Durante décadas, boa parte da inovação no campo esteve associada a tratores, colheitadeiras e pulverizadores cada vez maiores. Agora, porém, começam a surgir máquinas menores e capazes de executar tarefas específicas.

Robôs quadrúpedes podem entrar justamente onde equipamentos convencionais encontram limitações.

Além do transporte da produção, a DEEP Robotics aponta possibilidades como movimentação de materiais de irrigação e coleta de dados da lavoura.

Plantação de uvas em vinhedo de Turpan, na China
Foto: Deep Robotics

Ainda assim, o projeto de Turpan não significa que os trabalhadores deixaram de participar da colheita. São eles que continuam selecionando e retirando os cachos das plantas.

A mudança acontece depois.

Quando a caixa fica cheia, parte do trabalho pesado deixa as costas do trabalhador e passa para as quatro patas do robô.